ANTIGO QUARTEL DE CAVALARIA DE CASTELO BRANCO

                                                    Licenciamento

Há já algum tempo que queria mostrar-vos estes painéis de azulejo, mas o meu "amigo"  (de Peniche) Blogger.com, virava-me as fotos ao contrário. Cheguei a metê-las ao contrário para ver se saíam direitas, mas qual?! Ficavam viradas para o outro lado... e desisti. Hoje voltei a tentar e já deu certo. Se é para isto que eles andam sempre com mudanças, mais valia estarem quietos!
Mas vamos ao que interessa e perdoem-me o desabafo.

                                          Incorporação

Um dos acessos ( e até há pouco tempo o único) à Biblioteca de Castelo Branco é a antiga entrada para o Quartel Militar de Cavalaria, que fica junto da principal praça da Cidade, a Devesa.
Este Quartel foi desactivado há uns anos e os edifícios que o compunham foram aproveitados para Serviços. Num deles funcionou a RTP Centro, que hoje já não existe mais...

                                         Juramento de Bandeira

Quando estamos na aldeia, todas as semanas vamos à Biblioteca buscar e entregar livros. E sempre que passo por aquele portal e vejo os Quadros de Azulejo, me lembro do meu sogro que há muitos anos atrás, em 1929, por ali passou.

                              Limpeza dos Solípedes (Cavalos)

Muitas das histórias que nos contou, estão ali assinaladas, "fotografadas", quase reais!...

                                                    Teoria

Aqui fica a minha singela Homenagem,

                                            Posto à Cossaca

a todos os Militares que passaram


                                                 Marcha de Guerra

pelo Quartel de Cavalaria

                                                  Volteio

da cidade de Castelo Branco.
Tenham uma boa semana!
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

ANTIGUIDADES, OU VELHARIAS?


Alguém sabe que utensílio é este, aqui no meio da foto que vos mostro hoje?
Reparem bem: É feito em ferro, tem uma haste comprida, duas argolas e um gancho. Nesse gancho, em baixo, está colocado um peso. Não sei quanto pesa! Imperdoável, porque já ali está há alguns anos...
Pois é. Uma Balança Romana!
Para estar operacional, o peso devia estar colocado numa das argolas.
No gancho penduraríamos a rês que ia ser pesada.
Se o cabrito ou o porco a pesar tivesse 50 kg, só precisávamos de um peso de 5 kg. Essa era a vantagem das balanças romanas.
Esta era usada nos Mercados e nos Talhos. Hoje, já aposentada do seu trabalho, serve de decoração na minha casa da aldeia.

 Este é um prato da antiga Fábrica de Sacavém, que era do tempo dos meus sogros.
Eu nunca gostei de velharias, que achava uma tralha, coisa de velhotes...
A verdade é que com o tempo, passei a apreciar os objectos que nos trazem recordações.
Passei a estimá-los pelas suas memórias, pelas histórias que nos podem contar.
E isso quer dizer apenas que estou a ficar velhota mesmo!
A propósito: alguém se recorda deste serviço?


Esta pergunta é só para as "raparigas da minha idade" (he,he)!
Na casa da minha infância havia um serviço completo que se foi partindo com o uso (e o desuso) de uma família bem numerosa e,  reduzido a cacos, serviu de baixela para muitas brincadeiras no quintal, aos jantarinhos.
Muitos anos mais tarde, fui encontrar esta recordação lá na casa da aldeia e guardo-a religiosamente.
Ainda existe outra, mas sem o pires, para grande pena minha.
E por hoje, chega de Antiguidades. Para isso, já basto eu, he,he!
Beijinhos para todos os visitantes e amigos.

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

LEMBRANçAS SIMPLES E PERFUMADAS

O Natal está à porta e o fim do Ano já se antevê...
Para os Cristãos, o Presépio tem mais significado do que a Árvore de Natal, mas a verdade é que para a maioria de nós, não há Natal sem pensarmos em presentes. É a Criança que há em nós e eu acho isso saudável, desde que sejamos sensatos!
O difícil nesta época de grande consumismo e até de ostentação, é sabermos distinguir entre um presente caro e uma lembrança simples mas carregada de afecto.

