E JÁ QUE FALEI DE EDUCAçÃO...

Como podem calcular, este tema da Educação "mexe" muito comigo. Ajudei a criar alguns dos meus irmãos mais novos (éramos nove filhos) e, além disso, a minha Mãe era Professora do Ensino Primário (que significa "primeiro", pois ainda não havia o Prè-escolar). Hoje chama-se Básico, mas vem dar ao mesmo.
Eu nunca quis ser Professora. Via a minha Mãe trabalhar de manhã na Escola onde era Directora, à tarde a dar explicações em casa e à noite sair para dar aulas aos adultos que eram obrigados a ter a quarta classe para poderem arranjar emprego ou não serem postos na rua...E lá em casa, o dinheiro nunca chegava. Os ordenados eram muito baixos e as despesas eram muitas, mesmo com muito equilíbrio.
Nesse tempo os Professores eram muito mal pagos e pouco prestigiados pela sociedade. Apenas eram bem tratados nas aldeias onde as pessoas, embora iletradas, sabiam dar o valor ao saber. Mas eu não queria ir sozinha para uma aldeia desconhecida e abandonar a minha Mãe e os meus irmãos. Não queria ser Professora!
Mas a vida dá muitas voltas e outras tantas reviravoltas. Talvez vos conte algum dia...
E eu tirei o Curso do Magistério Primário e "apaixonei-me" pela Psicologia Infantil. Lia tudo o que apanhava na Biblioteca e estudei muito.
E fiquei a trabalhar em Lisboa, num Bairro Social pobre, da periferia, o Bairro do Padre Cruz em Carnide.
Era o ano de 1963. Embora a sociedade já estivesse em transição de valores e de costumes, a maioria dos pais ainda preservava os valores do Respeito, da Autoridade, da Boa Educação, do Comedimento, do Bem, etc...
Nessa altura já se falava dos "traumatismos" das crianças, mas relacionados com os excessos e a violência que se verificava em algumas famílias quando castigavam os filhos, ou com alguns professores demasiado rigorosos e de mau íntimo. Era o caso dos pais que chicoteavam os filhos com o cinto de cabedal, ou dos professores que usavam uma régua a que se chamava "menina dos cinco olhos". Eu, felizmente, nunca vi nenhuma.
Onze anos passados foi o quanto precisámos para que a sociedade generalizasse este conceito e se abolissem os valores em que sempre acreditámos...

E fico-me por aqui. Talvez um dia continue...

Hoje não vos deixo nenhuma receita. Vou ver como estão as azeitonas de conserva que fiz este ano, ou melhor, no ano passado.
Em Novembro colhi as azeitonas da nossa oliveirita do quintal. Lavei-as bem e pus de molho dentro de baldes cheios de água pura da fonte da Serra da Guardunha e tapados com uma tampa. ( Se fosse com água da torneira, tratada com tantos químicos, ficavam todas moles e sem prestar). Ficaram na "loja" como chamam lá, ao andar térreo.
Em Janeiro lavei-as e mudei-lhes a água.
Em Abril escorri-as bem e mudei-lhes a água acrescentando sal bastante para tomarem gosto e não se estragarem.
Agora já se podem ir tirando porções para uma caixa ou frasco onde devem ficar com água pura para irem perdendo o sal. Vai-se substituindo a água todos os dias até estarem ao nosso gosto. Depois podem comer-se simples ou acompanhar com um molho feito com azeite, alho picadinho e tomilho ou orégãos.
No fim da semana dou-vos mais notícias. Uma boa semana para os que me visitarem.
Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

