WORK-SHOP, HISTÓRIA DA FORMIGA RABIGA E TORTA DE MARMELADA

Hoje sai um Work-shop de Língua Portuguesa aqui no Meu Estaminé.
Vamos falar de uma "família" especial, he,he.
ça------------- ço ---------çu

Embora a letra "c" se chame "cê", quando está junto de um "a", "o" ou "u", precisa de uma cedilha.
Ex: - caça, poço, doçura.

------ce-----ci---

As sílabas "ce" e "ci", nunca levam cedilha.
Ex: -  cidade, cebola, cidra, Mercês .

É tão simples como isto. Só espero que o novo acordo de Língua Portuguesa não me desminta!!!!


E como é fim de semana, fica aqui uma HISTÓRIA para os mais Pequeninos!

           A HISTÓRIA DA FORMIGA RABIGA


Era uma vez uma Formiga Rabiga.
Era pretinha e queria ser branca, porque era tolinha.
Viu-se ao espelho e pensou:
- Como eu seria bonita se fosse branquinha!
E viu farinha no moinho.
A Formiga Rabiga esfregou-se toda na farinha.
Então passaram as outras formiguinhas, viram aquela coisinha branca e disseram:
- Olha, olha, que belo naco de farinha para o nosso celeiro!
E carregaram a pobre da Rabiga às costas.
- Eu não sou farinha! Eu sou a Formiga Rabiga!-  ia ela dizendo, coitadinha!
- Tu não és formiga, que as formigas são pretas. Tu és branca e és farinha! - disseram as outras.
- Mas a farinha não fala e eu falo!
Aqui, então é que foi o bom e o bonito! As outras repararam que era verdade, que a farinha não fala,
e tiveram tanto medo que desataram a fugir e atiraram a pobre da Rabiga para o chão.
Muito ferida, muito coxinha, a pobre da Rabiga lá foi andando para casa.
Passou por um alguidarzinho de plástico e lavou-se toda para tirar a farinha.
Mas como estava muito frio ficou constipada e esteve de cama muitos dias.
E quando se levantou, nunca mais quis ser branquinha.
                                                   Alice Nicolau

E agora, deixo-vos uma receita  de que as formiguinhas gostam muito...

                                     TORTA DE MARMELADA

5 ovos
1 chávena de chá de açúcar
2 chávenas de chá (mal cheias) de farinha com fermento

1 chávena e meia de marmelada

2 colheres de sopa de água
1 cálice de vinho do Porto

Forra-se um tabuleiro com papel vegetal Glad. Prepara-se um pano da loiça limpo  e polvilha-se com açúcar pilé. Reserva-se.
Batem-se com a batedeira  os ovos inteiros com o açúcar até obter um creme grosso e esbranquiçado.
Com a ajuda de um passador de rede, vai-se deitando a farinha aos poucos, em chuva e envolve-se no creme de ovos, cuidadosamente.
Verte-se no tabuleiro e leva-se ao forno prèviamente aquecido a 180°, durante 12 a 15 minutos. Faz-se o teste do palito e se este sair seco, retira-se do forno.
Vira-se sobre o pano e com a ajuda de uma faquinha, solta-se o papel vegetal e retira-se.
Barra-se com o creme de marmelada e enrola-se com a ajuda do pano.

Recheio: Leva-se ao lume num tachinho a marmelada misturada com a água e o vinho do Porto. Deixa-se ferver mexendo sempre, até obter uma mistura cremosa e homogénea.

Esta torta rápida fazia as delícias dos gulosos lá de casa quando éramos pequenos! Lembrando-me disso, confeccionei-a um destes dias para um lanchinho de despedida dos meus nètinhos que partiram hoje para Inglaterra.
Bom fim de semana com Sol nos corações!
Beijinhos
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima








 

          

SURDEZ SÚBITA... E O MEU ARROZ DE TAMBORIL

Hoje vou falar-vos de SURDEZ SÚBITA. Não que seja um assunto muito interessante, mas porque pode acontecer a qualquer pessoa, quando menos espera e independentemente da idade.
Nunca me tinha passado pela cabeça que se podia ficar surdo de repente, sem nunca ter tido uma dor de ouvidos, nem uma otite, nem estar constipada.
Quando, numa tarde de sexta-feira me apercebi de que não conseguia ouvir nada, assustei-me, pensando que estava a ter um AVC. A tensão arterial demasiado elevada,confirmava as minhas suspeitas. Fomos logo às Urgências do Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco onde um médico de serviço (eu achei que era médico !!!)se riu do meu receio. Que o AVC não provoca surdez, etc. Aliás, nesse momento já a tensão tinha normalizado, foi mesmo do susto.
Então com a "cornetinha" espreitou para o ouvido e disse que o que eu tinha era cera nos ouvidos!!! Que no começo da semana procurasse um Otorrino para fazer uma lavagem.
Eu fiquei mais descansada com o prognóstico e marquei logo consulta no Otorrino para segunda-feira. Só que nesse dia, já não me consegui levantar com vertigens e vómitos constantes. Na terça de manhã fui de novo ao Hospital, pensando que estava com uma crise de visícula, já em cadeira de rodas...
Fui medicada com soro e à tarde , quando me deram alta, fui directa para o consultório do Otorrino. Ele assim que me viu, fez logo o diagnóstico: SURDEZ SUBITA.
Qual cera, qual "carapuça"! Só que a Surdez Súbita tem 24 a 48 horas para ser tratada. É uma injecção julgo que à base de cortisona, que dentro de 10 dias, dá 50% de possibilidades de voltar a recuperar a audição! E para mim já era tarde...
Ainda a apanhei, mas já tinha passado muito tempo e não fez efeito.
Se eu soubesse isto, tinha ido logo nesse dia ao Otorrino! E porque pode acontecer a qualquer pessoa com mais frequência do que pensamos, é que eu quis partilhar convosco esta mágoa. Para que não volte a acontecer!

E agora, "tristezas não pagam dívidas". Por isso deixo-vos a receita do meu almoço de ontem, he,he!


ARROZ DE TAMBORIL

1 lombo de tamboril (1 kg), às postas
4 camarões médios por pessoa
2 chávenas (xícara) almoçadeiras de água
1 chávena almoçadeira de leite

1 chávena (xícara) almoçadeira de arroz carolino (200g)
3 chávenas almoçadeiras de líquido da cozedura do tamboril
1 cebola média
2 dentes de alho
1 folha de louro (sem nervura )
3/4 de chávena de café de azeite virgem
1 colher de sopa de concentrado de tomate
1 molhinho de coentros picados (maço)
Sal e malagueta em flocos q.b.

