FIM DO INVERNO...NINHO DE PÁSCOA

Os dias correm e já vem aí a Páscoa!
O Inverno foi longo, chuvoso e frio. A Primavera surgiu ainda receosa, com raios de Sol contrastando com  véus cinzentos...
Mesmo para quem gosta desta Estação do Ano, quando ela é demasiado longa, também farta.
Mas não nos podemos esquecer de que também pode ser um sinal de fartura. Por isso procurei na minha colecção de Provérbios relacionados com a Vida no Campo, e trago-vos alguns que me pareceram mais interessantes.

"Medra o trigo debaixo da neve como o carneiro debaixo da pele."
"Janeiro frio e molhado enche a tulha e farta o gado."
"Janeiro muito frio é sinal de muito trigo."
"Janeiro seco, boa colheita de cereais."
"Quando o Fevereiro for muito frio, é preciso capote em Agosto."
"Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom centeio."
"Em Fevereiro neve e frio, é de esperar ardor no Estio."
"Carnaval na eira, Páscoa na lareira."

Se for verdade que "Voz do Povo é Voz de Deus", tenhamos esperança em que dias de mais fartura virão.
E como não tivémos Carnaval na eira porque choveu bem e fez um frio de rachar por essa altura, espero que a Páscoa seja cheia de Sol para todos e sinal de Ressurreição em todos os corações!
Lembrei-me, por isso, de vos trazer uma receita simples mas sempre alegre, para enfeitar a mesa do Dia de Páscoa.

   NINHO DA PÁSCOA

Para o bolo:
4 ovos
125 g de açúcar
125 g de farinha de trigo
raspa de 1/2 limão
margarina (líquida) para untar a forma

Para o creme:
125 g de manteiga (ou margarina) à temperatura ambiente
60 g de açúcar em pó
125 g + 125 g de chocolate preto (70% cacau)

Para decorar:
1 pacote de amêndoas (tipo Francês)
150 g de fios de ovos (de pastelaria)


Preparação:
Unte uma forma de buraco com margarina e polvilhe com farinha.
Misture os ovos com o açúcar e a raspa de limão e, com a batedeira ou com vara de arames, bata até obter um creme grosso e esbranquiçado, com o dobro do volume inicial.
Com a ajuda de um passador de rede, deite a farinha em chuva e envolva suavemente, de baixo para cima.
Deite o preparado na forma e leve ao forno prèviamente aquecido a 180°, durante 25 a 30 minutos.

Entretanto, prepare o creme de chocolate:
Coloque 125 g de chocolate partido aos pedaços num tacho e leve ao lume em banho maria até derreter.
Numa tigela, junte a manteiga (ou margarina) com o açúcar em pó e amasse muito bem até que amoleçam e possam ser trabalhados com as varas de arame ou a batedeira; junte-lhe o chocolate derretido e bata até obter um creme homogéneo.

Desenforme o bolo e deixe arrefecer.
Com a ajuda de uma faquinha afiada, apare  o bolo na parte interior da chaminé, para lhe dar o aspecto de um ninho. Coloque as aparas de bolo a tapar o fundo, no centro.
Barre o bolo todo com o creme de chocolate. Com uma faca, raspe o restante chocolate em tablete, de modo a obter limalhas ou fitas finas de chocolate. Com a ponta de uma espátula, vá colocando as aparas de chocolate a toda a volta, segurando-as no creme.
Pode polvilhar com açúcar em pó (facultativo). Por fim, coloque os fios de ovos e as amêndoas, dando-lhe o aspecto de um  ninho.

Notas: - Ao derreter chocolate em banho maria, não deixe o fundo do recipiente tocar na água e use
          lume brando para que a água ao borbulhar não salte para dentro do recipiente.
           - Não precisa ferver  a água do banho maria para o chocolate derreter.
           - Nesta receita convém deixar arrefecer um pouco o chocolate para que não derreta o creme de           manteiga.
           - Receita do Chefe Silva na primeira Teleculinária da Páscoa, nos anos 70 (1977 ou 78)
 
Um agradecimento a todos os que me visitam. Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