EDUCAR...E OVOS COM COGUMELOS EM TIGELINHAS

Ainda a propósito de Educação...
"Conta-se que o Legislador Licurgo foi convidado a proferir uma palestra a respeito de Educação.
Aceitou o convite mas pediu, no entanto, seis meses para se preparar. O facto causou estranheza pois todos sabiam que ele tinha capacidade e condições, de falar a qualquer momento. E por isso o tinham convidado.
Transcorridos seis meses, compareceu ele perante a assembleia em expectativa.
Postou-se à tribuna e, logo em seguida, entraram criados trazendo quatro gaiolas. Em cada uma havia um animal, sendo duas lebres e dois cães.
A um sinal prèviamente estabelecido, um dos criados abriu a porta de uma das gaiolas e uma pequena lebre branca saiu a correr, espantada.
Logo em seguida, o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu em desabalada correria, ao encalço da lebre. Alcançou-a com destreza, trucidando-a ràpidamente.
A cena foi dantesca e chocou todos os presentes. Uma grande comoção tomou conta da assembleia e os corações pareciam saltar do peito.
Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão.
Mesmo assim, ele nada falou. Tornou a repetir o sinal convencionado e a outra lebre foi libertada. A seguir, o outro cão.
O povo mal continha a respiração. Alguns mais sensíveis levaram as mãos aos olhos para não verem a "reprise" da morte bárbara do indefeso animalzinho, que corria e saltava.
No primeiro instante, o cão investiu contra a lebre. Contudo, e em vez de abocanhá-la, deu-lhe com a pata e ela caiu. Logo se ergueu e pôs-se a brincar. Para surpresa de todos, os dois ficaram a demonstrar tranquila convivência, saltitando de um lado para o outro.
Então, e somente então, Licurgo falou:
- Senhores, acabais de assistir a uma demonstração do que pode a Educação. Ambas as lebres são filhas da mesma matriz, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim, igualmente, os cães.
A diferença entre eles reside simplesmente, na Educação.
E prosseguiu vivamente o seu discurso, dizendo das excelências do processo educativo.
A Educação, baseada numa concepção exacta da vida, transformaria a face do mundo.
Devemos educar o nosso filho, esclarecer a sua inteligência, mas antes de tudo devemos falar ao seu coração, ensinando-o a despojar-se das suas imperfeições. Lembremo-nos que a Sabedoria consiste em nos tornarmos melhores."

Licurgo foi um Legislador grego que deve ter vivido no séc. IV antes de Cristo.
O verbo educar é originário do latim educare ou educcere e quer dizer extrair de dentro.
Percebe-se, portanto, que a educação não se constitui num mero estabelecimento de informações, mas sim de se trabalhar as potencialidades interiores do ser, a fim de que floresçam, à semelhança da bela e perfumada flor.
 - Texto retirado de um Pps. da internet.

E, em homenagem a todas as jovens Mães ou Pais que  me visitam, gostava de acrescentar:
Nós esquecemo-nos de que somos Animais. Racionais, é certo, mas não deixamos por isso de pertencer à grande família dos Animais. Como tal, temos de ser ensinados desde pequeninos, a falar, a comer, a utilizar objectos, etc. E, porque somos racionais, criámos regras que ajudam a que haja boa convivência entre todos.
É isso a Educação: um conjunto de regras e prácticas que promovem o indivíduo de Animal a Ser Racional.
Para educar é preciso contrariar certos instintos como aquilo a que chamamos "a lei do menor esforço", ou o "salve-se quem puder desde que eu fique bem", etc.
Todos os animais aprendem por imitação, mas com os Racionais, isso só não chega. Como têm compreensão, precisam de perceber as regras e de as cumprir.E, porque vivemos em sociedade, imperativo se torna esse cumprimento, sob pena de sermos rejeitados ou em casos extremos, castigados pela sociedade.
Ora, quando somos pequeninos, não sabemos o que fazemos (somos como animais) e os pais ensinam.  E nós desobedecemos (gostamos de medir forças com os adultos) e explicam-nos "que não porque..." e o menino teima. E deve ter castigo imediato para perceber que errou.
Se este processo for rigorosamente cumprido desde os primeiros tempos, em breve a criança se habituará a cumprir regras e a respeitar os Pais.
Uma criança que não foi habituada a cumprir regras vai ser uma pessoa insegura para toda a vida. Nunca respeitará os Pais (nem ninguém), nem mesmo a si própria.
Felizmente, hoje já há muitos Psicólogos que estão a chamar à atenção para esta problemática. E já há muitos Pais conscientes de que é preciso e é urgente mudar as práticas.
Ainda espero ver mudar a Legislação que retira aos Pais a autoridade para educar os Filhos!

