NA ROTA DO ROMÂNICO - Parte IV

  O Castro de Monte Mozinho ou Cidade Morta


O Castro de Monte Mozinho, também conhecido por Cidade Morta, é o maior castro romano da Península Ibérica.
A maior parte dos vestígios remontam ao séc. I mas também foram encontrados muitos artefactos de séculos anteriores, nomeadamente desde o séc. V aC (antes de Cristo).
Por essa altura, encontrava-se a Península ainda na idade do ferro, os autóctones viviam em casas redondas cobertas de colmo, agrupadas em pequenos grupos mais ou menos dispersos.


 Castro em Monte Mozinho

Os romanos  estavam muito mais evoluídos, já na idade do bronze e viviam em casas rectangulares cobertas de telha.

 Habitações romanas

Souberam que aqui perto havia minas de ouro e entraram em negociações com os povos da região. Convenceram-nos a deixar os seus pequenos castros e a virem para Monte Mozinho. Aí construiriam as suas habitações próprias (redondas) e os romanos construiriam as suas (rectangulares).
Foi o início do Castro de Monte Mozinho.

Entrada para a cidade

Esta era a entrada principal para o interior da cidade. Sobre o monolito que se vê à direita, existia uma estátua de um guerreiro galaico, da qual foi encontrado um fragmento quando das escavações.  
A peça encontrada está na sala de Arqueologia do Museu de Penafiel.

 Fragmento da estátua de um Guerreiro Galaico (da cintura para baixo)

Neste fragmento, podemos observar o saio e os membros posteriores, numa escultura em granito.


 Acrópole

No cimo do Monte fica a Acrópole, rodeada por um muro que com uma bancada a toda a volta.

 Muro envolvente da Acrópole, com bancada

Durante as escavações foi encontrado um pote de moedas romanas em ouro, numa habitação exterior à cidade, que se encontra em exposição no Museu de Penafiel.

 Pote de moedas romanas em ouro (Castro de Monte Mozinho)

No Museu de Penafiel, na Sala de Arqueologia, podem ver-se inúmeros artefactos de várias épocas, encontrados durante as escavações do Castro de Monte Mozinho. 

 Tenho de referir que fomos muito bem atendidos pelo funcionário do Centro de Interpretação do Castro de Monte Mozinho, que nos iniciou no historial deste território .

Só é pena (e mais uma vez perdoem-me o desabafo) que no local as tabuletas explicativas estejam tão desgastadas que ninguém consegue ler nada do que lá esteve escrito.  

A placa é de metal (duradouro) mas a inscrição é de material plástico que, com o tempo, se deteriora.

 Aqui, ainda se percebe que é a Acrópole, mas nada mais.
Mais uma vez, tanto a Autarquia como o Ministério da Cultura deviam envergonhar-se deste mau serviço público.

Desejo a todos os que por aqui passarem, uma boa semana.
Beijinhos da 
Bombom 

NA ROTA DO ROMÂNICO - Parte III




             

Memorial de Ermida

O Memorial de Ermida está muito bem enquadrado num Jardim público. É um dos únicos 6 exemplares que restam no nosso país, todos nesta zona do Norte do país.
Não se sabe ao certo qual era a sua funcionalidade, pois não se encontrou qualquer registo escrito.
Faz lembrar um altar, mas a "mesa" é arredondada.
Os memoriais estavam situados perto de estradas ou cruzamentos, em zonas de passagem de funerais.

 Pormenor do suporte, do lado direito  - estilo românico rural - decorado com a cabeça de um boi

As características do Memorial de Ermida levam a pensar que foi construído em meados do séc.XIII.

          Suporte da "mesa", do lado esquerdo, com a escultura de uma cabeça de cabra.

Os Memoriais de Ermida, Sobrado, Santo António, Alpendorada e Lordelo, segundo a tradição, estão relacionados com a trasladação do corpo da Princesa D. Mafalda - filha do Rei D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques -  desde Rio Tinto até ao Mosteiro de Arouca onde ficou sepultada.

Nós ainda fomos a Alpendorada e ao Sobrado, mas não conseguimos encontrar os respectivos memoriais. Infelizmente, nem as Autarquias nem o Ministério da Cultura se preocupam  verdadeiramente em dar a conhecer estes Monumentos e a sua História.


Memorial de Ermida

Bom fim de semana.
Beijinhos da 

Bombom 

NA ROTA DO ROMÂNICO - Parte II


Mosteiro de Paço de Sousa


O  Mosteiro de Paço de Sousa foi fundado no ano de 961 (séc. X) e é considerado como sendo um dos maiores legados do românico no nosso país.
É no interior da igreja que se encontra sepultado Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques (1146).
No seu túmulo pode ler-se a inscrição: "dar a vida a troco da palavra mal cumprida".

Porta de Entrada, com as colunas encimadas por esculturas de cabeças de animais. 

Torre sineira do Mosteiro de Paço de Sousa

                       Claustros



Esta ponte antiga que atravessámos para entrar na Igreja e por onde passa um ribeirito, outrora devia ter feito parte da grande quinta do Mosteiro.



 Este Cruzeiro também deve ter feito parte do território do Mosteiro.

Bom fim de semana.
Beijinhos da

Bombom

NA ROTA DO ( ESTILO ) ROMÂNICO - Parte I

Igreja de S. Gens de Boelhe

 O estilo Românico aparece no território que é hoje Portugal em meados do séc. XI, quando Fernando Magno de Leão conquista Coimbra aos Mouros em 1064, mas é já no tempo de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I que se dissemina pelo Norte e Centro.
Tem origem em construções monásticas e religiosas e está relacionado com a fase de povoamento e reorganização do território, depois das conquistas de D. Afonso Henriques aos Mouros. 

A Igreja Românica de Boelhe foi construída na segunda metade do séc. XIII e é considerada como um dos melhores exemplares das expressões decorativas do românico rural.

Porta de Entrada com colunatas rendilhadas 

Outro belo exemplo, é a Igreja do Salvador de Cabeça Santa, mandada construir pela filha de D.Sancho I,  D. Mafalda (neta de D. Afonso Henriques), no segundo quartel do séc XIII (cerca de 1230).

 Igreja do Salvador em Cabeça Santa

Em frente da Igreja, ergue-se a torre sineira e do relógio.

  Torre sineira e do relógio, da Igreja do Salvador de Cabeça Santa

Em baixo mostro-vos em pormenor, a parte superior das colunas que suportam a porta de entrada.

 Lado esquerdo da porta 

Os motivos escultóricos de animais, florais e humanos, são típicos do românico rural.

  Lado direito da porta

 E termino por hoje o nosso passeio. Amanhã mostro-vos mais um pedacinho deste Portugal (quase) desconhecido.
Um abraço da 

Bombom 

AS TERMAS DA TORRE - ENTRE-OS-RIOS

Edifício das Termas da Torre em Entre-os-Rios

A Quinta da Torre  onde se situa o Hotel Inatel e as Termas, fica a cerca de 4km de Entre-os-Rios, na estrada que segue para Penafiel.

 Átrio de Entrada

Durante a época em que as Termas funcionam, há Médico diàriamente. É ele que perscreve  os tratamentos.
As águas sulfurosas de Entre-os-Rios, são as que têm o teor de sulfuretos mais elevado do país.
São recomendadas para diversas doenças dos ossos, como reumático, artroses, inflamações osteoarticulares, doenças de pele como a psuríase e outras, e ainda doenças respiratórias, como asma, rinite, sinusite, etc.

 Banheira de Hidromassagem

Um dos tratamentos que fiz foi hidromassagem e não resisti a fotografar uma banheira muito antiga, hoje digna de Museu.

  
Uma banheira em mármore, relíquia dos antigos balneários, em que as massagens eram dadas com a ajuda de uma mangueira.

  
Em frente ao edifício das Termas, ergue-se uma pequena Capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. É muito bonita, como podem ver.

Tenham uma boa semana.
Beijinhos da 

Bombom

  

TERMAS DA TORRE - ENTRE-OS-RIOS

Ponte sobre o rio Tâmega (à esq.), onde ele se encontra com o rio Douro em frente a Entre-os-Rios

Hoje deixo de lado a Culinária para vos falar de Passeios e Paisagens, porque "nem só de Pão vive o Homem".
Depois de um inverno atribulado por causa do reumático e das artroses, fomos "a banhos" para as Termas de Entre-os-Rios que ainda não conhecíamos bem. É um sítio lindo, com imensos lugares a descobrir, na Rota do Românico (que eu desconhecia).

 Fachada do Hotel Inatel de Entre-os-Rios

Ficámos alojados no Hotel do Inatel, o  antigo Palacete do dono da Quinta da Torre, proprietário das Termas e próspero comerciante do Porto.

 Átrio de Entrada - Sala de espera e Recepção

O Hotel  e o edifício das Termas ficam envoltos  pela Mata onde passa um rio afluente do Tâmega. Tem vários espaços desportivos, como um Campo de Futebol e outro de Volley ou Badmington e diversos percursos pedestres onde se pode relaxar e curar o stress, só de olhar a beleza da paisagem.

 O Campo de Jogos e a mata envolvente.

 Este é o campo de Volley e ao fundo à esquerda, pode ver-se uma pequena esplanada ao ar livre.

Tanto o Hotel como as Termas recebem qualquer pessoa mesmo sem ser sócia do Inatel embora os sócios beneficiem de um pequeno desconto no hotel (tanto na estadia como nas refeições).
O ambiente é muito bom e o pessoal é muito simpático e prestável. O preço, em comparação com outros, é bastante acessível.
Gostei e recomendo. Amanhã falo-vos das Termas.

Beijinhos da 
Bombom 

MONSERRATE...PARQUE E PALÁCIO


Sabiam que a melhor época para visitar Sintra é o Outono?
Nesta época do ano o clima é mais ameno e o ar é mais límpido, por isso tem-se melhor visibilidade.
Trago-vos hoje as imagens de um passeio que dei há poucas semanas atrás. Espero que gostem.

                 Palácio de Monserrate em Sintra

Gérard de Visme, comerciante inglês que possuía a concessão da importação do pau-brasil, foi o responsável pela construção do primeiro palácio em Monserrate.
Em fins do séc. XVIII o célebre escritor inglês William Beckford  (1760-1844) comprou a propriedade e reconstruiu o palácio, longe ainda da traça actual.

  Vista de uma das janelas do Palácio. "As árvores morrem de pé".

Lord Byron, poeta anglo-escocês, visitou Monserrate em 1809 e, encantado com a paisagem, escreveu o poema Childe Harold`s Pilgrimage, dando assim a conhecer aos ingleses este belo local.
Em meados do séc. XIX a propriedade foi adquirida pelo milionário inglês Sir Francis Cook que em 1856 a mandou reconstruir para residência de verão da família. Foi ele que concebeu o actual Jardim Romântico e todo o Parque envolvente.

           Lago de Nenúfares

"Esta antiga propriedade rural de 33 hectares, alberga uma notável colecção botânica com espécies de todo o mundo, plantadas por zonas de origem, compondo cenários contrastantes ao longo de caminhos sinuosos, por entre ruínas, recantos, lagos e cascatas". - Prospecto do Turismo

Esta é uma das muitas árvores gigantescas deste belo Jardim.
Aqui se pode passar uma tarde ou um dia inteiro. Tem uma Cafetaria  muito acolhedora, um Restaurante  e também uma pequena Loja de Recordações.


Horários de Visita:
Época Alta
Parque - 9h e 30 às 20h
Palácio - 9h e 30às 19h

Época Baixa
Parque - 10h às 18h
Palácio - 10h às 17h

Quem não tem carro pode viajar no combóio de Lisboa - Sintra. Na Estação de Sintra apanha o autocarro n° 435 da Scotturb até Monserrate.
Quem quiser ficar a conhecer todos os recantos do Parque sem se cansar muito, pode viajar num pequeno trem dentro do Parque, que faz esse percurso de hora a hora por pouco dinheiro (pouco mais de 1 euro, mas não estou bem certa).

Com votos de uma boa semana para todos os que por aqui passarem.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

P.S. - Este "post" foi publicado em Outubro de 2014. Hoje estive a actualizar as fotos porque não o fiz quando mudei o visual de O Meu Estaminé e as fotos antigas apareciam deformadas. Acontece que devo ter feito algum disparate e ele saiu do sítio, aparecendo como se tivesse sido publicado hoje.  As minhas desculpas pela "nabice". Como o tema vem a propósito, não apaguei.
Beijinhos da Bombom

UMA "FUGIDINHA" ATÉ SERPA

Vista geral de Serpa
 
Na semana passada comemorámos 49 anos de casados, com um passeio pelo Alentejo.
Já só nos faltava conhecer este pedacinho de Portugal (Continental): Serpa, Moura e Barrancos.

Uma das diversas Portas de Serpa

O Centro Histórico intramuros tem muito para descobrir.
O Castelo de origem árabe foi reconstruído nos fins do séc. XIII e ficou muito danificado em 1707. Hoje restam as suas ruínas e grandes extensões de muralhas que embelezam algumas das suas ruas.


As ruas estreitas são ladeadas de casas brancas, umas simples com chaminés castiças de tipo árabe, outras senhoriais como a que se vê na foto acima.


Passeando na Rua dos Fidalgos, encontramos este excerto de muralha de um lado e no lado oposto uma série de casas burguesas do séc. XIX ...


...com o escudo heráldico indicativo da família.

Serpa tem muitos motivos de interesse: o Museu de Arqueologia, o Museu de Etnografia, o Museu do Relógio, o Palácio dos Condes de Ficalho,  diversas Igrejas, a Torre do Relógio ( que está toda tapada por causa das obras) e um belo Jardim Municipal que está fechado há 2 anos porque há-de entrar em obras(!!!) e só se vê de fora. São as incongruências de uma Autarquia que tinha a obrigação de ser mais eficiente.
A esta minha crítica acrescento outra que é o facto de estar muito mal assinalada para os turistas. Andámos perdidos umas poucas de vezes e valeu-nos a população que é de uma atenção e simpatia extrema.