RECEITAS...COM ÁGUA OXIGENADA... E ÁLCOOL EM GEL

Hoje há ÁGUA OXIGENADA no Meu Estaminé!
Resolvi deixar aqui "na montra" principal, umas quantas curiosidades e outras tantas receitas.
Lembram-se de vos ter dito que as receitas nem sempre seriam de Culinária? Pois é o caso de hoje.
A Água Oxigenada é dos mais baratos descolorantes e desinfectantes que devemos ter sempre em casa.
Numa solução com água a 3% é um dos mais potentes desinfectantes que existem.
- Uma colherada de água oxigenada no copo dos dentes e utilizada para fazer bochechos, mata os germes bucais e branqueia os dentes.
- Manter as escovas dos dentes numa solução com água oxigenada, conserva os pelos livres de bactérias que causam gengivites e outros problemas bucais.
- As tábuas da carne e colheres de pau ficam bem desinfectadas e limpas depois do seu uso, se forem lavadas com água oxigenada. O produto mata qualquer bactéria, incluindo salmonella.
- Um pouco de água oxigenada num pano, desinfecta melhor uma superfície, do que qualquer outro produto. É excelente para usar nas cozinhas e casas de banho.
- Misturada com 50% de água pura (meio por meio), pode ser goteada no nariz em caso de resfriados e sinusites. Esperar 5 minutos antes de se assoar de novo. Isto mata os germes e micro-organismos nocivos.
- Aplicada em banhos nos pés, evita problemas de fungos e mau odor.
- Coagula hemorragias e ajuda à cicatrização. Quando há hemorragias nasais, nada melhor do que um pequeno tampão de algodão embebido em água oxigenada, para fazer estancar ràpidamente o sangue.
- Um pouco de água oxigenada na água do banho ajuda a manter a pele saudável. Também pode ser usada em lavagens, em caso de fungos ou micoses.
- Roupas como toalhas, lenços, lençóis e todas as que estiverem em contacto com secreções corporais ou sangue, podem ser totalmente desinfectadas se se demolharem numa solução com água oxigenada, antes da lavagem normal.
- Use a água oxigenada moderadamente.
- Preserve-a da luz solar. Mantenha-a sempre em lugar escuro e em frasco de plástico. Nunca em embalagem de metal porque o corrói.
- A água oxigenada perde a validade alguns meses após a abertura do frasco. Nota-se, quando ao aplicar deixa de fazer "borbulhas".

A água oxigenada tem um efeito branqueador muito semelhante lixívia, especialmente em tecidos que a não admitem.. Por isso, na roupa de cores é preciso ter cuidado. Na roupa branca pode usar-se para tirar algumas nódoas, sobretudo as manchas amareladas da roupa guardada.

E agora falemos de Álcool em Gel. Todas nós já ouvimos e lemos inúmeras informações sobre a Gripe A.
Com ou sem "bluf", também sabemos que a protecção é o maior meio de combate aos vírus. Como tal, e devido ao facto deste produto ter triplicado de preço, deixo-vos aqui a receita para poderem fazer em casa
Álcool em Gel.

 ÁLCOOL EM GEL (Atenção, não se come!)

2 folhas de gelatina incolor e sem sabor (das de culinária)
1 copo de água quente para dissolver a gelatina.
Deixar arrefecer.
Acrescentar 12 copos de álcool a 96% e mexer.
Está pronto o álcool em gel . Deite em frascos e rolhe bem (tampe).

Nota: - Esta receita circulou na Net e não refere a medida do copo. Como um copo de água leva cerca de 2 dl, precisaríamos de 2,4 l de álcool. Se quiserem fazer só com 1,2 l de álcool, usem meio copo de água quente (1 dl) e 1 folha de gelatina.

E por hoje é tudo. Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

CURIOSIDADES ACERCA DO PÃO...E FOLAR DA PÁSCOA

Não sei se já repararam como a palavra pão está tão arreigada no nosso vocabulário. Quer seja no dia a dia,  em frases idiomáticas ou até em Provérbios populares.
Aqui há tempos fiz uma pesquisa e vejam o que encontrei:

Pão Ázimo - pão sem fermento.
Pão Celeste - Eucaristia.
Pão da Vida - Palavra de Deus.
Pão da Rua - pão melhor que o caseiro.
Pão de amargura - coisa que aflige.
Pão de Milho - broa.
Pão de Munição - pão que se fabrica para dar aos soldados.
Pão de Proposição - diz-se dos 12 pães que se ofereciam a Deus, na Antiga Lei (Antigo Testamento), nos dias de sábado e que só os Padres e Levitas podiam comer.
Pão do Altar - Hóstia.
Pão do Espírito - Instrução.
Pão dos Fortes - o Evangelho para os Cristãos.
Pão Francês - pão fino, de sabor excelente.
Pão Molete - pão alvo, no Norte de Portugal.
Pão Sagrado - pedaço de cera benta que se encaixa nos relicários.
Pão Segundo (ou de segunda) - pão escuro trigueiro, nas Beiras; no Norte é chamado de "sêmea".
Pão Terçado - pão de mistura de trigo, milho e centeio.
Terra de Pão - seara.