Até aos 10 anos, em minha casa sempre se fez o Presépio. Íamos buscar musgo e pedras e fazíamos os montes e vales sobre uma mesa. Colocávamos as figurinhas tradicionais, fazíamos riachos com as "pratas" dos chocolates e o lago dos patinhos com um espelho.
Na véspera de Natal fazíamos a Consoada e ao jantar havia bacalhau com batatas e couves. Depois vinham as sobremesas que ainda hoje me fazem água na boca, só de pensar nelas! Bilharacos, as filhoses de abóbora à moda da terra do meu Pai (Veiros, Estarreja), feitas pela Tia Carolina (sua irmã). Os Sonhos que a minha Mãe fazia e que ainda hoje me fazem sonhar, envoltos numa calda aromática de açúcar, casca de limão e vinho do Porto! E o Bolo Rei que tinha sempre uma fava e um brinde escondido!
Depois tínhamos pela frente meia hora a pé para ir a Benfica assistir à Missa do Galo.
Entretanto já tínhamos deixado os sapatinhos junto ao Presépio, para ver se o Menino Jesus lá deixava algum presente...E quando regressávamos era uma alegria ver aquela garotada toda eufórica a abrir, cada um o seu presentinho de Natal!

Hoje trago-vos umas Lembranças Perfumadas, fáceis de confeccionar e pouco dispendiosas. São as almofadinhas e os saquinhos de Alfazema que todas nós gostamos de ter nos armários e nas gavetas da roupa.

 Estas foram feitas com os restos dos sacos de guarda-chuvas que se avariaram.
Vamos precisar de 10cm de tecido fino ou serapilheira se gostarem de um estilo mais rústico (e muito barato).
1 pacote de sementinhas de alfazema
1 frasquinho de essência de alfazema (lojas chinesas)
10 cm de drakalon fino


Ontem, quando me lembrei de vos falar nisto já estava a acabar o meu trabalho e o frasco das sementinhas já estava no fim!...
Num frasco de boca larga ponho as sementinhas. Junto umas gotas de essência de alfazema para manter o aroma por mais tempo e mexo com uma colher. Fecho bem o frasco, hermèticamente.
Corto o drakalon (aquela espuma fininha para forros e enxumaços que está do lado esquerdo) em quadrados de cerca de 8cm.
Num pedaço de cartolina de uma caixa velha cortem um quadrado de 9cm de lado, para molde.
Cortem quadrados de tecido e cozam em 3 lados. Virem do lado direito da costura e preparem o enchimento: no meio do quadrado de drakalon deita-se 1 ou 2 colheres de chá de alfazema e fecha-se pelas 4 pontas, apertando bem e introduz-se dentro do saquinho. Fecha-se com ponto de alinhavo ou ponto atrás.


Na imagem podem ver um saquinho feito em fita larga para ponto de cruz com monograma e outro feito com serapilheira ou estopa. Fazem o molde do tamanho que quiserem, dando margem para a baínha do saco.
Este foi feito com uma sobra e mede 12cm de comprimento e 8cm de largura.
As fitas podem ser de cetim, ou fio dourado. Se gostarem, podem enfeitar a abertura do saco com uma renda simples e fininha.
Uma boa semana para todos os que me visitarem.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

UMA CASA DE CAMPO E BISCOITOS DA AVÓ CRISTINA

                                                             A minha Aldeia.