E agora, uma receitinha rápida e simples para principiantes ou para quando apetece fazer fim de semana ...de cozinhar (he, he).
Vamos precisar de 4 tigelinhas de pirex ou de porcelana, um tacho largo para cozer os ovos dentro das tigelinhas, uma pinça boa ou pegas para retirar as tigelinhas do tacho.  

           OVOS EM TIGELINHAS, COM COGUMELOS

Para duas pessoas:
60 g de margarina
100 g de cogumelos frescos
125 g de natas frescas
4 ovos
sal e pimenta q.b.

Lave muito bem os cogumelos em água fria, limpe-os da parte escura do pé, reserve 4 inteiros e corte os restantes em lâminas finas. Deite num tachinho a margarina e os cogumelos cortados e leve ao lume a refogar.
Vá mexendo e, quando estiverem a querer alourar, adicione as natas, mexa e deixe ferver 3 minutos em lume moderado. Retire do lume e tempere de sal e pimenta.
Com uma colher, divida os cogumelos pelas 4 tigelinhas. 
Parta os ovos um a um para uma chávena e vá deitando um de cada vez em cada tigelinha.
Deite num tacho largo água quente com cerca de um dedo de altura e coloque  lá dentro as tigelinhas com os ovos, ao lado umas das outras. Tape e leve ao lume para assim cozerem em banho-maria. Depois de levantar fervura, conte 7 minutos. Se gostar bem passados, deixe cozer um pouco mais (10 minutos).
Retire as tigelinhas com a pinça, com precaução para não se queimar.
Coloque cada uma num prato sobre um guardanapo e sirva imediatamente.

Notas: - Acompanhe com meios pãezinhos frescos, levemente torrados.
           - Com uma salada ou uma sopa simples no princípio e fruta no fim, terá uma refeição completa e económica.
          - Pode acrescentar aos cogumelos cubinhos de fiambre ou bacon.
          - Receita da Teleculinária n° 156 de 1980.

Bom fim de semana. Beijinhos da
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

ENSINO, EDUCAçÃO...E BOLO DE CLARAS E NOZES

Já vos tinha dito que no Meu Estaminé não havia só produtos comestíveis.
Assim sendo, não resisti a trazer aqui para o "placard", um recorte de jornal (não sei qual) que recebi há dias.
Como ainda não sei fazer"copy" e "past" aqui no blog, vou ter de escrevê-lo à mão, he,he!

"SÉQUESSO"
 A Pátria adora conversar sobre professores. A Pátria, porém, nunca fala sobre educação.
Portugal ainda não arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o secundário sem saber escrever. Parece que os professores vão fazer uma "marcha da indignação". Pois muito bem. Eu também vou fazer uma marcha indignada. Vou descer a avenida com a seguinte tarja: "Os alunos portugueses conseguem tirar cursos superiores sem saber escrever".
A coisa mais básica - saber escrever - deixou de ser relevante na escola portuguesa.
De quem é a culpa? Dos professores? Certo. Do Ministério? Certo. Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil. Não se pode repreender o "menino" porque isso é excesso de autoridade, diz o psicólogo. Portanto, o petiz pode ser mal educado para o professor.
Não se pode dizer que o "menino" escreve mal porque isso pode afectar a sua auto-estima. Ou seja, o rapazola pode ser burro, desde que seja feliz.
O professor não pode marcar trabalhos de casa porque o "menino" deve ter tempo para brincar. Genial: o "menino" pode ser preguiçoso, desde que jogue na consola.
Ora este tal "menino" não passa de um mostrengo mimado que não respeita professores e colegas. Mais: este mostrengo nunca reconhece os seus próprios erros: na sua cabeça, "sexo" será sempre "séquesso".
Neste mundo Peter Pan os erros não existem e as coisas até mudam de nome. O "menino" não escreve mal: o "menino" faz, isso sim, escrita criativa. O "menino" não sabe escrever a palavra "recensão", mas é um Eça em potência.
Caro leitor, se quiser culpar alguém pelo estado lastimável da educação, então, só tem uma coisa a fazer: olhe-se ao espelho. E, já agora, desmarque a próxima consulta do "menino" no psicólogo.

