CASCAS DE LARANJA CRISTALIZADAS



Há algum tempo, quando vos apresentei as geléias de Casca de Laranja, uma leitora falou-me nas cascas de laranja cristalizadas. Há tantos anos que não as faço! Já nem me lembrava bem da receita, mas valeu-me O Livro de Pantagruel que é a Enciclopédia das receitas, como eu lhe chamo.


Eu fiz só com as cascas de 3 ou 4 laranjas (150 g).  Acho que é o ideal para começarem esta experiência e perderem o receio.

Cascas de Laranja Cristalizadas

Cascas de laranja (demolhadas e cortadas em tiras finas)
Açúcar branco - o mesmo peso

1 - Na véspera à noite, deitam-se as cascas de laranja num alguidar e cobrem-se com água fria a que se juntou 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio (para perderem o amargo ràpidamente). No dia seguinte, passadas 12 horas, despeja-se a água e lavam-se as cascas em água corrente ( o mesmo procedimento que se tem para a Geléia de Cascas de Laranja). Depois voltam a pôr-se no alguidar com água limpa, até à hora da confecção ( eu só fiz ao início da tarde).

2 - Escorrem-se as cascas e cortam-se em  pedaços com 5 ou 6 cm de comprimento e depois cortam-se estes em tiras finas.



3 - Põe-se um tacho de inox com água ao lume, para ferver. Quando levantar fervura deitam-se as cascas e deixa-se ferver durante 5 minutos ( a receita original diz 1 minuto, mas eu prefiro que elas cozam ligeiramente). Retiram-se do lume, escorrem-se num passador, e põem-se sobre um pano limpo para retirar o máximo de humidade.
Pesam-se as cascas.
Unta-se a pedra da bancada com um pouco de óleo (vai ser precisa para arrefecer as cascas).

4 - Em seguida deita-se no tacho o mesmo peso de açúcar com 3 colheres de sopa de água (usei da de cozer as cascas) e leva-se ao lume mexendo com a colher de pau para ele derreter. "Logo que começa a ferver, vai-se sempre mexendo até chegar a ponto de cobrir, isto é, o mais grosso possível" ; (fica com o aspecto de uma massa esbranquiçada e grossa que não derrete). Nessa altura, deitam-se as cascas lá para dentro e, como levam sempre alguma humidade, mesmo que tenham sido bem enxutas, o açúcar perde um pouco o ponto. Torna-se necessário deixá-las ferver novamente até enxugarem, mexendo constantemente para não pegarem e irem absorvendo todo o açúcar.


5 - Logo que tenham absorvido todo o açúcar, despejam-se na bancada já untada, e separam-se imediatamente com uma faca. Polvilham-se com açúcar branco e deixam-se arrefecer.


Conservam-se em recipientes fechados.

Notas:
- Nesta última fase, antes de retirar do lume, deito logo uma mão cheia de açúcar sobre as cascas para elas não se pegarem tanto. Retiro do lume e já na bancada, deito mais um pouco de açúcar e separo-as ràpidamente. Elas arrefecem logo um pouco e, com as mãos, envolvo-as no açúcar que ficou na bancada.
- Não se assustem por a receita ser tão "comprida"; é para perceberem bem todos os passos e não falhar nenhum. Na prática é bem rápido, faz-se em cerca de 30 minutos.

Desejo a todos um óptimo Domingo.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

A PROPÓSITO DE AçÚCAR...


Há uns dias atrás, li num blog que costumo visitar, a odisseia de querer fazer caramelo  e o açúcar de marca branca Continente, não caramelizar.
Na altura não anotei o link ou o nome do blog e..."varreu-se-me"! Se a autora passar por aqui, por favor deixe o link.
A nossa amiga deitou fora o produto de 2 ou 3 tentativas, até chegar à conclusão de que o açúcar de marca branca não serve e de seguida usou do amarelo com o sucesso desejado.
Este caso, fez-me descobrir porque é que as minhas compotas levam tanto tempo (horas) a ganhar o ponto de estrada! É que eu, por uma questão de economia e porque li na revista Deco Proteste que os produtos de marca branca substituem os de marca, com a vantagem de serem mais baratos, não comprava de outros.
Mais uma vez se confirma que "o barato sai caro"!
Foi por esta razão que nos Queijinhos de Figo usei do amarelo, sem problemas.
Mas a partir de agora, para Doçaria, comprarei açúcar do bom: SORES ou RAR.