A minha aldeia é igual a todas as outras. Um conjunto de casas, muitas já desabitadas, uma Capela e uma Escola desactivada há muitos anos...
Fica entre as Serras de Guardunha e de Muradal. A que se vê na imagem é a Guardunha.
Hoje, não sei porquê, teimam em chamar-lhe Gardunha. Quando andávamos na escola "de antigamente", chamava-se Guarda à cidade da "Guarda" e Guardunha à Serra que acolhe a Guarda. Hoje se lá forem vêem escrito à beira dos Túneis...Gardunha. (Uma gardUnhada lhes dava eu se pudesse!)
A terra é pobre, de xisto argiloso e muito pedregosa. A agricultura, de subsistência, é penosa e dura. Só à força de muito trabalho se consegue o Pão de cada dia. Por isso, as suas gentes emigraram e só ficaram os velhos. Os casais novos contam-se pelos dedos de uma mão!
São os custos da interioridade, dizem os políticos....mas não dizem que somos nós todos que pagamos os custos. Mas, adiante.
Outrora foram terras de centeio e olivais. Depois veio o pinhal que sempre trazia o rendimento da rezina.
Em 2003 vieram os grandes incêndios que assustaram as populações e lhes devoraram o pinhal e as oliveiras.
Eu estava lá e vi! A dor de ficar sem os pinheiros, a sua "fortuna" que quando havia casamento ou doença, servia de moeda de troca.
A dor de ficar sem as oliveiras, o último rendimento...sem as árvores fruteiras ou as hortinhas, o seu pão.
E o tempo passou, a natureza renovou-se, as pessoas voltaram ao trabalho. E tudo voltou a florir!


Uma vista das traseiras da nossa casa. Por detrás da chaminé vê-se a nespereira.


As nêsperas e as cerejas do ano que passou.


Agora, como são horas de lanchar, deixo-vos aqui uma receita da Avó Cristina (a minha Mãe). São uns biscoitos simples e rápidos para quando não apetece ter muito trabalho (he,he)!

               BOLINHOS DA AVÓ CRISTINA
Ingredientes:
15 colh. de sopa de farinha
3 colh. sopa de açúcar
 6 colh. sopa de leite
1 colh. chá de margarina
1 colh. chá de fermento em pó (Royal)
1 colh. café de sal fino

Numa tigela, misturam-se todos os ingredientes. Forra-se um tabuleiro com papel vegetal (Glad).
Com a ajuda de uma colher de chá, põem-se pequenas porções de massa com cerca de 2 dedos de intervalo. Leva-se a cozer em forno médio durante cerca de 15 minutos, ou até ficarem loirinhos.


Um resto de boa semana! Bjs.

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

AVENTURAS OU DESVENTURAS NA COZINHA...CALDEIRADA DE ENGUIAS

O que eu me ri com o comentário da Isabel do blog COZINHAR COM OS ANJOS, só de imaginá-la garotinha, na cozinha, com as enguias a fugir por todos os lados!
Agora imaginem-me a mim, já senhora casada, numa cena daquelas, a clamar pelo marido para vir apanhar do chão e da bancada, as ditas que teimavam em contorcer-se, a ver se conseguiam fugir dali para fora...
Eu que nunca gostei de cobras nem de mexer em corpos viscosos, caí na patetice de comprar umas enguias para um almoço de sábado. Mas como a inexperiência era muita, julgava que era como o outro peixe, que era só amanhar e eu isso gostava de fazer. Só quando as despejei do saco para dentro do alguidar é que vi que vinham vivas!!! E teve de ser o marido a cortar-lhes a cabeça (acho que lhes agarrou com um pano) e só depois dessa tarefa é que eu as meti no tacho. Do resto já não me lembro, mas acho que as fiz de caldeirada. Foi a primeira e a última vez. A partir desta odisseia, quem quiser enguias tem de ir comê-las ao restaurante (he,he)!
Mas já que se falou de enguias, iroses ou eiroses, vou deixar aqui uma receita da Confraria de S. Gonçalo de Aveiro. Retirei-a do livro de Amílcar Malhó, intitulado CHEFE SILVA, O SENHOR TELECULINÁRIA, em homenagem aos seus 74 anos de vida intensa.
O Chefe Silva foi um dos meus Grandes Mestres quer através dos seus programas televisivos, quer com a revista Teleculinária que, a um preço reduzido e perfeitamente comportável pela bolsa parca dos ordenados de antigamente, se ia coleccionando semanalmente.

