PATÉ DE FEIJÃO FRADE- UMA RECEITA "DA MINHA VIZINHA"



A receita que está hoje na montra do Meu Estaminé, não é minha mas sim da Mariana, do blog Receitas para a Felicidade.
Logo que a vi, fiquei com vontade de experimentar. Gosto muito de Patés, aqueles Cremes para barrar e, se forem caseiros, melhor ainda porque tenho de evitar as gorduras.
Como tinha todos os ingredientes em casa, foi dito e feito. E não me arrependi: ficou com uma textura suave e aveludada, saborosa e agradável ao paladar de quem aprecia estes mimos.
O Provador Oficial desta vez baldou-se, mas não admira pois não é fã de cremes (nem coisas pastosas, como ele diz). Não sabe o que perde he,he!
Parabéns, Mariana, uma das Mães Especiais que muito admiro!
A receita original podem ver aqui www.receitasparaafelicidade.com/2015/02/pate-de-feijao-frade.html
Fácil e "super rápida", como diz a Mariana.


Paté de Feijão Frade

1 lata pequena de feijão frade cozido (usei caseiro, 2 chávenas de chá)
1 colher de sopa de azeite
2 colh. sobremesa de sumo de limão
1 dente de alho espremido (usei picado)
1 colher de chá cheia de orégãos secos
sal e pimenta q.b.
salsa picada

No copo da trituradora (varinha) ponha o feijão frade, o azeite, o sumo de limão, o alho picado e os orégãos. Triture tudo até obter uma pasta. Tempere de sal e pimenta (não esqueça que o feijão já tem algum sal) e rectifique os temperos (pode ter de acrescentar orégãos conforme o seu gosto).
Retire a pasta para uma tigela e envolva a salsa picada.
Sirva como Entrada, com fatias de pão saloio, tostas ou bolachas de água e sal.


A Mariana aconselha a experimentar esta receita com Feijão Branco.
Espero que gostem como eu gostei. Obrigada, Mariana. Bem Hajas!

Feliz Carnaval e divirtam-se!
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

À MESA COM OS REIS - (cont.)

Para quem gostou de conhecer um pouco melhor "a mesa dos reis", vou continuar a falar-vos dela pela mão de Manuel Guimarães no livro de que já vos falei, intitulado À Mesa Com a História.