E, já que estamos a falar de açúcar, deixo-vos aqui um link do blog de uma nutricionista que acho muito interessante, pois pode ser útil a quem por aqui passar.
www.falecomanutricionista.com.br/tipos-de-adocante/


Bom fim de semana. Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

DOCE DE CHUCHUS


O chuchu, conhecido nos Açores por caiota e na Madeira por pimpinela, é um fruto da família das abóboras, das curgetes, e dos pepinos.
Pode ser usada na alimentação, cozida, estufada, ao natural, em sopas ou até em compota.
Foi com o Chefe Silva, na Teleculinária n° 191 de Outubro de 1980, que aprendi a fazer Doce de Chuchus.
Foi a primeira vez que os comi e foi uma agradável surpresa porque é um doce delicioso, muito agradável e versátil, que pode comer-se simples, ou usar-se para recheio de bolos ou mesmo na sua confecção, tal como se usa o Doce de Chila.


Doce de Chuchus

1,5 kg de chuchus (pimpinelas)
1 kg de açúcar
raspa de 1 limão (só o vidrado)
1 pau de canela
1 dl de água (100ml)

Lave os chuchus, descasque-os e abra-os ao meio ( eu abri em quatro, como se fosse uma pera). Retire-lhes o caroço e rale-os no ralador grosso ou corte-os em lâminas muito fininhas.

                      Chuchu ralado já no tacho, fazendo lembrar a chila

Coloque-os num tacho de inox de fundo grosso, junte o açúcar, a água, a raspa de limão e o pau de canela. Mexa e leve ao lume. Quando começar a ferver, reduza o lume para o mínimo para ferver lentamente, e mexa de vez em quando com a colher de pau para não pegar.
Quando estiver quase no ponto da marmelada (ao fim de cerca de 2 horas), retire do lume, deixe arrefecer um pouco e meta nos frascos ainda quente. Deixe ficar a secar de um dia para o outro. Cubra-os então com papel vegetal molhado em álcool ou em aguardente, feche-os e guarde-os.


Notas:
- Para 1 kg de chuchus use 66o g de açúcar.
- Eu fiz com 1,210 kg de chuchus e 800 g de açúcar e deu para 3 frascos médios.
- Não deixei de um dia para o outro. Enchi os frascos ainda a quente, pus o papel vegetal com álcool e fechei com tampa hermética, como faço sempre.
- Use como se fosse Doce de Chila na confecção e recheio de bolos e muffins.

Experimentem e depois digam-me o que acharam.
Tenham um óptimo fim de semana.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)


GELÉIA DE UVAS



Já há bastante tempo que andava com vontade de experimentar fazer Doce de Uvas ou Uvada, como também lhe chamam.
Como lá na aldeia tenho muito tempo livre e pouco que fazer, este ano entretive-me a procurar as melhores receitas, e encontrei duas, simples e ao meu gosto. Foi então que no Cucchiaio Pieno da minha boa amiga Léia, encontrei a mais simples de todas. Parecia transmissão de pensamento (he,he)!
http://cucchiaiopieno.blogspot.com/2012/10/geleia-de-uva-preta.html
Vale a pena fazerem-lhe uma visita!
As uvas pretas do meu quintal são muito menos do que as brancas, pelo que só consegui dispor de 2 kg para fazer a Geléia e são de outra qualidade, mas eu não desisti. Juntei uma parte de uvas brancas e acrescentei um pouco mais de açúcar e um pau de canela.
Ficou uma geléia de sabor suave e nada enjoativa. Como leva pouco açúcar porque as uvas já são doces, depois de abertos os frascos, convém guardá-los no frigorífico.
A receita que vos deixo é a que fiz, exactamente.


Geléia de Uvas

3 kg de uvas
100ml de água + 100ml
500g de açúcar
1 pau de canela.