                CALDEIRADA DE ENGUIAS

2 cebolas
800g de batatas
1 kg de enguias
3 dentes de alho
1 ramo de salsa
1 folha de louro
1 dl de azeite
Água q.b. (2 ou 3 litros)
Açafrão em pó q.b.
Gengibre em pó q.b.
Sal e pimenta q.b.

"Atenção porque nem todas as enguias fazem boa caldeirada. Esta deve ter pelo menos 75% de brazinos
que são enguias de pele escura."

Amanhadas as enguias (peçam na peixaria), tira-se-lhes a galheira ou ranheta , lavando-as pelo menos em sete águas, ao mesmo tempo que se esfregam com as mãos e só com as mãos. A espinha das enguias também deve ser bem raspada com a unha.
Descasque e lave as batatas, as cebolas e os dentes de alho. Corte as batatas e as cebolas em rodelas e pique grosseiramente os alhos.
Num tacho fundo, disponha camadas alternadas de cebola, batatas e enguias. Junte-lhes os alhos, um ramo de salsa, o louro, o azeite, pimenta e água suficiente para a caldeirada e para a sopa. Leve a cozer em lume brando.
Quando estiver a ferver, retire a espuma que vier ao de cima. Tempere depois com sal e pó de enguia (açafrão e gengibre). Depois de apurada a caldeirada, tira-se a água para a sopa e para a moira.
A moira é feita num tacho à parte, juntando à água da caldeirada, vinagre e sal a gosto, com que se regam as enguias no prato de cada um.
A sopa de enguias é feita da água tirada da caldeirada, à qual se junta pão duro partido à mão, aos bocados. Junta-se um pouco de vinagre a gosto. O tempero desta sopa resulta dos ingredientes postos na caldeirada.

Beijinhos da

Bombom= Tia Fátima = Avó Fátima

BRINCANDO AOS JANTARINHOS...E GORAZ EM CAMA DE PRATA

Das imagens mais longínquas que tenho na memória, fazem parte as brincadeiras às cozinhas e aos cozinhados. No quintal apanhava pequenos cacos e logo arranjava uma baixela e com água e terra amassava "os comeres" . Depois, claro, havia "molho" mas era por me ter sujado toda, (he,he)!
Já mais crescidita, acompanhava a Tia Carolina às compras na Peixaria da Senhora Rosa.
Em bicos de pés já conseguia ver se nas caixas do peixe havia caranguejos ou peixinhos pequeninos, daqueles que vinham misturados e ninguém queria. E vai de pedir se a Sra Rosa mos dava! A Tia não gostava muito, mas eu vinha toda satisfeita com uma mão cheia de peixitos em miniatura para os jantarinhos!
Outras vezes era a minha mãe que me dava uns baguitos de arroz e umas massas, mais um pedacito de batata ou de cenoura a sério e era uma festa!
A primeira sopa que fiz devia ter uns oito ou nove anos. Na altura havia uns fogareiros de barro que funcionavam a carvão e onde se assavam as sardinhas. Tinham-me oferecido um, em tamanho mais pequeno, e eu acendi-o, pus-lhe uma panelita que a minha mãe me emprestou com água e uma batata a cozer e preparei uma mão cheia de feijão verde partido para a sopa. O pior é que aquilo nunca mais fervia! Acho que levou mais de uma hora, porque o tempo não passava, escorria... Por fim, consegui amassar a batata com um garfo e meti-lhe o feijão verde. Não me lembro nada de lhe ter posto cebola, que tanta falta faz nas sopas, mas pus-lhe um pouco de azeite e sal.
No fim daquela odisseia, dei-a a provar aos meus pais e ainda me lembro dos elogios que o meu Pai me deu!
Claro que fiquei contente, mas não me esqueço que me perguntava, como é que ele podia ter gostado daquela coisa horrível que só sabia a feijão verde cru!...