Ponha a ferver num tacho 2 chávenas de água, com um pouco de sal. Deite os camarões, deixe levantar fervura e conte 5 minutos. Apague o lume e retire os camarões com a escumadeira para uma tigela. Acrescente água fria e descasque os camarões. Reserve.
Com o garfo, esmague as cabeças dos camarões nessa água. Coe e reserve.
Coe a água de cozer os camarões, junte esta última e acrescente uma chávena de leite. Leve ao lume a ferver e introduza os pedaços de tamboril. Deixe ferver em lume brando por 10 minutos.
Prepare um refogado com o azeite, o alho e a cebola picados e a folha de louro.
Junte uma colher de sopa de concentrado de tomate.
Acrescente 3 chávenas de líquido da cozedura do tamboril.
Prove e rectifique o tempero de sal e junte um pouco de malagueta em flocos.
Quando ferver junte o arroz lavado. Deixe levantar fervura de novo, baixe o lume para mínimo e conte 13 a 15 minutos.
Sirva polvilhado com coentros picados.

Notas: - Esta receita dá para 4 pessoas.
- Sirva acompanhado de uma boa salada verde ou mista.

Beijinhos da
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

A CABRINHA E A MINHA CHUPETA...E UMA DELÍCIA DE AMÊNDOA

Não sei se sabem, mas nasci no "meio" da Segunda Guerra Mundial, em 1943. Fui a segunda (o J. já tinha nascido) e em 1945 nasceu o meu irmão H.
Desse tempo recordo-me da dificuldade que havia em se arranjar leite. Nós tínhamos uma Leiteira que vinha todos os dias à tardinha trazer o leite lá a casa, mas ela arranjava muito pouco para as necessidades de tantos garotos.
Então os meus pais compraram uma cabrinha e, como tínhamos quintal, ela estava bem acomodada. Era castanha e todos os dias a minha tia Carolina a levava a pastar aos campos em volta. E nós, claro adorávamos fazer-lhe companhia.
Depois voltávamos , já com umas sacas de ervas para os coelhos e muito apetite para o almoço.

Eu já devia ter uns 4 anitos e ainda usava chupeta e lembro-me que faziam troça de mim por isso. Então deixei de a pedir durante o dia, mas à noite era demais: tinha de adormecer com ela! Até que um belo dia, a minha chupeta desapareceu...Já era noite e ninguém sabia da chupeta e eu queria ir dormir! Então alguém disse:
- A cabrinha comeu a chupeta!...
E eu acreditei. Coitadinha da cabrinha, ela não sabia o que fazia, não foi por mal...
E lá adormeci sem chupeta...para nunca mais!


Antigamente, nos Restaurantes aqui de Sintra, serviam à sobremesa um bolo muito agradável feito com amêndoa. Claro que ninguém dava a receita, mas eu resolvi experimentar à minha moda e ficou muito semelhante. É essa receita que vos deixo aqui hoje.

DELÍCIA DE AMÊNDOA

250g de amêndoas com pele, raladas finamente
200g de açúcar
6 ovos
1/2 litro de natas frescas (2 pacotes)
5 colheres de sopa de açúcar baunilhado
Raspas de chocolate negro

Batem-se os ovos com o açúcar, com a batedeira, até obter um creme grosso e esbranquiçado (10 minutos).
Junta-se a amêndoa a pouco e pouco, mexendo com cuidado de baixo para cima, envolvendo bem mas sem bater.
Forra-se uma forma com papel vegetal Glad (já está untado) e verte-se nela a massa.
Vai ao forno quente (180°) durante cerca de 30 a 35 minutos. Faz-se o teste do palito para ver se está cozido. Retira-se do forno, desenforma-se no prato de serviço e deixa-se arrefecer.
Entretanto prepara-se o chantilly batendo bem as natas com o açúcar baunilhado.
Depois do bolo estar frio abre-se ao meio e barra-se com parte do chantilly.
Coloca-se a outra metade e cobre-se com o resto do chantilly e leva-se ao frigorífico. Na hora de servir polvilha-se com raspas de chocolate.

IOGURTE CASEIRO...NO MICROONDAS

Ainda a propósito de Iogurtes Caseiros: A minha leitora T.C. tinha-me falado numa receita de iogurte feita no microondas, que ela faz com muito sucesso e pouco trabalho lá em casa. A receita, tinha-a encontrado no
http://www.poupaeganha.blogspot.com
Ontem andei à procura e gostei de o ter descoberto. Obrigada Amiga!
Este blog é feito por um senhor que foi atingido pelo lay-out da Quimonda. Para tentar dar a volta "por cima", começou a escrever um blog e, ao que parece, teve tal sucesso que foi convidado para escrever um livro com quase trezentas dicas para poupar. Cá para mim, todas as dicas que nos ajudem a orientar a vida e a poupar, valem ouro.
No mês de Novembro, dia 19 ele publicou esta receita de

IOGURTE NO MICROONDAS

1/2 litro de leite (gordo ou meio gordo)
1 iogurte natural ou de aromas

Amorne meio litro de leite no microondas até este atingir os 50° (bem quentinho).
Verta o leite para um frasco de vidro, adicione um iogurte e misture bem.
Feche o frasco, embrulhe-o numa manta e guarde dentro de uma mala térmica.

Após 12 horas a fermentar,na mala térmica, já pode passar o frasco para o frigorífico.

Notas do autor:- Este iogurte fica bastante amargo (azedo), pelo que pode adicionar mel, compota ou açúcar.
_ Há quem utilize 1 iogurte para 1 litro de leite, mas fica mais do tipo Iogurte líquido.

Agora as minhas sugestões: -Se quiser um bom Iogurte, cremoso e rijinho, junte a 1 litro de leite, além do iogurte, 2 colheres de sopa de leite em pó. Proceda exactamente como a receita menciona.

1l de leite custa cerca de 0.70 euros e 1 iogurte custa cerca de 0.60 euros, o que somado dá um gasto de 1.30 euros ( Se usarem marcas brancas ainda é mais barato).
Com 1.30 fazem cerca de 8 iogurtes. Já viram o que poupam se têm crianças em casa?
Além disso o iogurte feito em casa não leva conservantes nem corantes, o que significa que é muito mais saudável!
E sem trabalho, nada se consegue! Mãos à obra!

Beijinhos

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

"COMO POUPAR SEM PERDER A CABEçA" E IOGURTES NA PANELA DE PRESSÃO

Lembram-se de num dos meus primeiros textos vos ter falado num livrinho muito interessante que comprei nos CTT? Pois foi esse mesmo. Intitulava-se COMO POUPAR SEM PERDER A CABEçA!
Como no livro vinha recomendado que não se podia reproduzir qualquer texto sem autorização da Autora e esta indicava o e-mail para posterior contacto, vai a Bombom e zás! Escreve à Ana Galán a pedir autorização para levantar um pouco do véu.
Vem a Tia Fátima, claro, meia rezingona, "se alguma vez se viu escrever a uma Escritora sem a conhecer de lado nenhum, até podia parecer mal", etc, etc...
Por mais que eu lhe dissesse que ela é que tinha pedido a nossa opinião àcerca do livro e sugestões e ideias novas de poupança, a Tia Fátima não se convencia.
Só quando recebeu um e-mail da Ana Galán, lindo, todo a azul, a dizer que tinha passado pelo Meu Estaminé e que tinha gostado muito, e que tanto ela como a sua Editora autorizavam que se mostrasse um pouco do livro, desde que disséssemos quem era a Autora e a Editora, é que ela acreditou que a Bombom fez um trabalho sério, he,he! Eu ainda hei-de pôr a Tia Fátima na linha e olhem que já faltou mais!!!