Lave muito bem as uvas e separe-as dos cachos, uma a uma para dentro de um tacho, rejeitando alguma que esteja estragada. Junte 100ml de água e leve ao lume forte até levantar fervura.
Assim que ferve, baixe o lume para o mínimo e deixe cozinhar cerca de 20 a 25 minutos, mexendo de vez em quando para ajudar a sair o sumo.
Tire do lume e deixe arrefecer.
Prepare agora outro tacho e uma tigela.
Com a ajuda de um "passe-vite" com o ralo médio, vá passando o cozinhado de uvas para lhe retirar todo o sumo. Deite o "bagaço" que fica, na tigela.
Quando tiver passado todas as uvas, deite no tacho que ficou vazio, o "bagaço" recolhido. Junte-lhe 100 a 120 ml de água e leve ao lume até ferver, mexendo com a colher de pau para retirar a polpa que resta agarrada às peles e graínhas das uvas.
Passe de novo pelo passe-vite e junte o sumo ao restante. Rejeite o bagaço (peles e graínhas).
Acrescente o açúcar e o pau de canela ao sumo de uva e leve ao lume de novo até ferver. Reduza então para o mínimo e deixe cozinhar por cerca de 3 horas, mexendo de vez em quando para que não pegue no fundo.

Nota:
Se achar que demora muito, cozinhe 2 horas num dia e desligue o lume. Termine no dia seguinte, mas começando em lume brando (no mínimo) mexendo até ferver. Depois é só estar atenta ao ponto de geléia.

E, como o fim de semana está aí à porta, um bom fim de semana para todos.

Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

COMPOTA DE MORANGO EM VINTE MINUTOS, DA NIGELLA


Tenho ideia de já vos ter falado nesta receita mas, ao procurá-la aqui no Meu Estaminé, não a consegui encontrar. Ou me esqueci de lhe pôr a devida etiqueta, ou não a publiquei mesmo.
Então, resolvi falar dela novamente, pois estamos em plena época da abundância dos morangos.
Já tinha experimentado fazer Doce de Morangos pelo método tradicional, mas achei que perde muito do seu aroma e sabor e não voltei a repetir.
Um dia ao ver um programa da Nigella na televisão, chamou-me a atenção para o que ela chamou "Compota de Morango em 20 minutos"! Tomei nota e experimentei. Dos Deuses! Aromático e saboroso!
O único senão, é que tem de ser conservado no frigorífico, devido ao ponto de açúcar ficar mais leve.


Compota de Morangos da Nigella

1 tigela de morangos (350 g)
1 tigela de açúcar branco



Ligue o forno para ir aquecendo (170 ou 180°).
Tome 2 taças de pirex ou cerâmica refractária e ponha numa o açúcar, noutra os morangos.
Leve-as ao forno durante 20 minutos exactos.

Entretanto prepare uma base de madeira ou uma toalha forte para pôr por baixo, quando tirar as taças do forno.
Use luvas próprias.

Passado esse tempo e com muito cuidado, retire a taça dos morangos e coloque-a sobre a base anteriormente preparada. Retire de seguida a taça do açúcar e verta sobre os morangos, mexendo com uma colher de pau até que este se dissolva por completo.
Encha os frascos prèviamente lavados e secos. Cubra com uma rodela de papel vegetal embebida em álcool e tape hermèticamente. Deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

Notas importantes:
- As quantidades são aleatórias. A Nigella usou a mesma medida de morangos e de açúcar (foto 3).
- Eu uso uma taça de pirex grande para os morangos e uma mais pequena para o açúcar, para me caberem no forno ao mesmo tempo, mas mantenho a proporção das quantidades. Deste modo, é mais fácil misturar o açúcar.
- Costumo fazer a receita a dobrar, de cada vez: 700 g de morangos e cerca de 600g de açúcar.
- A Nigella usou morangos pequenos inteiros. Se forem grandes, costumo partir em 4 partes.
- No meu forno que é forte, só posso deixar 18 minutos porque o açúcar começa a caramelizar nas bordas.
- Estas quantidades dão para encher cerca de 3 frascos médios.


Esta compota faz lembrar um "coullis". O pedacinho que falta no frasco das fotos, foi servido ao pequeno almoço sobre fatias de brioche com queijo fresco (ambos caseiros). Parecia Cheese-cake!
Na foto acima, serviu para guarnecer a sobremesa de Pêssegos em Calda com Compota de Morango, que comemos ao almoço de hoje.

Se experimentarem, depois digam o que acharam da receita. Pode ser?
Tenham um bom feriado! 25 de Abril, sempre!...
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

LEMON CURD...NO MICROONDAS

A Páscoa passou num instante e amanhã já é Domingo de Pascoela. Não sei se nas vossas terras também se chama assim ao domingo após a Páscoa.
E eu, como já estou "livre de encargos", estou a preparar-me para dar uma fugidinha por uns dias, à procura de sol e mar! Mas não demoro muito, prometo.