E já que falámos em peixes, vou dar-vos a receita do "Goraz em Cama de Prata". É uma receita da Teleculinária Especial da Páscoa de 1977 e é do Chefe Silva. Hoje chamam-lhe a "técnica do papelote" que é mais fino, mas vai tudo dar ao mesmo.
É uma receita muito simples, mas muito requintada e vistosa e tem a vantagem de conservar todo o aroma até ao momento de servir.

                  GORAZ EM CAMA DE PRATA

2 folhas de papel de alumínio 20 cm mais compridas que o peixe
1 folha de papel vegetal grande (onde possa embrulhar o peixe)
1 goraz com cerca de 1,200 kg
100g de margarina ou manteiga
1 cebola picada finamente
1 raminho de salsa picada
1 limão
sal, pimenta e noz moscada q.b.


Amanhe, lave e limpe muito bem o goraz. Dê-lhe um golpe ao longo do lombo e corte-lhe a cauda.
Tempere com o sumo de metade do limão, umas pedras de sal e pimenta.
Amoleça a margarina e amasse-a muito bem com a cebola e a salsa picadinhas, junte mais um pouco de sal, pimenta, noz moscada e sumo do meio limão restante. Faça uma espécie de papa e com ela barre o peixe de ambos os lados e por dentro da barriga.
Estenda sobre a mesa uma folha de papel de alumínio, sobreponha-lhe a folha de papel vegetal e sobre esta coloque o peixe.
Embrulhe-o no papel vegetal de modo a ficar um pouco folgado e tendo cuidado para as "arestas" do peixe
não furarem o papel; se tal acontecer, arranje outro papel vegetal.
Coloque-lhe por cima a outra folha de papel de alumínio. Una primeiro os lados das duas folhas, um com o outro. Aperte muito bem nas pontas, dando-lhe o feitio de um barquinho. Deve ter o máximo cuidado para que o papel de alumínio não seja furado e fique bem apertado, para abafar o peixe.
Com jeito para não rebentar nenhum papel, coloque-o num tabuleiro e leve a assar em forno quente durante 15 a 20 minutos. Sirva bem quente, levando o próprio tabuleiro à mesa, sobre qualquer resguardo. Nesse momento, com uma tesoura dê um corte a todo o comprimento na folha de cima e com um garfo abra-a para os lados. O vapor e o aroma que se evolam, são o melhor estimulante para uma óptima refeição.

Notas: - Costumo pôr mais salsa do que a indicada (um raminho).
           - Deixo assar por cerca de 30 a 35 minutos a 180°.
           - Acompanha com batata cozida ou puré de batata e salada mista.
           - Para variar, pode acrescentar à margarina, uma colher de chá de pó de caril.
           - Pode usar outros peixes, tais como trutas ou robalinhos, mas deve embrulhá-los individualmente.

Desejo-vos uma boa semana. Beijinhos

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

A CABRINHA E A MINHA CHUPETA...E UMA DELÍCIA DE AMÊNDOA

Não sei se sabem, mas nasci no "meio" da Segunda Guerra Mundial, em 1943. Fui a segunda (o J. já tinha nascido) e em 1945 nasceu o meu irmão H.
Desse tempo recordo-me da dificuldade que havia em se arranjar leite. Nós tínhamos uma Leiteira que vinha todos os dias à tardinha trazer o leite lá a casa, mas ela arranjava muito pouco para as necessidades de tantos garotos.
Então os meus pais compraram uma cabrinha e, como tínhamos quintal, ela estava bem acomodada. Era castanha e todos os dias a minha tia Carolina a levava a pastar aos campos em volta. E nós, claro adorávamos fazer-lhe companhia.
Depois voltávamos , já com umas sacas de ervas para os coelhos e muito apetite para o almoço.