O que mais gostei neste livro foi o facto de ser escrito em português, ser pequeno, de leitura fácil, de transmitir boa disposição e de sintetizar em poucas palavras cerca de "100 ideias para economizar em todas as áreas da nossa vida".
Na Introdução a autora ajuda-nos a definir os Objectivos que pretendemos atingir com a Poupança.
Em seguida, menciona uma série de regras práticas para nos ajudar a poupar. Desde a Energia, a Gasolina, no Supermercado, nas Viagens, no Telefone, no Banco , no dia a dia, no Vestuário, nos Presentes, na Vida Social, nas Assinaturas e nas Mensalidades, e até em casa.
E ainda nos dá dicas para aumentarmos os rendimentos, investirmos em nós próprias, além de ideias e truques de poupança. Tudo isto salpicado de anedotas simples mas divertidas, fizeram com que eu adorasse lê-lo e recomendá-lo a quem quiser comprá-lo.
Muitas destas ideias já não são novidade pois decorrem da nossa prática do dia a dia, mas outras são muito oportunas e estão muito bem equacionadas.

E, se no final vos surgirem algumas sugestões que ainda não estejam lá, podem sempre escrever à Ana Galán que é uma Senhora muito acessível e muito simpática.
COMO POUPAR SEM PERDER A CABEçA de Ana Galán. Everest Editora (Rio de Mouro - Portugal)

E como estamos numa de poupança, vou deixar-vos uma receita para fazerem Iogurte na Panela de Pressão. Verão que se poupa muito dinheiro no fim do mês e até nem é assim tão trabalhoso. A receita é do Chefe Silva, Teleculinária N° 87 de 2/08/78.


IOGURTES na Panela de Pressão

1 l de leite
1 iogurte natural
2 colh. chá de leite em pó
10 copinhos para iogurte

Dissolva o leite em pó num pouco de leite e misture no restante. Faça ferver, retire do lume e deixe arrefecer até cerca de 50°.
Deite água na panela de pressão até meio e ponha a ferver, tapada, durante 5 minutos.
Logo que o leite esteja quase morno mas quentinho, ou seja a 50°, misture-lhe o iogurte, mexa muito bem e encha os copinhos.
Destape a panela de pressão, retire-lhe a água e coloque dentro os copos dos iogurtes.
Tape de novo, aperte e embrulhe a panela de pressão num cobertor, deixando estar assim por mais de 4 horas, a fim de manter o máximo de tempo à temperatura de 40°.
Retire depois, destape e meta os iogurtes no frigorífico. Cubra com película aderente ou com a tampinha.
Coma-os depois de frios, adicionando-lhes frutas picadas, açúcar, xarope de groselha ou de Limão, mel, chocolate em pó, etc.

Como vêem esta receita não gasta electricidade, he, he!
Beijinhos

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

WORKSHOP, EMISSÃO INFANTIL E ARROZ DE BERBIGÃO

Hoje vamos começar por um pequeno "workshop" de Gramática (he,he)! Apanho cá as clientes e vai disto! É que há uns erros de Ortografia e de Gramática, que são muito fáceis de solucionar e vão ver que os vossos textos vão ficar muito mais atractivos!
Trata-se do "há" e do "à".

Reparem nas frases.
1 - Eu fui .... janela e vi que ...muitas núvens no céu.
2 - Eu vou ....praça fazer compras. Na praça hoje ....peixe fresco.

Se tiver dúvidas, troque o som A por "existe"; se soar bem, escreve-se com "h" porque "há" pertence ao verbo Haver = Ter = Existir.
Se o som A se refere a um lugar ou sítio, escreve-se "à".

Na frase 1 e 2, janela e praça são locais, portanto escreve-se sem "h".
a) Eu fui à janela
b) Eu fui à praça.

c) ...(tem ou existem) muitas núvens...; "há muitas núvens"...
d) ...(tem ou existe) peixe fresco...; "há peixe fresco".

Experimentem e depois digam-me se não é tão fácil.



Como hoje é sexta-feira, temos EMISSÃO INFANTIL, hoje com uma poesia que pode ser interpretada por crianças, do tipo "jograis".


PASSEIO NO CÉU

Os Anjinhos, já cansados
De neste mundo pensar,
Resolveram descansar,
Os grandes endiabrados!

E então foram brincar
 apanhada e escondidas!
- "Não quero aqui mais corridas"!
Era o S. Pedro a ralhar.

Um ficou aborrecido.
- "Vamos para outro lado
Que o S. Pedro está zangado!
Disse outro, mais divertido.

Resolveram ir então
Os negros céus perscrutar
E saíram a explorar
A mais densa escuridão.

Ali, já ninguém os via!
Fizeram boas corridas,
Brincaram às escondidas
E, com tod`essa folia,

Esqueceram-se de voltar.
E já eram horas mortas
Quando bateram às portas
P`ra no céu de novo entrar.

S. Pedro, muito ensonado,
Pois tinha estado a dormir,
Levantou-se e foi abrir
O grande portal dourado.

-"Estas caras, descaradas,
Que fazem a esta hora?
A Terra queixou-se agora
De violentas trovoadas!...

Já tão tarde, é uma hora,
Vamos já para a caminha,
E amanhã de manhãzinha
Direi a Nossa Senhora"!

Fátima Carrapa


Termino com uma receita muito fácil, para Principiantes e não só .

ARROZ DE BERBIGÃO

1kg de berbigão (muito fresco)
1 chávena almoçadeira de arroz carolino
2 1/2 chávenas de líquido da abertura dos berbigões
1 cebola peq.
2 dentes de alho picados
2 colheres de sopa de azeite virgem
1 folha de louro (sem o veio central)
1 colher de sopa de concentrado de tomate (fac.)

Primeiro lavam-se muito bem os berbigões e põem-se num alguidar cobertos com água e uma boa mão cheia de sal. Deixa-se no frigorífico de um dia para o outro.
No dia seguinte, lavam-se de novo para largarem toda a areia e levam-se ao lume num tacho ou frigideira cobertos com a tampa. De vez em quando mexe-se com a colher de pau, para que aqueçam todos por igual e abram bem.Quando todos estiverem abertos, retira-se o tacho do lume e deixa-se arrefecer um pouco.
Separam-se os berbigões e põem-se numa tigela. Coa-se o líquido que ficou com a ajuda de um paninho. Se não chegar para as duas chávenas e meia, acrescenta-se com água.