Como nesta época do ano ainda se encontram limões em conta, lembrei-me de vos trazer uma receita de Lemon Curd  (um creme ou compota de limão), muito rápida e prática se tiverem microondas.
 Encontrei-a na revista Saberes e Sabores de Junho de 2000. 
Usa-se para barrar torradas, scones, muffins (queques em português), bolachas de água e sal, ou para rechear caixinhas de massa areada. Pode-se usar ainda para rechear e cobrir bolos.

Lemon Curd no Microondas

Ingredientes:

3 limões
3 ovos
225 g de açúcar
70 g de margarina Vaqueiro

Lave muito bem os limões.
Rale finamente as cascas para uma tigela que possa ir ao microondas (de preferência em pirex).
Junte o sumo dos limões prèviamente coado, os ovos e o açúcar e mexa enèrgicamente com uma vara de arames.
Leve ao microondas durante 3 minutos na potência máxima.
Retire do microondas, adicione a margarina em bocadinhos e volte a mexer fortemente com a vara de arames até a derreter por completo.
Introduza de novo no microondas durante 1 minuto e 30 segundos na potência máxima. Retire, volte a mexer com a vara de arames e leve ao microondas durante mais 1 minuto e 30 segundos, na mesma potência.
Retire, bata novamente e deixe arrefecer, batendo de vez em quando.
Depois de frio, coloque num frasco hermèticamente fechado e conserve no frigorífico.

Eu ainda não experimentei, mas logo que volte às lides culinárias, tenciono fazê-lo para poder colocar aqui as respectivas imagens. Mas se alguém se quiser antecipar, estão às ordens! ... E não se esqueçam de dizer o que acharam.
Tenham um bom Domingo de Pascoela e entrem bem na semana que se lhe segue!
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

POESIA ... E CARAMELO...

           Enfeite da porta da Sala


 Tanto o poema de outro dia como o que vos deixo hoje, fazem parte de um passado distante.
Foram escritos na minha juventude e revelam a grande saudade que o nosso Pai deixou em todos nós.

Consoada

Bela noite de Natal
A que a minh`alma está presa...
Numa ceia sem igual,
Nós éramos onze à mesa.

Mas num ano que passou,
O Inverno surgiu frio;
E, quando o Natal chegou
Havia um lugar vazio...

Por esse, que Deus o guarde,
Há uma vela que arde
Nesse dia sempre acesa.

Hoje os olhos já não choram
Mas os corações imploram
Que volte o que falta à mesa!

Fátima Carrapa

São estas dores que a vida nos traz que nos ajudam a crescer e a forjar o carácter. Com elas aprendemos a compreender melhor os outros que caminham ao nosso lado...

                Enfeite de compra, na porta da Cozinha (ao lado da Sala)

E agora vamos para a cozinha! Ainda é cedo, pensarão alguns.
Já fizeram a ementa do que vão servir? Já têm os ingredientes em casa?
Não se esqueçam de que tudo o que puderem fazer com antecedência e guardar ou congelar, vos vai aliviar o trabalho da última hora.
Na próxima semana vou trazer-vos algumas sugestões. Hoje vamos fazer um frasco de Caramelo Líquido, muito mais saboroso do que se fosse de compra e sem corantes nem conservantes.
Com ele podem enxaropar bolos, regar o Bolo de Nozes, cobrir Pudins, rechear Panquecas, etc.
Dura muito tempo fora do frigorífico, num frasco de vidro bem rolhado.

           Enfeite da porta de um Quarto (uma figura e um laço feito em casa)


Caramelo Líquido

600g de açúcar branco 
2 dl de água fria (200ml)
2,5 dl de água quente (250ml)


Deite num tacho largo os 600g de açúcar e 2 dl de água fria, misture bem e leve ao lume  para ferver.
Ponha os 2,5 dl de água a aquecer, entretanto.
Deixe ferver o açúcar até obter ponto de caramelo forte.Quando começar a borbulhar mais intensamente, com cor alourada escura e ao mesmo tempo a querer deitar um pouco de fumo, baixe o lume. Vá deitando os 2,5 dl de água quente, aos poucos, em 4 ou 5 vezes. (Atenção: se deitar a água toda de uma vez, vem tudo por fora do tacho e pode queimar-se)!
Ao deitar um pouco de água, o caramelo faz forte ebulição e muito ruído que, em seguida se acalma. Ao deitar mais um pouco, o mesmo se repete. Quando deitar a última porção de água, já o caramelo não se altera. Depois de adicionada toda a água, deixe ferver 20 segundos exactos e tire imediatamente do lume. Deixe arrefecer, deite num frasco ou boião e guarde em sítio fresco para utilizar quando precisar.
Se quando for utilizar o caramelo estiver espesso, aqueça o frasco em banho-maria.