"Apesar de tudo, D. Filipa não deixou de imprimir nos costumes do Paço a marca da sua firme personalidade, vulgarizando nos banquetes reais, alguns costumes da sua casa de origem e conseguindo garantir às damas, para todo o sempre, lugar nos grandes banquetes, até então exclusivamente destinados a homens.
É bom não esquecer que D. João I (séc. XIV), autor do Livro de Montaria e ele próprio caçador apaixonado, aconselhava comida simples, em doses convenientes e nunca o abuso do vinho que ele próprio bebia, sempre terçado de água.
Tinha, segundo rezam as crónicas, um fraquinho especial pela carne de vaca que comia assada, cozida ou na desfeita (picada).
Ainda mais sóbrio do que o real progenitor, D. Duarte ignorou deliberadamente os prazeres da mesa. Foi um dos primeiros escritores a preocupar-se com o "regimento do estômago", começando o dia com um simples copo de água açucarada, uma verdadeira novidade em tão recuada e descuidada época. Ao meio dia jantava (actual almoço) vianda assada de carneiro ou carnes assadas de perna, pouca potagem (sopa), muito pouco pão. Ceava (actual jantar) às oito horas da noite outra vez vianda assada e, imaginem só, pão torrado.
Bebia vinho com água, como vira fazer a seu pai durante toda a vida e seguia à letra os conselhos do físico Morsala, médico da corte e, segundo ficou escrito, muito entendido em dietas.
D. Pedro de Alfarrobeira, que governou Portugal, como Regente, ordenou que os nossos reis passassem a tomar em público as suas refeições, não sendo esta a única novidade que o infante mártir de Alfarrobeira cobiçou no decorrer das longas e misteriosas viagens que o levaram aos quatro cantos da Europa culta do seu tempo.
D. Afonso V, que só começou a beber aos 37 anos de idade e por conselho dos médicos, não era partidário dos prazeres da mesa que só usaria na medida das necessidades, desprezando o fausto e a grandeza.
Finalmente, chegaria o "homem", D. João II. Garcia de Resende, primeiro e Rui de Pina depois, confirmam que o "Príncipe Perfeito" também o era enquanto apreciador de boa mesa. Dizem que "comia muito e muito bem, com muito vagar e cerimónia", mas só duas vezes ao dia. Elogiou a sardinha, que considerava excelente comida popular, embora pessoalmente não a apreciasse. Comia normalmente sozinho, mas à vista dos fidalgos habituais no Paço ou que nele viviam. A grandeza quando é genuína, é sempre paralela à solidão.
Embora abstémio (não tomava bebidas alcoólicas), D. João II devorava por refeição boa meia dúzia de iguarias, postas à sua disposição por uma chusma de criados receosos. Comia à mão, sofregamente. Nem sequer usava a faca pontiaguda, única peça do talher do seu tempo e que chegou até aos nossos dias na "naifa" (canivete) com que os homens das nossas aldeias cortavam o conduto sobre a fatia de pão.
D. Manuel I, que não era filho de rei, foi um monarca opulento e requintadíssimo. Morava com uma corte de cinco mil bocas, sem que ninguém lamentasse servir tão alto príncipe. Damião de Góis atribuiu-lhe grande paixão pelas coisas de açúcar. Quando estava em Lisboa, aos domingos, ia sempre merendar ao Paço de Santos-o-Velho, onde as damas se acotovelavam para encher de doçaria fina, a mesa de el-rei. Depois, passeava de barco pelo Tejo, ouvindo os seus músicos privativos que tocavam cornetas, rabecas e tamboris, para fazer a alegria deste rei que nada lhes negava.
No entanto, logo que foi informado das exageradas verbas gastas nas províncias pelos súbditos, em banquetes de casamento e baptizado, apressou-se a proibir o desaforo, limitando os convivas a membros da família. Em 1514, por Ordenação, proíbe os bodos tradicionais, com excepção dos Bodos do Espírito Santo.
D. João III, como todos os filhos de pai rico, não pôde ter história gastronómica. A opulência à mesa mantém-se naturalmente, quer o rei esteja em Lisboa quer permaneça com demora, no seu sumptuoso Convento de Tomar.
D. Sebastião, o príncipe do fim, ainda chega a ordenar que nenhuma pessoa possa comer à sua mesa mais que um assado ou um cozido  e um picado ou desfeito, arroz ou cuscuz e nenhum doce como o manjar-branco ou bolos de rodilha.
Supomos que tal Ordenação tenha caído em saco roto, como em saco roto cairia o País por espaço de mais de meio século."

Partilho convosco estas curiosidades históricas à volta da Mesa, por não ser muito fácil encontrá-las.
Não podemos esquecer-nos de que eram outros os tempos e os costumes e de que, por exemplo o garfo, só apareceu na corte portuguesa em 1836 ( D. Maria II ). Falaremos disso um dia destes.
E, como a prosa já vai longa, ficam aqui umas receitinhas rápidas de Patés para rechear tapas ou para bolachinhas de água e sal, que podem servir de entrada a uma qualquer refeição.

Paté de Presunto

3/4 de chávena de presunto picadinho
1/2 cebola pequena picada
1/2 chávena de maionese
pimenta preta moída na hora

Pique todos os ingredientes com a varinha mágica durante 1 minuto. Retire para uma tigela, mexa e está pronto a usar.

Paté de Atum

1/2 chávena de maionese
1 lata de atum, escorrido e desfiado com o garfo
1/2 cebola picada
1 colher de sopa de salsa picada (salsinha)
sumo de 1/4 de limão

Desfie bem o atum. Junte todos os ingredientes numa tigela e mexa muito bem.

Paté de Camarão

1/2 chávena de maionese
2 colheres de sopa de natas
1 colher de sopa de tomate Ketchup
1/2 cebola picada
1 ovo cozido pequeno
sumo de limão q.b.
1 raminho de salsa picada (salsinha)
molho picante q.b.

Pique muito bem os camarões e o ovo cozido. Misture tudo e rectifique de sal e picante.
Em todos os casos, guarde em tacinhas ou tigelinhas no frigorífico, cobertas com película aderente, até ao momento de servir.

Com desejos de uma boa semana para todos, beijinhos da

Bombom  (Tia Fátima ou Avó Fátima)