Num tacho, leva-se ao lume o azeite, a cebola e os alhos picados, a folha de louro e deixa-se refogar durante alguns minutos, sem deixar queimar. Acrescenta-se o concentrado de tomate e dissolve-se bem e juntam-se os berbigões.
Junta-se o líquido já medido e deixa-se ferver. Acrescenta-se o arroz e ao levantar fervura Tapa-se o tacho, baixa-se o lume para o mínimo e contam-se 13 minutos exactos. Findo este tempo, retira-se do lume.
Serve-se com uma boa salada mista.

Nota: - Esta medida dá para 4 ou 5 pessoas.
- Se for só para duas pessoas, basta 1 chávena de café (1 dl) de arroz para 3 chávenas de caldo. Fica um arroz malandrinho.
- Podem substituir-se os berbigões por camarões, mas fica mais caro.
- Se preferirem um arroz mais sequinho e solto, para uma medida de arroz usem duas medidas de caldo. Depois de feito usar um garfo para soltar os bagos.
- Cozinhem sempre o arroz em lume mínimo.

Bom fim de semana e beijnhos.

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

HOMENAGEM AOS MENINOS QUE NUNCA PUDERAM SER CRIANçAS

Ainda a propósito dos Lobos Maus que proliferam no nosso País...e do que andam a fazer às nossas Crianças!

A propósito do que vemos, ouvimos e lemos...e de se andar a deitar lama para cima das Crianças que foram abusadas, e de se tentar fazer crer que os abusadores, coitadinhos é que foram as vítimas...

A propósito de uma Justiça que tarda a fazer justiça...e que se deixa enredar em jogos pouco claros...deixando aparentemente estas Crianças mais desprotegidas e mais vulneráveis...

Aqui ficam duas pequenas poesias de homenagem aos Meninos que nunca puderam ser Crianças!...


MENINO DA RUA

Pobre garoto da rua!
Diz-me, por que vais tão triste?
O que é que no mundo viste?
O que tem a alma tua?

Esse olhar meigo e profundo
Que ora vejo raso de água,
Deve ter visto com mágoa
Toda a maldade do mundo!

Sentias fome de amor?
Tinhas sede de afeição?
Julgavam-te sem coração,
Nem viram a tua dor!

P`ra tornar menos escuro
O teu tão negro caminho,
Só pedias um carinho
Mas só te davam PÃO DURO!...


O MEU BIBE BRANCO

Onde está o bibe branco,
O bibinho de riscado
De que eu gostava tanto
E que trazia imaculado?

Onde está o coração
Pequenino que eu já tive,
Igual a flor em botão?
Terá ele ido co`o bibe?

E a minha alma branquinha,
Mais esse bibe que eu tinha
E também meu coração,

Ninguém mais os encontrou.
Não sei quem foi que os levou,
Mas sei que não voltarão!...


E como se aproxima um fim de semana que para muitos é de Férias de Carnaval, deixo-vos mais uma sobremesa simples, mas muito gulosa!

CREME AMERICANO

5 ovos
1 chávena almoçadeira (xícara) de açúcar branco
1 chávena almoçadeira (xícara) de leite
2 colheres de sopa de água

1 - Separe as gemas das claras.
2 - Bata as claras em castelo e no fim junte uma colher de sopa bem cheia de açúcar. Bata bem e reserve.
3 - Bata as gemas e misture-as com o leite. Reserve.
4 - Leve ao lume num tacho, o açúcar e a água, até obter um caramelo escuro, mas sem queimar.
5 - Baixa-se o lume e, com muito cuidado, vai-se juntando a pouco e pouco a mistura do leite com as gemas. A princípio vai borbulhar, daí o cuidado requerido. Aumenta-se então a chama e vai-se mexendo até diluir todo o açúcar no leite e ficar um creme de caramelo, mais ou menos consistente.
6 - Retira-se do lume e deita-se numa taça grande ou em tacinhas individuais.
7 - Cobre-se com as claras em castelo. Serve-se frio.

Notas: - Uma chávena almoçadeira equivale a 2dl (200ml).
- A função do açúcar nas claras em castelo é apenas para as segurar melhor.
- Se usar o saco de pasteleiro ou uma colher de sopa para cobrir o doce com as claras, a sobremesa fica muito mais valorizada.

Beijinhos

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

PEITO DE PERÚ ASSADO Â MINHA MODA

Hoje começo pela receita. Parece um pouco longa por causa dos ingredientes para o tempero, mas é muito fácil e fica uma delícia.
Na minha aldeia, de vez em quando aparecem javalis que derrubam as colheitas, foçam a terra e dão cabo das hortas e às vezes há batidas ao javali.
Quando me oferecem algum pedaço, tem de se deixar de molho num alguidar com água, sumo de laranja e fatias da mesma, folhas de louro, cravinhos, etc. A carne assim preparada fica sem o gosto forte do animal e mais macia. No dia seguinte parte-se e congela-se se for muita ou tempera-se se for para assar ou guisar na altura.

Embora eu goste de carne de perú, por vezes acho-a enjoativa e lembrei-me de o tratar como ao javali. E como todos apreciaram e pediram a receita, aqui vai :

Perú Assado da Tia Fátima

Banho:
1 lombo de perú, com 1 Kg
2 laranjas
4 folhas de louro (sem nervura do meio)
5 cravinhos da Índia
1 mão cheia de sal
água q.b.

Marinada:
3 dentes de alho grandes esmagados
1 colher de sobremesa de sal (ou a gosto)
1 dl de azeite
pimenta preta moída na hora
1 colher de café de pepitas de malagueta seca moída
tomilho ou salva em folhas secas, desfeitas com a ponta dos dedos
2 laranjas em sumo
2 dl de vinho branco (1 xícara)
2,5 dl de água quente ou caldo de carne

Preparação:
Com dois dias de antecedência, colocar num alguidar todos os ingredientes mencionados no banho. As laranjas são cortadas às rodelas e espremidas no momento de colocar na água. Deixa-se no frigorífico de um dia para o outro.
No dia seguinte, tira-se o lombo de perú para um pirex.
Numa tigela, deita-se o sal, os alhos espremidos, as folhas de louro sem nervura central partidas aos pedaços, o azeite, o sumo de laranja, os cravinhos, a pimenta preta, a malagueta e as folhas secas de tomilho ou salva. Faz-se uma papa e esfrega-se com ela o perú. Cobre-se com folha de alumínio e vai ao frigorífico de um dia para o outro.
No dia seguinte acrescenta-se a água ou caldo de carne e o vinho branco. Cobre-se de novo com a folha de alumínio e leva-se ao forno quente cerca de 1 hora e 30 minutos.
De vez em quando, vê-se se o molho é suficiente. Convém ter à mão água quente ou caldo, para poder acrescentar o molho se for necessário.
Ao fim da primeira hora, retira-se o papel de alumínio para que a carne fique corada, dourada por fora.
Para ver se está bem cozinhada, espeta-se um garfo. Se sair líquido, ainda não está pronta e deve ficar mais um pouco no forno. Tudo depende do tamanho da carne e da temperatura do forno.