Receita do Chefe Silva na Teleculinária n° 37.

           Enfeite da porta de um Quarto


Notas:
O Chefe Silva faz uma chamada de atenção para o cuidado a ter quando se deita a água no caramelo. É necessário ter muito cuidado para não se queimar, nem ficar com a roupa e o fogão sujos.
Entre cada adição de água, mexe-se com a colher de pau para dissolver o caramelo. 


Aproveitei para vos mostrar alguns enfeites simples, que vos poderão dar novas ideias.
Tenham um bom fim de semana!
Beijinhos da 


Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)













LADRILHOS DE MARMELADA (2) ...EU PECADORA, ME CONFESSO!!!

"Pedimos sempre um conselho. Nem sempre para o seguirmos, mas para que nos ilumine".

Este é um Pensamento que me acompanha desde a minha juventude, uma época em que eu me divertia a coleccionar Pensamentos e Receitas Culinárias.
Com o tempo fui descobrindo que acontece exactamente o mesmo, com as receitas. Da primeira vez, sigo a receita à risca, mas à segunda, vai mas é ao meu jeito e a receita é mesmo só para me iluminar!
Por isso, hoje tenho de confessar-vos que aldrabei a receita da Maria de Lurdes Modesto! Ai se a minha Amiga  e dona do http://cozinharcomosanjos.blogspot.com//  vê isto, dá-me já na cabeça! Pronto, foi uma de...criatividade... (invenção de preguiçosa, seria mais verdadeiro, he, he)!
Mas olhem que se eu tivesse tido a paciência necessária e não tivesse tido aquele desastre culinário que vos contei, até podia deitar foguetes, porque não ficou nada mal.
Então fiz assim:


1 Kg de polpa de marmelo cozido e escorrido, desfeito com a varinha mágica.
800g de açúcar branco (pilé)

Coloquei o puré de polpa de marmelo numa taça de pirex e o açúcar noutra e usei a técnica da Nigella: 20 minutos no forno a 180°. Passado esse tempo retirei com cuidado e deitei o açúcar sobre o marmelo e mexi muito bem. Verti tudo para dentro de um tacho de inox e levei a lume brando, com uma grelha no fogão para que a chama não tocasse no fundo do tacho. Durante a primeira hora, fui mexendo de vez em quando e na segunda devia ter mexido sempre até ver o fundo do tacho (sem deixar queimar!!!).
O resto, fiz igualzinho à receita que já vos dei.
Assim, não tive de deitar água nem fazer o ponto de cabelo, o que abreviou o tempo gasto.
O ponto e o sabor ficaram óptimos. O 2° problema foi a teimosia do Sr. Sol que teimou em não brilhar!
Por cima ficou sequinho, mas por baixo ficou um pouco mole. Hoje desenformei e fiz uns quantos quadrados a desengonçarem-se assim mais para os losangos e passei-os pelo açúcar. Agora vão ter de passar uns dias a secar, se o Sol ajudar, mas parece que as previsões meteorológicas são "do contra", pois vem lá muito frio para amanhã e muita chuva para toda a semana!

Um bom fim de semana. Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

LADRILHOS DE MARMELADA

Já devem ter reparado que ando com falta de "genica" na cozinha!
Quero pensar que deve ser do tempo de Outono que propicia à calma e não da idade, he,he!
Aqui há tempos, descobri lá na Biblioteca de Castelo Branco um livro que me chamou à atenção. Chamava-se "Comer e Beber com Eça de Queiroz" - Editora Index (1955 - Rio de Janeiro).
É isto que me dá raiva! Têm de ser os nossos irmãos brasileiros a editar e a tornar conhecidos os escritores portugueses! Por que é que têm sempre de ser os estrangeiros a louvar os nossos valores, que tão desprezados são na sua própria Pátria?
Esta prosa levar-me-ia a grandes considerações àcerca da Educação e da Cultura que já não temos nas nossas Escolas. E isso dói-me no mais fundo da alma. Por isso, vamos lá até à cozinha!...
No livro de que vos falo, vem um conjunto de receitas compiladas da Obra de Eça, e testadas por uma grande Senhora da Culinária Portuguesa: Maria de Lurdes Modesto.
Eu anotei algumas e dentre elas, guardei a dos Ladrilhos de Marmelada para fazer quando viesse o tempo dos marmelos.
São aqueles quadradinhos de marmelada que antigamente se compravam nas Pastelarias, envoltos em açúcar pilé, bem sequinhos e embrulhados em papel de celofane. Lembram-se?
Os mais célebres eram os do Convento de Odivelas, onde D. João V "ia tomar chá" muitas vezes (he,he, são célebres estas suas aventuras...)
Estes Ladrilhos de Marmelada faziam parte em alguns dias, da sobremesa do Instituto do Professorado Primário onde passei grande parte da minha adolescência. Talvez por isso e também por me parecer que já estão extintos, lembrei-me de a partilhar convosco, apesar de não ter sido muito bem sucedida desta vez.