Claro que não se esgotam aqui. Se conhecerem outras e quiserem partilhar, eu agradeço.
Agora vejam algumas frases que considero idiomáticas:

"Comer o pão que o diabo amassou" - passar muitos trabalhos e dificuldades.
"Estou no meu pão pingado" (Alentejo) - estou como quero.
"Ganhar o pão com o suor do seu rosto" - trabalhar muito para alcançar o salário.
"Pão pão, queijo queijo" - diz-se de quem é franco e diz o que pensa sem rodeios.
"Estar na mó de baixo" - estar sem dinheiro.
"Meter as mãos na massa" - trabalhar.
"Picar a cevada na barriga" - ter a mania das grandezas.
" Sustentar burros a pão de ló" - dar coisas boas demais a quem não agradece.

E como os Provérbios àcerca do Pão são muitos e eu não vos quero enfadar, deixo-vos só quatro, para terminar.

"Mesa sem pão, é mesa de ladrão".
"Caldo sem pão, só no inferno dão".
"Não é pela côdea que se avalia o pão".
"Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho de arregalar os olhos."

Como vem aí a Pascoa e nem sempre há tempo para fazermos tudo o que queremos, deixo-vos  aqui uma receita prática de Folar da Páscoa retirada da Revista do Clube de Consumidores da Lusitana, ou seja das Farinhas Branca de Neve e Espiga.

FOLAR DA PÁSCOA

1 embalagem de farinha Branca de Neve para Pão de Brioche
3 ovos cozidos
1 ovo
Geleia para pincelar
Fios de ovos para enfeitar

Aqueça o forno a 200°. Forre um tabuleiro com papel vegetal (Glad).
Prepare a massa com a farinha Branca de Neve para Pão de Brioche, seguindo as instruções da embalagem.
Deixe levedar em local quente até atingir quase o dobro do tamanho inicial. Retire cerca de 150 g da massa para decorar e com a restante, molde uma bola. Coloque-a no tabuleiro.
Disponha os ovos cozidos no centro e calque-os um pouco. A seguir pincele com parte do ovo batido.
Com a massa que reservou, molde tiras e coloque-as à volta e por cima dos ovos, como que a prendê-los.
Deixe levedar novamente em local quente até atingir quase o dobro do tamanho. Pincele com o restante ovo e leve ao forno a 200°, durante cerca de 40 minutos. Retire depois de cozido, deixe arrefecer e pincele com geleia. Finalize a decoração do folar com fios de ovos à volta.

Notas: - Esta receita tanto pode ser feita "à mão" como na MFP.
           - A receita pede apenas para juntar à farinha de brioche, 220ml de água morna (o que a torna muito prática) mas eu uso apenas 200 ml  porque de outro modo ficava muito mole e tinha de ir acrescentando mais farinha ( na MFP).
           - Ligue só o forno quando faltarem 15 minutos para meter o folar. É suficiente.
           - Na receita original pede um tabuleiro untado com manteiga e polvilhado com farinha. Se forrarem com papel vegetal Glad, poupam esse trabalho e ficam com o tabuleiro limpo e pronto a arrumar.

Obrigada aos 2500 leitores (e leitoras, claro) que nestes dois meses de existência, me deram a honra da sua visita. Um agradecimento especial a todos/as quantos enriqueceram O Meu Estaminé com os seus comentários. E não podia deixar passar sem referir o quanto me tocou, o facto de o blog COZINHAR COM OS ANJOS ter experimentado e publicado com as fotos, algumas das receitas aqui apresentadas. Obrigada, Isabel!
Para todos, um grande abraço da
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