Notas: - A água da minha aldeia é da serra da Guardunha, muito pura. É dessa que uso.

Este Perú Assado fica muito bem com o Arroz de Passas e Pinhões e com uma boa Salada Mista.
Espero que experimentem e depois digam como correu.
Beijinhos da
Tia Fátima = Bombom = Avó Fátima

ARROZ DOCE DA BEIRA ALTA

O Meu Estaminé está, finalmente, a ser decorado. O "Arquitécnico" responsável tardou um pouco devido aos afazeres, mas já dá para verem a nova "pintura das paredes". Em breve se iluminarão as montras! E talvez haja Festa de Inauguração (he,he)!

Na minha casa não era hábito fazer-se arroz doce. Às vezes, quando acompanhava alguma colega da Escola a sua casa, ofereciam-me um pratinho de arroz doce que tinha sobejado de alguma festita ou comemoração. Acho que só provei na primeira vez, pois o aspecto deslavado e seco não era nada apelativo.
Um dia, já casada, o marido disse-me que tinha saudades do arroz doce que a Mãe fazia e que era confeccionado só com leite. O problema é que a Mãe dele tinha falecido há muito tempo e eu não sabia a receita.
Nos livros só encontrava receitas em que se abria o arroz em pouca água, e só depois se adicionava o leite. Até que um dia falei à minha Mãe neste meu "problema".
Ela, em conversa com uma colega da Beira Alta, ficou a saber que havia uma receita antiga, em que o arroz doce era cozido só em leite. E ofereceu-ma.
Como fiquei aprovada logo "à primeira", nunca mais deixei de o fazer.

ARROZ DOCE (à Moda da Beira Alta)

1 litro de leite
1 chávena (xícara) de café de arroz carolino (sem lavar)
1 pau de canela
Vidrado de meia casca de limão
2 colheres de sopa de açúcar(ou a gosto)
3 gemas de ovos

Põe-se o leite ao lume com a casca de limão e o pau de canela. Quando ferver deita-se o arroz, mexe-se e deixa-se levantar fervura de novo. Reduz-se o lume para o mínimo e deixa-se cozer por cerca de 25 minutos, mexendo de vez em quando. Nessa altura incorpora-se o açúcar, mexe-se e deixa-se cozinhar por mais 10 ou 15 minutos.
Prova-se e se já estiver cozido, juntam-se as gemas batidas, mexendo cuidadosamente.
Retira-se do lume e deita-se numa travessa ou em pequenos pires e decora-se com canela em pó.

Notas - Deve ficar muito cremoso. Se ficar seco, pode-se ir juntando mais leite.
- Isto só acontece se o lume estiver demasiado quente.
- Dá para cerca de 8 tacinhas ou pires.

Beijinhos.
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

PSICOLOGIA DOS CONTOS DE FADAS E...

Antes de mais, quero prestar aqui uma singela homenagem ao autor da História do Capuchinho Verde e do Lobo Bom. Se a memória me não trai, ele escreveu muitas outras histórias e todos nós o conhecemos bem ou da Rádio, ou da TV. Júlio Isidro, com quem passámos tantas tardes de Domingo em Passeios Alegres! Ele que deu a mão e lançou tantos bons Artistas Portugueses. BEM HAJA!

Eu já calculava que ninguém gosta de lobos maus, nem de madrastas más, nem de bruxas. Nós só gostamos de fadas, príncipes e princesas, não é verdade? É normal.
Quando era pequena adorava ouvir contar histórias.
Depois do 25 de Abril, houve um período largo de grande contestação e lembro-me de ter lido nos jornais, uma crónica a "deitar abaixo" as Histórias Infantis Tradicionais, pelos motivos atrás mencionados.
Eu, como nunca embarco em teorias ditas "novas", nem sequer de Psicologia, sem estar documentada, calei este meu desacordo, mas não tinha bases para argumentar em contrário.
Uns anos depois, numa acção de Formação para Professores, ministrada por uma Professora de Psicologia da EMPL (Escola do Magistério), entre outros assuntos, lemos e debatemos, o livro PSICOLOGIA DOS CONTOS DE FADAS.
Já o procurei nas minhas estantes, mas não consegui encontrá-lo e não sei de cor o nome da autora.
E gostei de o estudar, porque ele mostra por que são tão importantes para o bom desenvolvimento da Criança.
É verdade que não há lobos maus, nem bruxas com vassouras, etc. Mas na vida, encontram-se muitos lobos maus encobertos e bruxos e bruxas más. Basta abrirmos os jornais diários. E todos os pais desejam que eles nunca vejam os seus filhos. E também sabemos que as crianças, muitas vezes são desobedientes, que o medo as faz mentir, etc.
É aqui que entram os contos de fadas. Com a História do Capuchinho Vermelho as crianças aprendem e nunca mais se esquecem, que se desobedecerem à mãe, podem sofrer o castigo que esse acto provoca (não a mãe): vem o lobo mau e come a avó.
Aqui ela sente medo (o castigo), mas vem logo o caçador que liberta a avó e acaba tudo em bem.
Também as histórias com uma madrasta má, servem de catarse para que as crianças se livrem de tensões familiares, que nem elas sabem explicar e que podem marcar negativamente a sua personalidade se não forem libertas.
É preferível transmitir todos estes valores através de histórias que as crianças nunca mais esquecem, a darmos-lhes grandes sermões e lições de moral que entram por um ouvido e saem por outro.

Como já "perdemos " muito tempo, vamos lá para a cozinha preparar uma sobremesa gulosa muito rápida para o jantar. A minha Mãe chamava-lhe


Baba de Moça

1 ovo
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de de sopa de água

Preparação: Bate-se o ovo com a batedeira, até ficar com a consistência de claras em castelo (amarelinhas).
Leva-se ao lume num tachinho a água e o açúcar até ferver bem. Junta-se o ovo batido e envolve-se cuidadosamente, mexendo até ferver. Retira-se imediatamente e deita-se em tacinhas individuais.

Notas:
- dá para cerca de 3 ou 4 tacinhas.

Boa semana. Beijinhos.

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

O CAPUCHINHO VERDE - cont.

Depois de uma caminhada entre árvores e flores, chegaram a casa da avó. Como ela tinha saído e a porta estava aberta, entraram e ficaram à espera que ela regressasse. O lobo, como estava muito cansado, deitou-se ao comprido sobre a cama da avó. Foi quando o capuchinho lhe disse:

Capuchinho Verde:"Tu não és a minha avó
nem te estás a mascarar."

Lobo Bom..."Pois não, eu sou um lobo
cansado e a descansar.

Capuchinho Verde:"És um lobo, um bom lobo,
E a minha avó é minha avó
Se a minha avó fosse um lobo
Já não era a minha avó".

Foi então que a avó chegou. Quando viu a neta e o lobo, ficou muito satisfeita pela visita e, mais estranho ainda, a avó quis ir com eles para o bosque.