            Ladrilhos de Marmelada

2 kg de marmelos
açúcar e água

Lavam-se os marmelos. Cortam-se aos quartos, descascam-se e retiram-se os caroços.
Coze-se a polpa até ficar bem macia e passa-se pelo passe-vite (usei a varinha mágica).
Pesa-se o puré de marmelo e toma-se igual peso de açúcar.
Deita-se o açúcar num tacho, rega-se com metade do seu peso em água, deixa-se ferver até obter ponto de cabelo. Nessa altura junta-se o puré de marmelo e, sem parar de mexer, deixa-se ferver tudo até se ver bem o fundo do tacho (ponto de estrada).
Passa-se um tabuleiro por água fria e deita-se dentro a marmelada. 
Alisa-se a superfície e põe-se ao sol para ganhar uma crosta (2 ou 3 dias).
Depois desenforma-se a marmelada em cima de uma tábua e corta-se em quadradinhos.
Passam-se um a um por açúcar pilé (branco, granulado) e põem-se ao sol num tabuleiro, durante vários dias, até o açúcar da superfície cristalizar. Vão-se voltando para secarem por igual.

Notas dos meus desastres culinários: Eu achei por bem pôr tudo em lume brando e só mexer de vez em quando. Durante a primeira hora correu muito bem, mas depois... quando fui dar mais uma mexidela, já não se via o fundo do tacho! Pois foi: pegou no fundo.
Tinha já preparado o tabuleiro que forrei com papel vegetal  (Glad). Deitei a marmelada e parecia o bolo mármore, pintalgado de pequenas manchas mais escuras!!!
Depois pus ao sol. Mas qual sol, se começou logo a chover?
E assim estamos, entre o seca, não seca... Se calhar vai acabar em tacinhas de compota de marmelo ou nalguma sobremesa!...

Beijinhos da
Bombom ( Tia Fátima ou Avó Fátima)

ARROZ DOCE DA BEIRA ALTA


Na minha casa não era hábito fazer-se arroz doce. Às vezes, quando acompanhava alguma colega da Escola a sua casa, ofereciam-me um pratinho de arroz doce que tinha sobejado de alguma festita ou comemoração. Acho que só provei na primeira vez, pois o aspecto deslavado e seco não era nada apelativo.
Um dia, já casada, o marido disse-me que tinha saudades do arroz doce que a Mãe fazia e que era confeccionado só com leite. O problema é que a Mãe dele tinha falecido há muito tempo e eu não sabia a receita.
Nos livros só encontrava receitas em que se abria o arroz em pouca água, e só depois se adicionava o leite. Até que um dia falei à minha Mãe neste meu "problema".
Ela, em conversa com uma colega da Beira Alta, ficou a saber que havia uma receita antiga, em que o arroz doce era cozido só em leite. E ofereceu-ma.
Como fiquei aprovada logo "à primeira", nunca mais deixei de o fazer.

ARROZ DOCE (à Moda da Beira Alta)

1 litro de leite
1 chávena (xícara) de café de arroz carolino (sem lavar)
1 pau de canela
Vidrado de meia casca de limão
2 colheres de sopa de açúcar(ou a gosto)
3 gemas de ovos

Põe-se o leite ao lume com a casca de limão e o pau de canela. Quando ferver deita-se o arroz, mexe-se e deixa-se levantar fervura de novo. Reduz-se o lume para o mínimo e deixa-se cozer por cerca de 25 minutos, mexendo de vez em quando. Nessa altura incorpora-se o açúcar, mexe-se e deixa-se cozinhar por mais 10 ou 15 minutos.
Prova-se e se já estiver cozido, juntam-se as gemas batidas, mexendo cuidadosamente.
Retira-se do lume e deita-se numa travessa ou em pequenos pires e decora-se com canela em pó.