Eu já devia ter uns 4 anitos e ainda usava chupeta e lembro-me que faziam troça de mim por isso. Então deixei de a pedir durante o dia, mas à noite era demais: tinha de adormecer com ela! Até que um belo dia, a minha chupeta desapareceu...Já era noite e ninguém sabia da chupeta e eu queria ir dormir! Então alguém disse:
- A cabrinha comeu a chupeta!...
E eu acreditei. Coitadinha da cabrinha, ela não sabia o que fazia, não foi por mal...
E lá adormeci sem chupeta...para nunca mais!


Antigamente, nos Restaurantes aqui de Sintra, serviam à sobremesa um bolo muito agradável feito com amêndoa. Claro que ninguém dava a receita, mas eu resolvi experimentar à minha moda e ficou muito semelhante. É essa receita que vos deixo aqui hoje.

DELÍCIA DE AMÊNDOA

250g de amêndoas com pele, raladas finamente
200g de açúcar
6 ovos
1/2 litro de natas frescas (2 pacotes)
5 colheres de sopa de açúcar baunilhado
Raspas de chocolate negro

Batem-se os ovos com o açúcar, com a batedeira, até obter um creme grosso e esbranquiçado (10 minutos).
Junta-se a amêndoa a pouco e pouco, mexendo com cuidado de baixo para cima, envolvendo bem mas sem bater.
Forra-se uma forma com papel vegetal Glad (já está untado) e verte-se nela a massa.
Vai ao forno quente (180°) durante cerca de 30 a 35 minutos. Faz-se o teste do palito para ver se está cozido. Retira-se do forno, desenforma-se no prato de serviço e deixa-se arrefecer.
Entretanto prepara-se o chantilly batendo bem as natas com o açúcar baunilhado.
Depois do bolo estar frio abre-se ao meio e barra-se com parte do chantilly.
Coloca-se a outra metade e cobre-se com o resto do chantilly e leva-se ao frigorífico. Na hora de servir polvilha-se com raspas de chocolate.

O CAPUCHINHO VERDE E O LOBO BOM

No tempo da minha infância, havia um Programa de Rádio na antiga Emissora Nacional, dedicado às Crianças. Chamava-se EMISSÃO INFANTIL. Alguém se lembra?
Todas as sextas-feiras, ao fim da tarde, acho que cerca das 18 horas (já não sei bem), era ver a garotada toda em frente à telefonia, para ouvir mais uma história.
Como hoje é sexta-feira, aqui fica uma história, oferta da Tia Fátima, na Secção Infantil de O Meu Estaminé.
Fui buscá-la a um disco editado em 1978 pelo Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, chamado VIVA A PEQUENADA.
A canção foi escrita por Júlio Izidro, que todos conhecem da Rádio e da TV, segundo uma ideia de Maria de Lurdes Branco e tem música de Carlos Alberto Moniz.


CAPUCHINHO VERDE

Vou contar-vos a história do Capuchinho Verde que é uma história de pasmar e de ...pernas para o ar!

Havia uma menina a quem chamavam o Capuchinho Verde, que morava numa casinha branca dum bosque. Esta menina também tinha uma avó mas, nunca lhe tinha ido levar a merenda porque a avó não estava doente e a passarada lá do bosque que sabia isso, cantava:
"Capuchinho Verde , não leves a merenda à avó
isso é de outra história, com um lobo e uma menina só!"

Capuchinho Verde: "Estou bem aqui à janela
p`ra ver o lobo passar.
Como este é meu amigo
Com ele vou rir e brincar."

E a passarada concordou:
"Capuchinho Verde, amigos não te faltam aqui.
Passeias no bosque, sem perigos nem sustos p`ra ti."

Nisto apareceu o lobo, simpático, sorridente e até, calculem, cantador:
Lobo Bom:..."Lá, lá, lá,......
Eu sou o Lobo Bom, bom, bom......
que gosta de crianças e que canta neste tom.
Hoje estou contente,
P`ra mim é sempre festa.
Gosto de cantar muitas canções
e mais esta!"