Coro:"Mas qual será a razão
desta estranha decisão?
A avó vai para a floresta
em vez de ir dormir a sesta!

Tudo tem uma razão,
mesmo quando é de estranhar;
aqui somos amigos,
vamos todos festejar".

E assim acaba a história do Capuchinho Verde, da sua avó e do lobo bom.
E, já agora, aqui vai um conselho: quando passearem por um bosque, cantem sempre uma cantiga porque quem canta, lobos maus espanta ou...lobos bons encontra.

FIM


Espero que tenham gostado. Depois de ler, podem fazer teatrinhos baseados nesta história. Só falta a música, mas não sei metê-la aqui!...

Bom fim de semana. Beijinhos da

Tia Fátima = Bombom = Avó Fátima

O CAPUCHINHO VERDE E O LOBO BOM

No tempo da minha infância, havia um Programa de Rádio na antiga Emissora Nacional, dedicado às Crianças. Chamava-se EMISSÃO INFANTIL. Alguém se lembra?
Todas as sextas-feiras, ao fim da tarde, acho que cerca das 18 horas (já não sei bem), era ver a garotada toda em frente à telefonia, para ouvir mais uma história.
Como hoje é sexta-feira, aqui fica uma história, oferta da Tia Fátima, na Secção Infantil de O Meu Estaminé.
Fui buscá-la a um disco editado em 1978 pelo Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, chamado VIVA A PEQUENADA.
A canção foi escrita por Júlio Izidro, que todos conhecem da Rádio e da TV, segundo uma ideia de Maria de Lurdes Branco e tem música de Carlos Alberto Moniz.


CAPUCHINHO VERDE

Vou contar-vos a história do Capuchinho Verde que é uma história de pasmar e de ...pernas para o ar!

Havia uma menina a quem chamavam o Capuchinho Verde, que morava numa casinha branca dum bosque. Esta menina também tinha uma avó mas, nunca lhe tinha ido levar a merenda porque a avó não estava doente e a passarada lá do bosque que sabia isso, cantava:
"Capuchinho Verde , não leves a merenda à avó
isso é de outra história, com um lobo e uma menina só!"

Capuchinho Verde: "Estou bem aqui à janela
p`ra ver o lobo passar.
Como este é meu amigo
Com ele vou rir e brincar."

E a passarada concordou:
"Capuchinho Verde, amigos não te faltam aqui.
Passeias no bosque, sem perigos nem sustos p`ra ti."

Nisto apareceu o lobo, simpático, sorridente e até, calculem, cantador:
Lobo Bom:..."Lá, lá, lá,......
Eu sou o Lobo Bom, bom, bom......
que gosta de crianças e que canta neste tom.
Hoje estou contente,
P`ra mim é sempre festa.
Gosto de cantar muitas canções
e mais esta!"

Como estava um dia muito bonito, o nosso amigo lobo, resolveu convidar o Capuchinho Verde para um passeio:
"Capuchinho Verde, queres vir comigo a casa da avó?"

Capuchinho Verde:"Mas que boa ideia,
ir bosque fora a cantar;
contigo não tenho medo
de a casa da avó não chegar".

E lá foram. O lobo deu a pata à menina e recomeçou a cantar, enquanto caminhavam:
Lobo Bom..."Lá, lá, lá,...
Eu sou o lobo bom, bom, bom....
que gosta de crianças e que canta neste tom.
Hoje estou contente,
p`ra mim é sempre festa.
Gosto de cantar muitas canções
e mais esta!

(Continua já de seguida).

A MINHA PROFESSORA DE INSTRUçAO PRIMÁRIA....E REBUçADOS CASEIROS

Começo por pedir desculpa por causa de os ç irem escritos com letra minúscula, mas ou o defeito é meu, ou o meu computador que é estrangeiro, se recusa a deixar-me escrever em português. Como eu sou muito teimosa, segundo diz o Provador Oficial do Estaminé (mas não há um teimoso sozinho, he,he), um reles computador "não me levará a melhor"!

A minha Professora de Instrução Primária ainda é viva e devo-lhe quase tudo o que sei! Fez 94 anos em Janeiro e estive com ela.
Trabalhava na Escola Feminina do Bairro da Boa Vista que já não existe, onde era Directora.
Era um bairro social da Câmara Municipal de Lisboa, construído provisoriamente (mas que ficou definitivo por muitos anos) com casas de lusalite e o edifício da Escola não fugia à regra. Hoje sabemos que este material é altamente cancerígeno, mas nessa altura não se sabia.Ou, se o sabiam, calaram-se bem calados.
Era o tempo do lápis azul e da Censura. Lembram-se?
Os moradores do Bairro eram varredores da CML e as mulheres eram, ou varinas ou vendedoras ambulantes. Como calculam, o ambiente na minha Escola não era muito fácil, além de que havia muitas crianças desprotegidas e em risco. Lembro-me de haver para aí umas doze ou treze Professoras.
Com Ela aprendi a ler, escrever, contar, fazer problemas, cantar, costurar (sim, nessa altura fazia parte do Programa!), eu sei lá, de tudo um pouco!
O bairro onde eu vivia ficava a cerca de 2 Km e eu e mais garotos íamos todas as manhãs com ela para a Escola.
Depois das aulas ela ia almoçar a casa, e à tarde ainda dava explicações. Muitas vezes era chamada para Presidente do Júri, nos exames.
Tinha uma vida difícil porque na altura (se fosse só nessa altura!) os Professores ganhavam pouco. Ainda por cima, como tinha muitos filhos, volta e meia lá tinha de ir a correr ao Hospital com algum de cabeça partida ou a deitar sangue sem parar, pelo nariz.
Mas era Professora e Mãe para todos os alunos e exigia a todos por igual!

OBRIGADA, MÃE, porque tudo o que sei da Vida a TI o devo!

Um beijinho no teu coração! Ia dizer um bombom, porque sei que gostas, mas aprendi esta expressão com as Amigas Brasileiras e acho-a tão doce, que ta ofereço. Quando aí for visitar-te levo-te uma caixa inteira!



Agora vamos para a Cozinha! A Tia Fátima, não queria que eu pusesse aqui esta receita, por ser tão simplória, mas eu adorava estes rebuçados que a minha Mãe fazia "à pressão" para mimar os filhotes que eram 9 e não havia dinheiro de sobra para mimos! Sim, que na altura - anos 50 - não havia financiadoras, nem cartões armadilhados a acenar com dinheiro que não temos e que depois ...pagamos" com língua de palmo".
As medidas são aleatórias, ou seja, cada um toma as que quer. Para começar, unte com um pouco de óleo a pedra do balcão da cozinha.