Notas - Deve ficar muito cremoso. Se ficar seco, pode-se ir juntando mais leite.
- Isto só acontece se o lume estiver demasiado quente.
- Dá para cerca de 8 tacinhas ou pires.

Beijinhos.
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

PSICOLOGIA DOS CONTOS DE FADAS E...

Antes de mais, quero prestar aqui uma singela homenagem ao autor da História do Capuchinho Verde e do Lobo Bom. Se a memória me não trai, ele escreveu muitas outras histórias e todos nós o conhecemos bem ou da Rádio, ou da TV. Júlio Isidro, com quem passámos tantas tardes de Domingo em Passeios Alegres! Ele que deu a mão e lançou tantos bons Artistas Portugueses. BEM HAJA!

Eu já calculava que ninguém gosta de lobos maus, nem de madrastas más, nem de bruxas. Nós só gostamos de fadas, príncipes e princesas, não é verdade? É normal.
Quando era pequena adorava ouvir contar histórias.
Depois do 25 de Abril, houve um período largo de grande contestação e lembro-me de ter lido nos jornais, uma crónica a "deitar abaixo" as Histórias Infantis Tradicionais, pelos motivos atrás mencionados.
Eu, como nunca embarco em teorias ditas "novas", nem sequer de Psicologia, sem estar documentada, calei este meu desacordo, mas não tinha bases para argumentar em contrário.
Uns anos depois, numa acção de Formação para Professores, ministrada por uma Professora de Psicologia da EMPL (Escola do Magistério), entre outros assuntos, lemos e debatemos, o livro PSICOLOGIA DOS CONTOS DE FADAS.
Já o procurei nas minhas estantes, mas não consegui encontrá-lo e não sei de cor o nome da autora.
E gostei de o estudar, porque ele mostra por que são tão importantes para o bom desenvolvimento da Criança.
É verdade que não há lobos maus, nem bruxas com vassouras, etc. Mas na vida, encontram-se muitos lobos maus encobertos e bruxos e bruxas más. Basta abrirmos os jornais diários. E todos os pais desejam que eles nunca vejam os seus filhos. E também sabemos que as crianças, muitas vezes são desobedientes, que o medo as faz mentir, etc.
É aqui que entram os contos de fadas. Com a História do Capuchinho Vermelho as crianças aprendem e nunca mais se esquecem, que se desobedecerem à mãe, podem sofrer o castigo que esse acto provoca (não a mãe): vem o lobo mau e come a avó.
Aqui ela sente medo (o castigo), mas vem logo o caçador que liberta a avó e acaba tudo em bem.
Também as histórias com uma madrasta má, servem de catarse para que as crianças se livrem de tensões familiares, que nem elas sabem explicar e que podem marcar negativamente a sua personalidade se não forem libertas.
É preferível transmitir todos estes valores através de histórias que as crianças nunca mais esquecem, a darmos-lhes grandes sermões e lições de moral que entram por um ouvido e saem por outro.

Como já "perdemos " muito tempo, vamos lá para a cozinha preparar uma sobremesa gulosa muito rápida para o jantar. A minha Mãe chamava-lhe


Baba de Moça

1 ovo
1 colher de sopa de açúcar
1 colher de de sopa de água

Preparação: Bate-se o ovo com a batedeira, até ficar com a consistência de claras em castelo (amarelinhas).
Leva-se ao lume num tachinho a água e o açúcar até ferver bem. Junta-se o ovo batido e envolve-se cuidadosamente, mexendo até ferver. Retira-se imediatamente e deita-se em tacinhas individuais.

Notas:
- dá para cerca de 3 ou 4 tacinhas.

Boa semana. Beijinhos.

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

A MINHA PROFESSORA DE INSTRUçAO PRIMÁRIA....E REBUçADOS CASEIROS

Começo por pedir desculpa por causa de os ç irem escritos com letra minúscula, mas ou o defeito é meu, ou o meu computador que é estrangeiro, se recusa a deixar-me escrever em português. Como eu sou muito teimosa, segundo diz o Provador Oficial do Estaminé (mas não há um teimoso sozinho, he,he), um reles computador "não me levará a melhor"!