PRIMAVERA, CASA FINA, E ...SNICKERDOODLES

Chegou a Primavera! Um pouco receosa no primeiro dia, ainda vestida de cinzento escuro e muito molhada, para logo a seguir nos mostrar uns raios de Sol a despontar por entre núvens que, a pouco e pouco, parecem querer dissipar-se.
É o tempo de aclamar o Sol e dar uns bons passeios sempre que isso for possível...
E de lanchar fora de vez em quando, por que não?
Sabem? É que eu fiz uma descoberta e quero partilhá-la convosco.
Descobri que aqui na minha zona de Sintra (no Mucifal) há uma Fábrica de Biscoitos, Bolos e Compotas Gourmet! A CASA FINA.
Não vos conto a história, para poderem saboreá-la em
www.casafina.net
"Um jovem casal, pegou nos segredos das Avós e reinventou uma fábrica de bolachas artesanais. Hoje, os frascos da Casa Fina vendem-se em Lojas Gourmet em todo o país. A última criação são as Bolachas de Cerveja...."
Mas não são só bolachas, são também Compotas e Geleias artesanais. E vendem-se em mais de 80 Lojas, de norte a sul. Só em Castelo Branco é que não há, mas...quem sabe, quando eu  for de Férias Grandes (he,he, férias de férias!!!), talvez possa "puxar para lá a brasa à minha sardinha"!

E, já que estamos a falar de Bolachas, vou dar-vos uma receita de umas bolachas americanas deliciosas e que os meus nètinhos adoram. A receita foi-me dada e traduzida pela minha Nora A.

      SNICKERDOODLES

115 g de manteiga
200 g de açúcar
1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio
1/4 de colher de chá de cremor tártaro
1 ovo
1/2 colher de chá de essência de baunilha
190 g de farinha
2 colheres de sopa de açúcar branco (granulado)
1 colher de chá de canela

1 - Numa tigela média, bata a manteiga com uma batedeira eléctrica, em velocidade média ou alta, durante 30 segundos. Adicione o açúcar, o bicarbonato de sódio e o cremor tártaro. Bata até todos os ingredientes se encontrarem combinados, raspando os lados da tigela, ocasionalmente. Acrescente o ovo e a baunilha. Incorpore a farinha que conseguir com a batedeira eléctrica. Usando uma colher de pau, adicione a restante farinha. Cubra com um pedaço de "film" e leve ao frigorífico durante 1 hora.
2 - Numa tigela pequena, misturar as duas colheres de sopa de açúcar com a canela. Forme bolinhas de massa com 2,5 cm de diâmetro. Role-as na mistura de açúcar e canela até se encontrarem completamente revestidas. Coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal, deixando entre elas um intervalo de 5 cm.
3 - Coza em forno pré-aquecido a 190° C, por 10 a 11 minutos, ou até que as bordas fiquem douradas.
Transferir para uma grade para arrefecerem.

Notas: Rende cerca de 24 bolachas.
           Cá em casa usamos apenas 150g de açúcar.
           Pode substituir o bicarbonato e o cremor tártaro por 1 colher de chá de fermento em pó.
           Depois de frias podem guardar-se num frasco ou caixa hermética.

EDUCAR...E OVOS COM COGUMELOS EM TIGELINHAS

Ainda a propósito de Educação...
"Conta-se que o Legislador Licurgo foi convidado a proferir uma palestra a respeito de Educação.
Aceitou o convite mas pediu, no entanto, seis meses para se preparar. O facto causou estranheza pois todos sabiam que ele tinha capacidade e condições, de falar a qualquer momento. E por isso o tinham convidado.
Transcorridos seis meses, compareceu ele perante a assembleia em expectativa.
Postou-se à tribuna e, logo em seguida, entraram criados trazendo quatro gaiolas. Em cada uma havia um animal, sendo duas lebres e dois cães.
A um sinal prèviamente estabelecido, um dos criados abriu a porta de uma das gaiolas e uma pequena lebre branca saiu a correr, espantada.
Logo em seguida, o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu em desabalada correria, ao encalço da lebre. Alcançou-a com destreza, trucidando-a ràpidamente.
A cena foi dantesca e chocou todos os presentes. Uma grande comoção tomou conta da assembleia e os corações pareciam saltar do peito.
Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão.
Mesmo assim, ele nada falou. Tornou a repetir o sinal convencionado e a outra lebre foi libertada. A seguir, o outro cão.
O povo mal continha a respiração. Alguns mais sensíveis levaram as mãos aos olhos para não verem a "reprise" da morte bárbara do indefeso animalzinho, que corria e saltava.
No primeiro instante, o cão investiu contra a lebre. Contudo, e em vez de abocanhá-la, deu-lhe com a pata e ela caiu. Logo se ergueu e pôs-se a brincar. Para surpresa de todos, os dois ficaram a demonstrar tranquila convivência, saltitando de um lado para o outro.
Então, e somente então, Licurgo falou:
- Senhores, acabais de assistir a uma demonstração do que pode a Educação. Ambas as lebres são filhas da mesma matriz, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim, igualmente, os cães.
A diferença entre eles reside simplesmente, na Educação.
E prosseguiu vivamente o seu discurso, dizendo das excelências do processo educativo.
A Educação, baseada numa concepção exacta da vida, transformaria a face do mundo.
Devemos educar o nosso filho, esclarecer a sua inteligência, mas antes de tudo devemos falar ao seu coração, ensinando-o a despojar-se das suas imperfeições. Lembremo-nos que a Sabedoria consiste em nos tornarmos melhores."