Rebuçados Caseiros

1 tigela média com água fria
1 chávena (xícara) de açúcar amarelo (pode ser branco mas é mais caro e menos saudável)
0,5 dl de água (50 ml)
1 tachinho

Reserve por perto a tigela de água fria.
Deite no tachinho o açúcar e a água, mexa e leve ao lume até ferver.
Quando começa a ficar loirinho e em caramelo apaga-se o lume.
Deitam-se colheradas de caramelo dentro da tigela com água que se reservou.
Ao arrefecer vai borbulhar e pode ficar com feitios. Retiram-se logo com a ajuda de um garfo ou espátula, e vão-se colocando em cima da pedra untada.


Notas:
- Talvez possam ser embrulhadas em papel celofane, mas lá em casa nem dava tempo, que as "marabuntas" não deixavam!
- Acho que esta receita não se deve guardar. Para isso devia secar primeiro e eu nunca experimentei.
- Se quiserem aprender mais e muito melhor, vão ao "flagrantedelicia" que é um Espectáculo! Não se vão arrepender. Ah! E vão juntando as economias (dos cafés, dos cigarros, dos autocarros), porque faz muito bem andar a pé. Dentro de pouco tempo vai sair um Livro de Receitas da Leonor e eu já tenho "água na boca"!

Beijinhos caramelizados da

Bombom = Avó Fátima = Tia Fátima

P.S. (post-scriptum...nada de confusões, he,he)! Já perceberam por que é que só deixei a Tia Fátima, por castigo, assinar no fim? (He,he)! Porque ela não queria deixar-me dar-vos esta receita, por ser tão comezinha! Eu acho que "em tempo de guerra não se limpam armas" ou será que já não estamos em crise?
Bjs.

REQUIEM ...MUITA LUZ E PAZ...

Ontem à noite, em frente à TV onde pouco me sento desde que o Pai do Céu desligou o meu som estereofónico, mas onde "bebo" àvidamente todas as legendas, mal podia acreditar!!!...Morreu a ROSA LOBATO DE FARIA !...
Não era das minhas relações, talvez tão pouco das vossas, mas toda a gente a conhecia: dos Poemas das Canções que ganharam Festivais da Canção, dos outros Poemas, dos Romances, dos Contos, dos Teatros e Telenovelas onde tão bem representou, eu sei lá!...
Acho até, que também foi Professora, mas não tenho a certeza.
Deve ter sofrido muito. Como disse a nossa Amiga Natércia do "fielaotacho", "só as Pessoas Boas é que sofrem desta doença"!...

Também no passado dia 28 de Dezembro, fez um ano que outro Anjo, esse da blogosfera, subiu ao Céu.
Lembram-se da Nanda de "ocantinhodananda"?
O choque que foi, de repente, saber que não mais voltaríamos a tê-la todas as manhãs a dar-nos os Bons Dias, nem viria abrir a sua janela de par em par, para nos mostrar com pormenor, todas as maravilhas da Natureza que, com a pressa, nem vemos! E a blogosfera chorou, como eu, a perda de uma tão Grande Amiga que era tão Mulher, Esposa, Mãe, Filha, Cunhada, Prima, Amiga Dedicada.

PAZ E LUZ para vos iluminar o caminho até à Eternidade! Até já...

E porque acredito que há mais duas Estrelas no Céu, ou mais dois Anjos a brincar nas núvens, aqui deixo em jeito de Homenagem, estes simples e despretenciosos versos.
Quem sabe se a Rosa e a Nanda ainda se vão mascarar e neste Carnaval, dramatizar o meu poema? Isso é que eu gostava de ver daqui, AMIGAS!



P´ra no Céu poder brincar
Gostava de ser Anjinho
E um dia, de reizinho
Me queria mascarar.

Oh! Se o Mundo fosse meu!
Com rendinhas de luar,
Forrado a espuma do mar,
Faria um manto de Céu!...

O ceptro, um raio de luz.
A coroa, essa, de estrelas
Brilhantes, grandes e belas,
Igualzinha à de Jesus!

Com ELE iria reinar.
O Espaço percorreria
Numa louca correria
P`ra co'as estrelas brincar.

Com ELE iria aprender
A esquecer e a perdoar,
A sorrir e a amar
Os que me fazem sofrer...

Beijinhos tristes... mas alegres porque no fundo, para mim, os Anjos não morrem!...

Tia Fátima = Avó Fátima = Bombom

HÁ GUERRA NA CAPOEIRA...E ...ARROZ DE PASSAS E PINHÕES

Não vos digo nem vos conto! Hoje ia havendo "guerra na capoeira"! (Quem se lembra deste poema do Livro da Segunda Classe)?
É que a Tia Fátima deu um "chá" à Bombom. Porque tanto "He,he" nos textos desfeia o bom aspecto que estes devem ter; porque pode parecer tolinha, sempre a rir a toda a hora...Bem, o que foste dizer! A Bombom não gostou mesmo nada, e disse-lhe que para tristonha e macambúzia, bastava ela, que às vezes até parecia "bota de elástico"! Disse-lhe também que não se importava nada com essas críticas, porque já há muitos anos que não se ria assim. Portanto, podia fazer-lhe muitas outras vontades, mas esta não!

_ E digam lá se não tenho razão. Sempre gostei de escrever e há 40 e tal anos que o não fazia, assim, para me divertir. Agora que redescobri de novo o gosto pela escrita e o prazer de comunicar, não me posso rir quando quiser? A outra chamada de atenção foi por causa de eu pôr tantas aspas a cada passo! Aí tive de lhe dar razão pela crítica, mas tem uma justificação que eu ainda não tinha revelado e tem a ver com o facto de se dizer que "a Língua Portuguesa é muito traiçoeira".
Mas isso fica para outro dia.

Então as duas, assim como meninas da Escola e já mais bem comportadas, fizeram as pazes e foram arrumar o Estaminé...


Já devem ter reparado que este Estaminé, não é como os outros. Foi pensado como um espaço de partilha da minha experiência, na expectativa de ser útil a alguém, sobretudo à Juventude ( à malta jovem): aos meus Sobrinhos e Nètinhos cá de casa, e a todos os outros que quiserem por aqui passar.
E porque sempre fui, tal como todas vós, Mulher, Esposa, Mãe, Profissional, Trabalhadora fora e dentro de casa, Gestora sem ordenado e sem Horário de Trabalho nem Gratificações...sei o que custa gerir todas estas atribuições.
E se a minha experiência servir para vos "aliviar a carga", ficarei muito satisfeita e não darei o tempo como perdido!
Quanto às Receitas de Culinária, já deu para ver que aqui não se faz concorrência a ninguém. Procuro que sejam rápidas e simples. Se quiserem alguma em especial, digam, mas encontram tudo do bom e do melhor nas Cozinhas das minhas Amigas Blogueiras!
E vamos lá para a cozinha que vai sair um prato salgado para desenjoar. Estava pedido desde o dia em que foi inaugurado o Meu Estaminé. Trata-se de uma receita muito simples mas requintada, tirada da revista Tele-culinária e elaborada pelo Chefe Silva para o Natal de 1976. Cá em casa "sai" sempre nas Festas e às vezes até parece que já lhe mudaram o nome para "arroz da Tia Fátima".