Esta é a fachada da Igreja de Santa Maria que fica situada no Largo dos Santos Próculo e Hilarião e em frente da qual se ergue a Torre do Relógio.
Os Santos Próculo e Hilarião, que estão representados sobre a porta, são naturais de Serpa, o que para mim foi uma novidade. 
Ficámos alojados na Casa de Serpa, um Turismo Rural muito simpático que fica situado mesmo no centro histórico.
No dia seguinte rumámos a Moura e Barrancos. O relato vem já a seguir...

Beijinhos da 
Bombom 

TEATRO ROMANO DE LISBOA




O Teatro romano de Lisboa, então chamada de Felicitas Júlia Olisipo, foi construído no início do séc. I d. C. (depois de Cristo), pensa-se que na época do Imperador Augusto.
As ruínas das bancadas encontram-se sob a rua da Saudade e a área principal que coincide com o edifício cénico situa-se sob a rua de São Mamede, próximo da Sé de Lisboa.

               Entrada Monumental Nascente

O Teatro tinha 4000 lugares e foi construído "seguindo as normas definidas por Vitrúvio, arquitecto da época de Augusto, que estabeleceu as formas de construção e normas arquitectónicas do Império Romano.

           Uma bancada na zona superior

Em baixo, aspecto que teria uma bancada - reconstituição:


 "Ao longo das diversas intervenções arqueológicas realizadas na área do Teatro, registaram-se ocupações de variadas épocas, algumas anteriores à construção  do edifício cénico e outras de épocas  posteriores.
Foi possível confirmar pelos testemunhos encontrados, uma intensa e efectiva ocupação humana  durante a Idade do Ferro (séc. VIII a.C a séc. III a.C) e durante a época republicana (séc.II a.C) aquando da chegada dos primeiros contingentes militares romanos à região de Lisboa.

 Artefacto da Idade do Ferro: Veado com pássaro pequeno nas costas

Quando, nos inícios do séc. I a.C se edificou o Teatro, foi efectuado o rebaixamento do solo, destruindo as construções pré-existentes. Os objectivos foram alicerçar o edifício e conter a colina.

 Este seria o aspecto da parte do Teatro Romano, de frente para o rio Tejo.

 Estátua de Sileno, mármore de Vila Viçosa, séc.I d. C,  encontrada em 1798

 O Teatro Romano só foi descoberto em 1798, quando da reconstrução da cidade, depois do terramoto de 1755. Data dessa altura  um desenho feito pelo arquitecto italiano Francisco Xavier Fabri, que é um documento ímpar sobre o estado em que as ruínas então se encontravam.
Apesar dos seus esforços para se preservarem as ruínas, depressa elas foram esquecidas e sobre elas e com as suas pedras, foram construídos prédios de habitação.


Na foto acima, pode ver-se o aproveitamento das pedras do Teatro para fazer as aduelas em arco, num edifício posteriormente construído sobre as ruínas do Teatro.
As escavações arqueológicas permitiram recuperar a História anterior ao terramoto de 1755.

 Porta de acesso ao Beco do Aljube, fechado após o terramoto e ocupado por outras construções.

O Museu de Lisboa possui além do Teatro Romano, dois edifícios quase anexos, um do séc. XVIII e outro do séc. XIX. Estes edifícios foram adaptados à nova função de Museu mas conservam as características arquitectónicas originais.
A paisagem que se avista do Museu explica a razão da escolha do local para a edificação do teatro em época romana: a de constituir uma marca do poder do Império. 

                                         Vista sobre o rio Tejo
No séc.I d.C, em que as construções eram baixas e poucas, podemos imaginar a entrada dos barcos romanos e a azáfama que se vivia em Olisipo com a salga do peixe e a confecção dos molhos que eram exportados para Roma.

Espero que não se tenham cansado demasiado com esta viagem que O Meu Estaminé vos oferece hoje. Foi só uma pequena amostra para vos aguçar a curiosidade e não vos mostrei a parte museológica dos artefactos encontrados, como azulejos, pratos potes, bilhas, etc.
  Vale a pena a visita. A entrada custa 2 euros, com 50% de desconto para desempregados, cartão jovem e pessoas com mais de 65 anos.  O Museu fica na Rua de S. Mamede nº 3-A perto da Sé Patriarcal de Lisboa.
www.museudelisboa.pt 

Nota: O texto contém citações retiradas do prospecto informativo do Museu.

Tenham um bom Carnaval!
Beijinhos da 

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)