Licurgo foi um Legislador grego que deve ter vivido no séc. IV antes de Cristo.
O verbo educar é originário do latim educare ou educcere e quer dizer extrair de dentro.
Percebe-se, portanto, que a educação não se constitui num mero estabelecimento de informações, mas sim de se trabalhar as potencialidades interiores do ser, a fim de que floresçam, à semelhança da bela e perfumada flor.
 - Texto retirado de um Pps. da internet.

E, em homenagem a todas as jovens Mães ou Pais que  me visitam, gostava de acrescentar:
Nós esquecemo-nos de que somos Animais. Racionais, é certo, mas não deixamos por isso de pertencer à grande família dos Animais. Como tal, temos de ser ensinados desde pequeninos, a falar, a comer, a utilizar objectos, etc. E, porque somos racionais, criámos regras que ajudam a que haja boa convivência entre todos.
É isso a Educação: um conjunto de regras e prácticas que promovem o indivíduo de Animal a Ser Racional.
Para educar é preciso contrariar certos instintos como aquilo a que chamamos "a lei do menor esforço", ou o "salve-se quem puder desde que eu fique bem", etc.
Todos os animais aprendem por imitação, mas com os Racionais, isso só não chega. Como têm compreensão, precisam de perceber as regras e de as cumprir.E, porque vivemos em sociedade, imperativo se torna esse cumprimento, sob pena de sermos rejeitados ou em casos extremos, castigados pela sociedade.
Ora, quando somos pequeninos, não sabemos o que fazemos (somos como animais) e os pais ensinam.  E nós desobedecemos (gostamos de medir forças com os adultos) e explicam-nos "que não porque..." e o menino teima. E deve ter castigo imediato para perceber que errou.
Se este processo for rigorosamente cumprido desde os primeiros tempos, em breve a criança se habituará a cumprir regras e a respeitar os Pais.
Uma criança que não foi habituada a cumprir regras vai ser uma pessoa insegura para toda a vida. Nunca respeitará os Pais (nem ninguém), nem mesmo a si própria.
Felizmente, hoje já há muitos Psicólogos que estão a chamar à atenção para esta problemática. E já há muitos Pais conscientes de que é preciso e é urgente mudar as práticas.
Ainda espero ver mudar a Legislação que retira aos Pais a autoridade para educar os Filhos!

E agora, uma receitinha rápida e simples para principiantes ou para quando apetece fazer fim de semana ...de cozinhar (he, he).
Vamos precisar de 4 tigelinhas de pirex ou de porcelana, um tacho largo para cozer os ovos dentro das tigelinhas, uma pinça boa ou pegas para retirar as tigelinhas do tacho.  

           OVOS EM TIGELINHAS, COM COGUMELOS

Para duas pessoas:
60 g de margarina
100 g de cogumelos frescos
125 g de natas frescas
4 ovos
sal e pimenta q.b.

Lave muito bem os cogumelos em água fria, limpe-os da parte escura do pé, reserve 4 inteiros e corte os restantes em lâminas finas. Deite num tachinho a margarina e os cogumelos cortados e leve ao lume a refogar.
Vá mexendo e, quando estiverem a querer alourar, adicione as natas, mexa e deixe ferver 3 minutos em lume moderado. Retire do lume e tempere de sal e pimenta.
Com uma colher, divida os cogumelos pelas 4 tigelinhas. 
Parta os ovos um a um para uma chávena e vá deitando um de cada vez em cada tigelinha.
Deite num tacho largo água quente com cerca de um dedo de altura e coloque  lá dentro as tigelinhas com os ovos, ao lado umas das outras. Tape e leve ao lume para assim cozerem em banho-maria. Depois de levantar fervura, conte 7 minutos. Se gostar bem passados, deixe cozer um pouco mais (10 minutos).
Retire as tigelinhas com a pinça, com precaução para não se queimar.
Coloque cada uma num prato sobre um guardanapo e sirva imediatamente.