 Henrique Raposo

Embora eu subscreva quase tudo o que aqui é dito, estamos perante dois problemas diferentes. Um é do Ministério da Educação e não dos Professores, e está relacionado com os Programas e com o Sistema de Avaliação. O outro é de Educação (moral e cívica) e compete aos Pais em primeiro lugar,  e só depois às instituições escolares.
Quando, nos anos 50, andei na Escola Primária (Primeira), no exame do  4° ano quem desse mais de 4 erros e 4 faltas de acento gráfico, reprovava e tinha de repetir o ano.
Em 1963 comecei a trabalhar como professora e algum tempo depois, os alunos passavam no exame com 9 erros ortográficos. Todas achámos um exagero, mas "manda quem pode e obedece quem deve"! E a razia na Língua Portuguesa continuou com a saída dos Programas do Ensino Primário, no que toca às Preposições, Conjunções e tempos verbais do Conjuntivo.
Disseram-nos que passariam para os primeiros anos do Liceu. Mas duvido que isso fosse verdade. Hoje ninguém sabe escrever dissesse ou comesse e confunde com disse-se e come-se.
E toda a gente sabe que é nos primeiros 10 anos de infância, que a Memória funciona como uma esponja e absorve tudo o que lhe dermos...
Já depois da adesão de Portugal à CEE, implementou-se um novo Sistema de Avaliação em que os Professores passaram a não poder "reter" um aluno, sem autorização prèvia dos Pais. Agora digam-me quais são os pais que autorizam o professor a chumbar um filho. Eu nunca vi nenhum.
Nesse mesmo Sistema, dizia-se que um aluno até aos 14 anos, idade em que terminaria o 9° ano de escolaridade, apenas poderia ficar retido uma vez, sob pena de lhe ser passado um "atestado" de frequência  em vez do Diploma de Estudos.
Estou fora do "sistema" há dez anos, mas duvido que algo tenha mudado para melhor...
 
E vamos a um docinho, que isto hoje já amargou o suficiente!
Até é saudável pois não leva gemas nem manteiga e faz-se com pouco açúcar.

      BOLO DE CLARAS E NOZES

6 claras
6 colheres de sopa de açúcar
100g de miolo de nozes picadas na 1.2.3.
30 g de farinha de trigo com fermento
margarina para untar a forma
açúcar para polvilhar

Primeiro barre uma forma redonda média com margarina e polvilhe-a com açúcar.
Misture as nozes moídas com a farinha.
Bata as claras em castelo bem firme, começando a juntar-lhes o açúcar quando estiverem quase levantadas e batendo sempre para ficarem bem fortes.
Mexendo de baixo para cima, envolva a mistura de nozes e farinha.
Deite o preparado na forma e leve a cozer em forno médio, durante cerca de 20 minutos. Faça o teste do palito.
Deixe arrefecer e desenforme num prato. Regue com um pouco de açúcar em caramelo, se desejar.

Notas: - É um  bolo delicioso, mas não cresce quase nada; conserva apenas o volume que leva quando vai ao forno.

Beijinhos
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima