A CABRINHA E A MINHA CHUPETA...E UMA DELÍCIA DE AMÊNDOA

sábado, fevereiro 20, 2010

Não sei se sabem, mas nasci no "meio" da Segunda Guerra Mundial, em 1943. Fui a segunda (o J. já tinha nascido) e em 1945 nasceu o meu irmão H.
Desse tempo recordo-me da dificuldade que havia em se arranjar leite. Nós tínhamos uma Leiteira que vinha todos os dias à tardinha trazer o leite lá a casa, mas ela arranjava muito pouco para as necessidades de tantos garotos.
Então os meus pais compraram uma cabrinha e, como tínhamos quintal, ela estava bem acomodada. Era castanha e todos os dias a minha tia Carolina a levava a pastar aos campos em volta. E nós, claro adorávamos fazer-lhe companhia.
Depois voltávamos , já com umas sacas de ervas para os coelhos e muito apetite para o almoço.

Eu já devia ter uns 4 anitos e ainda usava chupeta e lembro-me que faziam troça de mim por isso. Então deixei de a pedir durante o dia, mas à noite era demais: tinha de adormecer com ela! Até que um belo dia, a minha chupeta desapareceu...Já era noite e ninguém sabia da chupeta e eu queria ir dormir! Então alguém disse:
- A cabrinha comeu a chupeta!...
E eu acreditei. Coitadinha da cabrinha, ela não sabia o que fazia, não foi por mal...
E lá adormeci sem chupeta...para nunca mais!


Antigamente, nos Restaurantes aqui de Sintra, serviam à sobremesa um bolo muito agradável feito com amêndoa. Claro que ninguém dava a receita, mas eu resolvi experimentar à minha moda e ficou muito semelhante. É essa receita que vos deixo aqui hoje.

DELÍCIA DE AMÊNDOA

250g de amêndoas com pele, raladas finamente
200g de açúcar
6 ovos
1/2 litro de natas frescas (2 pacotes)
5 colheres de sopa de açúcar baunilhado
Raspas de chocolate negro

Batem-se os ovos com o açúcar, com a batedeira, até obter um creme grosso e esbranquiçado (10 minutos).
Junta-se a amêndoa a pouco e pouco, mexendo com cuidado de baixo para cima, envolvendo bem mas sem bater.
Forra-se uma forma com papel vegetal Glad (já está untado) e verte-se nela a massa.
Vai ao forno quente (180°) durante cerca de 30 a 35 minutos. Faz-se o teste do palito para ver se está cozido. Retira-se do forno, desenforma-se no prato de serviço e deixa-se arrefecer.
Entretanto prepara-se o chantilly batendo bem as natas com o açúcar baunilhado.
Depois do bolo estar frio abre-se ao meio e barra-se com parte do chantilly.
Coloca-se a outra metade e cobre-se com o resto do chantilly e leva-se ao frigorífico. Na hora de servir polvilha-se com raspas de chocolate.

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13 comentários

  1. Olá Bombon :)
    Já ouvi falar em passarinhos que vinham buscar as chupetas. Cabritinhas é mais original! E a ingenuidade das crianças em acreditar em tudo quanto se lhe conta é tocante!
    Quando tentar reproduzir esta delícia, terei de ter muito cuidado...não vá uma cabritinha querer devorá-la nas minhas costas he he he...
    beijinho grande.

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  2. Bombom,
    Acabei de fazer uma visita prolongada ao seu estaminé e como eu já esperava está cheio de boas histórias e receitas inspiradoras que prometem ser uma delícia.
    Que bom que agora posso passar por aqui e saber mais novidades sobre si e sobre a sua cozinha. Parabéns e já sabe que pode contar comigo para o que precisar.
    Bjs e um bom Domingo

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  3. Minha Querida, adorei a sua história do desmame da chupeta, engraçado que me fez lembrar o meu desmame que foi identico, não com uma cabrita, mas com um cão e a minha aconteceu mesmo.
    Ainda os carros electricos davam a volta em Alcantara e eu ia dentro de um com a chupeta na boca, como a janela ia aberta a chucha caíu-me da boca, no mesmo momento ía a passar um cão e lambeu-a, a partir desse dia deixei a chucha e dizia que o cão a tinha levado.
    OBRIGADO PELA RECEITA E POR DE VEZ EM QUADO ME DEDICAR UM TEMPINHO.

    Beijinhos ternurentos

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  4. Coitada da cabrita Fátima, leva a culpa até hoje!! Mas acho eu que foi sua mãe que deu um fim nela, e pos a culpa na bichinha!! Adorei a história. E o doce também! Beijão

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  5. Olá Fátima,

    Já me ri com a história da chupeda e cabrinha.Fez-me lembrar a história da minha filha. Tinha ela uns 2 anos quando o médico me disse que tinha que lhe começar a tirar a chucha. Ok, eu comecei por lhe dizer que as chuchas eram "caca". Bem, a filha um dia estando eu a passar a ferro na cozinha e com a janela aberta. A minha filha entreteu-se a mandar as chucas uma a uma pela janela. Na minha antiga casa em frente tinha uma paragem de camionetas. Eu só ouvia minha senhora, minha senhora, ok, não percebia que era comigo. Só me apercebi quando um pouco mais tarde fui estender roupa e vi no parapeito da janela da vizinha de baixo as chuchas da minha filha "estilo" em fila indiana como costumamos dizer. E eram sómente 18 chuchas, que eu tinha dentro dum Tupperware. Pois, ela tinha várias porque como eu não queria que se abitua-se a uma só, além que estava a minha mania que ela andasse com a chucha a condizer com a roupa. Qk, manias da mãe Isabel. Quando lhe perguntei porque fez aquilo? A filha respondeu-Que as chuchas eram "caca"então deitou fora.A partir desse dia nunca mais quiz chucha.

    Bem, agora em relação ao bolo! O que digo é brutal, pois conheço e muito bem. Apesar de nunca o ter feito com chantilly. Mas vou experimentar, pois a Fátima sabe como sou ligada aos sabores. Um muito obrigada por me recordar.

    Beijinhos com carinho mesmo

    Isabel de Miranda

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  6. Só mesmo tu pra me fazeres rir e o relato da Isabel com a "caca"!
    Gostei desta tua receita de bolo...parece divinal!
    Entao tens tirado bem partido dos teus tesouros?
    Aproveita-os ao maximo.
    Beijinhos

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  7. Querida Bombom
    Adorei saber um pouco mais sobre a tua vida. Minha sogra também nasceu nesta mesma época. Que benção essa cabrinha!

    Adorei a receita

    Um grande abraço
    Léia

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  8. Achei muita graça à história e ao momento em que foi contada. Os meus filhos (gémeos) fazem 4 anos em Abril e sim, ainda usavam (e abusavam) da chupeta. Este fim-de-semana eu e o pai decidimos pôr um ponto final nisso e inventámos a história que um ratinho tinha vindo buscar.... claro que como são meninos tecnológicos a meio da 1ª noite, a chorarem baba e ranho ainda pediram para o pai telefonar ao ratinho para trazer!.... ontem já não perguntaram pela dita.
    Babette

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  9. Olá! Vim agradecer e retribuir a visita ao meu cantinho e já me fez rir com a sua história da chupetinha! :) Partilhamos, além da culinária, o gosto por música clássica e por Beethoven, pois tenho formação em piano e adoro Beethoven! Adorei o seu espaço e já sigo! bjinhos!

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  10. Ha ha, eu deitei a minha ao fogão de lenha depois da minha mãe a ter enchido de pó de café :) Adorava ter uma cabrinha, são tão queridas!!!
    Esse bolo deve ficar um espectáculo, sem farinha ficam todos uma delícia!

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  11. Olá.
    Venho agradecer o comentário que deixaste no blog (espero que nao te importes que te te trate por tu. Mas eu trato a minha avó por tu e gosta tanto dela!!) e conhecer o teu estaminé! Estou deliciada com as histórias e com as receitas :)

    Aquele comentário aqueceu-me o coração...muito mesmo. Obrigada do fundo do coração.

    Um beijinho grande.

    AB

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  12. Querida Bombom
    Adorei a estoria da Cabrinha! Quando for hora da minha filha deixar a chucha, vou tentar usar o "truque"!;)
    realmente, este bolo e muito parecido com o que fiz, com a unica diferenca de levar sumo de laranja. Hei-de experimentar esta sua receita! ;)
    Beijinhos
    Sofia

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