Notas: - Acompanhe com meios pãezinhos frescos, levemente torrados.
           - Com uma salada ou uma sopa simples no princípio e fruta no fim, terá uma refeição completa e económica.
          - Pode acrescentar aos cogumelos cubinhos de fiambre ou bacon.
          - Receita da Teleculinária n° 156 de 1980.

Bom fim de semana. Beijinhos da
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

ENSINO, EDUCAçÃO...E BOLO DE CLARAS E NOZES

Já vos tinha dito que no Meu Estaminé não havia só produtos comestíveis.
Assim sendo, não resisti a trazer aqui para o "placard", um recorte de jornal (não sei qual) que recebi há dias.
Como ainda não sei fazer"copy" e "past" aqui no blog, vou ter de escrevê-lo à mão, he,he!

"SÉQUESSO"
 A Pátria adora conversar sobre professores. A Pátria, porém, nunca fala sobre educação.
Portugal ainda não arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o secundário sem saber escrever. Parece que os professores vão fazer uma "marcha da indignação". Pois muito bem. Eu também vou fazer uma marcha indignada. Vou descer a avenida com a seguinte tarja: "Os alunos portugueses conseguem tirar cursos superiores sem saber escrever".
A coisa mais básica - saber escrever - deixou de ser relevante na escola portuguesa.
De quem é a culpa? Dos professores? Certo. Do Ministério? Certo. Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil. Não se pode repreender o "menino" porque isso é excesso de autoridade, diz o psicólogo. Portanto, o petiz pode ser mal educado para o professor.
Não se pode dizer que o "menino" escreve mal porque isso pode afectar a sua auto-estima. Ou seja, o rapazola pode ser burro, desde que seja feliz.
O professor não pode marcar trabalhos de casa porque o "menino" deve ter tempo para brincar. Genial: o "menino" pode ser preguiçoso, desde que jogue na consola.
Ora este tal "menino" não passa de um mostrengo mimado que não respeita professores e colegas. Mais: este mostrengo nunca reconhece os seus próprios erros: na sua cabeça, "sexo" será sempre "séquesso".
Neste mundo Peter Pan os erros não existem e as coisas até mudam de nome. O "menino" não escreve mal: o "menino" faz, isso sim, escrita criativa. O "menino" não sabe escrever a palavra "recensão", mas é um Eça em potência.
Caro leitor, se quiser culpar alguém pelo estado lastimável da educação, então, só tem uma coisa a fazer: olhe-se ao espelho. E, já agora, desmarque a próxima consulta do "menino" no psicólogo.

 Henrique Raposo

Embora eu subscreva quase tudo o que aqui é dito, estamos perante dois problemas diferentes. Um é do Ministério da Educação e não dos Professores, e está relacionado com os Programas e com o Sistema de Avaliação. O outro é de Educação (moral e cívica) e compete aos Pais em primeiro lugar,  e só depois às instituições escolares.
Quando, nos anos 50, andei na Escola Primária (Primeira), no exame do  4° ano quem desse mais de 4 erros e 4 faltas de acento gráfico, reprovava e tinha de repetir o ano.
Em 1963 comecei a trabalhar como professora e algum tempo depois, os alunos passavam no exame com 9 erros ortográficos. Todas achámos um exagero, mas "manda quem pode e obedece quem deve"! E a razia na Língua Portuguesa continuou com a saída dos Programas do Ensino Primário, no que toca às Preposições, Conjunções e tempos verbais do Conjuntivo.
Disseram-nos que passariam para os primeiros anos do Liceu. Mas duvido que isso fosse verdade. Hoje ninguém sabe escrever dissesse ou comesse e confunde com disse-se e come-se.
E toda a gente sabe que é nos primeiros 10 anos de infância, que a Memória funciona como uma esponja e absorve tudo o que lhe dermos...
Já depois da adesão de Portugal à CEE, implementou-se um novo Sistema de Avaliação em que os Professores passaram a não poder "reter" um aluno, sem autorização prèvia dos Pais. Agora digam-me quais são os pais que autorizam o professor a chumbar um filho. Eu nunca vi nenhum.
Nesse mesmo Sistema, dizia-se que um aluno até aos 14 anos, idade em que terminaria o 9° ano de escolaridade, apenas poderia ficar retido uma vez, sob pena de lhe ser passado um "atestado" de frequência  em vez do Diploma de Estudos.
Estou fora do "sistema" há dez anos, mas duvido que algo tenha mudado para melhor...
 