Como estava um dia muito bonito, o nosso amigo lobo, resolveu convidar o Capuchinho Verde para um passeio:
"Capuchinho Verde, queres vir comigo a casa da avó?"

Capuchinho Verde:"Mas que boa ideia,
ir bosque fora a cantar;
contigo não tenho medo
de a casa da avó não chegar".

E lá foram. O lobo deu a pata à menina e recomeçou a cantar, enquanto caminhavam:
Lobo Bom..."Lá, lá, lá,...
Eu sou o lobo bom, bom, bom....
que gosta de crianças e que canta neste tom.
Hoje estou contente,
p`ra mim é sempre festa.
Gosto de cantar muitas canções
e mais esta!

(Continua já de seguida).

A MINHA PROFESSORA DE INSTRUçAO PRIMÁRIA....E REBUçADOS CASEIROS

Começo por pedir desculpa por causa de os ç irem escritos com letra minúscula, mas ou o defeito é meu, ou o meu computador que é estrangeiro, se recusa a deixar-me escrever em português. Como eu sou muito teimosa, segundo diz o Provador Oficial do Estaminé (mas não há um teimoso sozinho, he,he), um reles computador "não me levará a melhor"!

A minha Professora de Instrução Primária ainda é viva e devo-lhe quase tudo o que sei! Fez 94 anos em Janeiro e estive com ela.
Trabalhava na Escola Feminina do Bairro da Boa Vista que já não existe, onde era Directora.
Era um bairro social da Câmara Municipal de Lisboa, construído provisoriamente (mas que ficou definitivo por muitos anos) com casas de lusalite e o edifício da Escola não fugia à regra. Hoje sabemos que este material é altamente cancerígeno, mas nessa altura não se sabia.Ou, se o sabiam, calaram-se bem calados.
Era o tempo do lápis azul e da Censura. Lembram-se?
Os moradores do Bairro eram varredores da CML e as mulheres eram, ou varinas ou vendedoras ambulantes. Como calculam, o ambiente na minha Escola não era muito fácil, além de que havia muitas crianças desprotegidas e em risco. Lembro-me de haver para aí umas doze ou treze Professoras.
Com Ela aprendi a ler, escrever, contar, fazer problemas, cantar, costurar (sim, nessa altura fazia parte do Programa!), eu sei lá, de tudo um pouco!
O bairro onde eu vivia ficava a cerca de 2 Km e eu e mais garotos íamos todas as manhãs com ela para a Escola.
Depois das aulas ela ia almoçar a casa, e à tarde ainda dava explicações. Muitas vezes era chamada para Presidente do Júri, nos exames.
Tinha uma vida difícil porque na altura (se fosse só nessa altura!) os Professores ganhavam pouco. Ainda por cima, como tinha muitos filhos, volta e meia lá tinha de ir a correr ao Hospital com algum de cabeça partida ou a deitar sangue sem parar, pelo nariz.
Mas era Professora e Mãe para todos os alunos e exigia a todos por igual!

OBRIGADA, MÃE, porque tudo o que sei da Vida a TI o devo!

Um beijinho no teu coração! Ia dizer um bombom, porque sei que gostas, mas aprendi esta expressão com as Amigas Brasileiras e acho-a tão doce, que ta ofereço. Quando aí for visitar-te levo-te uma caixa inteira!



Agora vamos para a Cozinha! A Tia Fátima, não queria que eu pusesse aqui esta receita, por ser tão simplória, mas eu adorava estes rebuçados que a minha Mãe fazia "à pressão" para mimar os filhotes que eram 9 e não havia dinheiro de sobra para mimos! Sim, que na altura - anos 50 - não havia financiadoras, nem cartões armadilhados a acenar com dinheiro que não temos e que depois ...pagamos" com língua de palmo".
As medidas são aleatórias, ou seja, cada um toma as que quer. Para começar, unte com um pouco de óleo a pedra do balcão da cozinha.