A minha Professora de Instrução Primária ainda é viva e devo-lhe quase tudo o que sei! Fez 94 anos em Janeiro e estive com ela.
Trabalhava na Escola Feminina do Bairro da Boa Vista que já não existe, onde era Directora.
Era um bairro social da Câmara Municipal de Lisboa, construído provisoriamente (mas que ficou definitivo por muitos anos) com casas de lusalite e o edifício da Escola não fugia à regra. Hoje sabemos que este material é altamente cancerígeno, mas nessa altura não se sabia.Ou, se o sabiam, calaram-se bem calados.
Era o tempo do lápis azul e da Censura. Lembram-se?
Os moradores do Bairro eram varredores da CML e as mulheres eram, ou varinas ou vendedoras ambulantes. Como calculam, o ambiente na minha Escola não era muito fácil, além de que havia muitas crianças desprotegidas e em risco. Lembro-me de haver para aí umas doze ou treze Professoras.
Com Ela aprendi a ler, escrever, contar, fazer problemas, cantar, costurar (sim, nessa altura fazia parte do Programa!), eu sei lá, de tudo um pouco!
O bairro onde eu vivia ficava a cerca de 2 Km e eu e mais garotos íamos todas as manhãs com ela para a Escola.
Depois das aulas ela ia almoçar a casa, e à tarde ainda dava explicações. Muitas vezes era chamada para Presidente do Júri, nos exames.
Tinha uma vida difícil porque na altura (se fosse só nessa altura!) os Professores ganhavam pouco. Ainda por cima, como tinha muitos filhos, volta e meia lá tinha de ir a correr ao Hospital com algum de cabeça partida ou a deitar sangue sem parar, pelo nariz.
Mas era Professora e Mãe para todos os alunos e exigia a todos por igual!

OBRIGADA, MÃE, porque tudo o que sei da Vida a TI o devo!

Um beijinho no teu coração! Ia dizer um bombom, porque sei que gostas, mas aprendi esta expressão com as Amigas Brasileiras e acho-a tão doce, que ta ofereço. Quando aí for visitar-te levo-te uma caixa inteira!



Agora vamos para a Cozinha! A Tia Fátima, não queria que eu pusesse aqui esta receita, por ser tão simplória, mas eu adorava estes rebuçados que a minha Mãe fazia "à pressão" para mimar os filhotes que eram 9 e não havia dinheiro de sobra para mimos! Sim, que na altura - anos 50 - não havia financiadoras, nem cartões armadilhados a acenar com dinheiro que não temos e que depois ...pagamos" com língua de palmo".
As medidas são aleatórias, ou seja, cada um toma as que quer. Para começar, unte com um pouco de óleo a pedra do balcão da cozinha.

Rebuçados Caseiros

1 tigela média com água fria
1 chávena (xícara) de açúcar amarelo (pode ser branco mas é mais caro e menos saudável)
0,5 dl de água (50 ml)
1 tachinho

Reserve por perto a tigela de água fria.
Deite no tachinho o açúcar e a água, mexa e leve ao lume até ferver.
Quando começa a ficar loirinho e em caramelo apaga-se o lume.
Deitam-se colheradas de caramelo dentro da tigela com água que se reservou.
Ao arrefecer vai borbulhar e pode ficar com feitios. Retiram-se logo com a ajuda de um garfo ou espátula, e vão-se colocando em cima da pedra untada.


Notas:
- Talvez possam ser embrulhadas em papel celofane, mas lá em casa nem dava tempo, que as "marabuntas" não deixavam!
- Acho que esta receita não se deve guardar. Para isso devia secar primeiro e eu nunca experimentei.
- Se quiserem aprender mais e muito melhor, vão ao "flagrantedelicia" que é um Espectáculo! Não se vão arrepender. Ah! E vão juntando as economias (dos cafés, dos cigarros, dos autocarros), porque faz muito bem andar a pé. Dentro de pouco tempo vai sair um Livro de Receitas da Leonor e eu já tenho "água na boca"!

Beijinhos caramelizados da

Bombom = Avó Fátima = Tia Fátima

P.S. (post-scriptum...nada de confusões, he,he)! Já perceberam por que é que só deixei a Tia Fátima, por castigo, assinar no fim? (He,he)! Porque ela não queria deixar-me dar-vos esta receita, por ser tão comezinha! Eu acho que "em tempo de guerra não se limpam armas" ou será que já não estamos em crise?
Bjs.