ARROZ DE PASSAS E PINHÕES

Ingredientes:
60g de margarina
2 colheres de sopa de óleo
1 cebola grande
250g de arroz
1/2 litro de caldo de carne a ferver
100g de uvas passas sultanas brancas, (escolhidas e lavadas)
50g de miolo de pinhões
raminhos de salsa fresca para decorar
sal q.b.

Junte num tacho, a margarina e o óleo. Acrescente a cebola cortada em meias luas fininhas. Leve ao lume a refogar até alourar e ficar transparente. Mexa de vez em quando.
Junte o arroz e vá mexendo bem, com a colher de pau, até ficar bem aquecido. Adicione então o caldo ou água a ferver. Rectifique de sal e deixe levantar fervura. Leve ao forno durante 15 minutos. Passado esse tempo, tire do forno, mexa-o com um garfo e misture nele as passas e os pinhões.
Tape e deixe repousar mais uns minutos. Sirva decorado com raminhos de salsa.

Notas:
- Para esta receita, uso arroz agulha.
- Para o caldo, uso água a ferver e 1 cubo de caldo de carne.
- Fica um arroz solto e muito gostoso.
- Como sou "muito criativa", ( está melhor assim, Isabel? He,he) vou dar-vos a versão da Tia Fátima (Avó Fátima): Não vai ao forno! Quando levanta fervura, tapo e deixo ferver em lume brando por 12 minutos. Passado esse tempo...faço tudo igual.
- Se o tacho tem fundo duplo (grosso) e não for para servir logo, (às vezes é para levar para outra casa),só ferve 9 minutos, junto as passas e os pinhões, embrulho em bastantes folhas de jornal para conservar a temperatura e ir acabando de cozer.

Ressalvo a palavra "aldrabona" ! Lembram-se? (He,he).
E agora deixo-vos aqui um segredo da Tia Fátima: ela não está a ouvir porque anda a preparar uma Emissão Infantil para sexta-feira, na Biblioteca Infantil do Estaminé!
Não digam a ninguém!

Beijinhos e portem-se bem!

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

REQUEIJÃO...E A PRIMEIRA RECLAMAçÃO

REQUEIJÃO

1 litro de soro (que escorreu dos queijinhos frescos)
2 dl de leite do dia (1 xícara = cháv. almoçadeira = 200ml)
1/2 colh. de café de coalho
1/2 copo de água (1 dl)

Utensílios:
Passador de rede (coador)
1 cestinho para requeijão sobre um pires ou tacinha funda
1 dl de água
1 rapador de borracha (mais conhecido entre nós, da Velha Guarda, por salazar = substantivo comum/ referido a um objecto).

Coloque num tacho o soro, o leite e o coalho e leve ao lume até ferver.
Junte imediatamente meio copo de água para os "farrapinhos" começarem a vir ao de cima e logo em seguida, comece a retirá-los com uma escumadeira (eu uso o passador de rede).
Vá deitando nos cestinhos; por fim, escorra o soro e deite fora e rape os bordos e o fundo do tacho. ("Migalhas também é pão" e " No poupar é que está o ganho").
Deixe arrefecer no frigorífico (geladeira) por exemplo, e estão prontos a comer.
Dá para 2 requeijões.

Notas:
- Receita adaptada da Tele-culinária n°220 (1981)
- Medidas exactas do Chefe Silva: - Soro resultante do queijinho feito com 2,5 litros de leite do dia; meio litro de leite do dia; 1/2 colh. de café de coalho em pó; meio copo de água.
- Como viram, a "minha receita" é para meia dose ou seja, 1 requeijão.
- Basta ir guardando no frigorífico, em tacho tapado, o soro de 2 doses de Queijinho.


Como viram, hoje a receita vai primeiro. Estava com receio que acontecesse o mesmo que com os queijinhos, que ficou muito longa...

( Work-shopping de Gramática: Reparem na palavra "acontecesse". Todas as palavras terminadas em "-esse" são escritas sem hífen (tracinho ao meio).
Esta secção está reservada apenas àquela geração que não teve culpa nenhuma que os Iluminados da Educação que (des)fazem os Programas da Nossa Escola, tivessem retirado tudo o que era mais importante para sabermos falar bem e dignificar a Língua Portuguesa).
O mais dramático ainda, é que acusam os Professores, de serem eles os causadores!
Quem não precisar ou não gostar desta secção, é só passar à frente, he,he:)

Ontem fui almoçar à Tasca da Elvira o "elvirabistrot". Digo-vos que é um "restaurante" de 5*****. O almoço foi Tachinho de Legumes Aromáticos, um prato vegetariano muito gostoso e perfumado. Claro que, como sou muito aldrabona quando estou na cozinha, e tinha um resto de carne assada, fiz um acrescentozito, mas nada de importante, 2 fatias de carne no fim da cozedura. O melhor foi que o Provador Oficial do Meu Estaminé me fez tais elogios e me pôs no Quadro de Honra; e eu senti-me no dever de partilhar convosco esta notícia. PARABÉNS ELVIRA!

Também recebi do "cozinharcomosanjos" a primeira participação para o desafio que lancei com os TABEFES. Podem confirmar como está catita no blog da Isabel. Obrigada Amiga! E fico à espera de mais participações (fotos) até sexta-feira.

Tenho posto as referências aos blogs de modo a que, se puserem atrás www. e à frente .blogspot.com entram lá mais depressa.

Recebi a primeira reclamação que entrou no Meu Estaminé, he,he!!!
Ontem, à meia-noite via SKIPE, devido à diferença horária entre Portugal e o sul da Califórnia. E veio da minha Nètinha. (Qualquer dia vem outra de alguma Professora por eu ainda usar acentos tónicos, e me recusar a aderir ao Novo Acordo Ortográfico, he, he).
Está a fazer-lhe confusão o "Receitas da Tia Fátima", porque ela não tem nem conhece nenhuma Tia Fátima. Só a Avó Fátima! Para ela, o meu recado: isto é quase Matemática Moderna, minha querida!
Tia Fátima = Bombom = Avó Fátima
É tudo a mesma coisa, num Jogo de Faz de Conta!

Cerejinha - Em resposta à tua pergunta, o Xarope de Limão pode usar-se, sim, noutras aplicações. Só que, como é muito doce (concentrado), é preciso cautela ao dosear. Mas podes besuntar as Panquecas, enxaropar Bolos, derramar sobre os Gelados e o mais que a tua experiência e imaginação ditar. Afinal a Chefe, és tu! (He,he).

Cinara - receitasdatiafatima é só a entrada para o Meu Estaminé. Aqui na blogosfera eu serei sempre a Bombom!

Obrigada a todos os que passaram por aqui.
Se precisarem de alguma coisa, têm o meu e-mail.
Beijinhos
Tia Fátima, Bombom, (Avó Fátima)