Rebuçados Caseiros

1 tigela média com água fria
1 chávena (xícara) de açúcar amarelo (pode ser branco mas é mais caro e menos saudável)
0,5 dl de água (50 ml)
1 tachinho

Reserve por perto a tigela de água fria.
Deite no tachinho o açúcar e a água, mexa e leve ao lume até ferver.
Quando começa a ficar loirinho e em caramelo apaga-se o lume.
Deitam-se colheradas de caramelo dentro da tigela com água que se reservou.
Ao arrefecer vai borbulhar e pode ficar com feitios. Retiram-se logo com a ajuda de um garfo ou espátula, e vão-se colocando em cima da pedra untada.


Notas:
- Talvez possam ser embrulhadas em papel celofane, mas lá em casa nem dava tempo, que as "marabuntas" não deixavam!
- Acho que esta receita não se deve guardar. Para isso devia secar primeiro e eu nunca experimentei.
- Se quiserem aprender mais e muito melhor, vão ao "flagrantedelicia" que é um Espectáculo! Não se vão arrepender. Ah! E vão juntando as economias (dos cafés, dos cigarros, dos autocarros), porque faz muito bem andar a pé. Dentro de pouco tempo vai sair um Livro de Receitas da Leonor e eu já tenho "água na boca"!

Beijinhos caramelizados da

Bombom = Avó Fátima = Tia Fátima

P.S. (post-scriptum...nada de confusões, he,he)! Já perceberam por que é que só deixei a Tia Fátima, por castigo, assinar no fim? (He,he)! Porque ela não queria deixar-me dar-vos esta receita, por ser tão comezinha! Eu acho que "em tempo de guerra não se limpam armas" ou será que já não estamos em crise?
Bjs.

TABEFES...DA AVÓ CRISTINA

Hoje apresento-vos um doce carregado de memórias de infância. Nesse tempo não havia batedeiras eléctricas, nem frigoríficos. Os bolos eram batidos à mão e para as claras em castelo, o método era peculiar. Punham-se as claras num prato com umas pedrinhas de sal (hoje ainda o fazemos) e muníamo-nos de dois garfos: segurávamos um entre o dedo polegar e o indicador e o outro entre o indicador e o médio.E então, era um instante enquanto as claras levantavam e ficavam tão firmes, que até se podia voltar o prato de pernas para o ar sem elas caírem!
Depois do doce feito era colocado em lindas taças de pé, das que antigamente se usavam para o champanhe. Sim, que nessa altura ainda não se falava em "flutes", nem "modernices".Como não havia frigoríficos, este doce era confeccionado na véspera e colocado em lugar fresco e seco, dentro de um armário (no escuro).


TABEFES

Para cada clara de ovo:
- 2 colheres de sopa rasas de açúcar
- raspa de casca de limão

Batem-se as claras em castelo bem firme, junta-se o açúcar continua-se a bater mais um pouco para obter um merengue forte. Junta-se a raspa de limão e mexe-se.
Distribui-se em copos ou tacinhas ( as de pé alto fazem mais vista...e os olhos também comem).
Colocam-se dentro de um armário em local fresco e seco de um dia para o outro.


Como vêem, mais simples não há. Por isso, vai dedicado aos meus Nètinhos e aos vossos Filhotes, que vão adorar fazê-los. Como vão ter de esperar para o outro dia, aprenderão a importância do SABER ESPERAR...
E não tenham a tentação de meter no frigorífico porque não conseguem o mesmo resultado. Eu fiz isso uma vez e apanhei a maior desilusão!

Como o Meu Estaminé ainda está a trabalhar a "meio gás", por causa da falta de "ligação eléctrica" e luz nas "montras" (fotos, etc...), resolvi lançar um pequeno desafio. Se fizerem os TABEFES, tirem uma foto e mandem para o mail do Estaminé.
As melhores têm brinde!

Bjs. da Tia Fátima (Bombom)