E vamos a um docinho, que isto hoje já amargou o suficiente!
Até é saudável pois não leva gemas nem manteiga e faz-se com pouco açúcar.

      BOLO DE CLARAS E NOZES

6 claras
6 colheres de sopa de açúcar
100g de miolo de nozes picadas na 1.2.3.
30 g de farinha de trigo com fermento
margarina para untar a forma
açúcar para polvilhar

Primeiro barre uma forma redonda média com margarina e polvilhe-a com açúcar.
Misture as nozes moídas com a farinha.
Bata as claras em castelo bem firme, começando a juntar-lhes o açúcar quando estiverem quase levantadas e batendo sempre para ficarem bem fortes.
Mexendo de baixo para cima, envolva a mistura de nozes e farinha.
Deite o preparado na forma e leve a cozer em forno médio, durante cerca de 20 minutos. Faça o teste do palito.
Deixe arrefecer e desenforme num prato. Regue com um pouco de açúcar em caramelo, se desejar.

Notas: - É um  bolo delicioso, mas não cresce quase nada; conserva apenas o volume que leva quando vai ao forno.

Beijinhos
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

AVENTURAS OU DESVENTURAS NA COZINHA...CALDEIRADA DE ENGUIAS

O que eu me ri com o comentário da Isabel do blog COZINHAR COM OS ANJOS, só de imaginá-la garotinha, na cozinha, com as enguias a fugir por todos os lados!
Agora imaginem-me a mim, já senhora casada, numa cena daquelas, a clamar pelo marido para vir apanhar do chão e da bancada, as ditas que teimavam em contorcer-se, a ver se conseguiam fugir dali para fora...
Eu que nunca gostei de cobras nem de mexer em corpos viscosos, caí na patetice de comprar umas enguias para um almoço de sábado. Mas como a inexperiência era muita, julgava que era como o outro peixe, que era só amanhar e eu isso gostava de fazer. Só quando as despejei do saco para dentro do alguidar é que vi que vinham vivas!!! E teve de ser o marido a cortar-lhes a cabeça (acho que lhes agarrou com um pano) e só depois dessa tarefa é que eu as meti no tacho. Do resto já não me lembro, mas acho que as fiz de caldeirada. Foi a primeira e a última vez. A partir desta odisseia, quem quiser enguias tem de ir comê-las ao restaurante (he,he)!
Mas já que se falou de enguias, iroses ou eiroses, vou deixar aqui uma receita da Confraria de S. Gonçalo de Aveiro. Retirei-a do livro de Amílcar Malhó, intitulado CHEFE SILVA, O SENHOR TELECULINÁRIA, em homenagem aos seus 74 anos de vida intensa.
O Chefe Silva foi um dos meus Grandes Mestres quer através dos seus programas televisivos, quer com a revista Teleculinária que, a um preço reduzido e perfeitamente comportável pela bolsa parca dos ordenados de antigamente, se ia coleccionando semanalmente.

                CALDEIRADA DE ENGUIAS

2 cebolas
800g de batatas
1 kg de enguias
3 dentes de alho
1 ramo de salsa
1 folha de louro
1 dl de azeite
Água q.b. (2 ou 3 litros)
Açafrão em pó q.b.
Gengibre em pó q.b.
Sal e pimenta q.b.

"Atenção porque nem todas as enguias fazem boa caldeirada. Esta deve ter pelo menos 75% de brazinos
que são enguias de pele escura."

Amanhadas as enguias (peçam na peixaria), tira-se-lhes a galheira ou ranheta , lavando-as pelo menos em sete águas, ao mesmo tempo que se esfregam com as mãos e só com as mãos. A espinha das enguias também deve ser bem raspada com a unha.
Descasque e lave as batatas, as cebolas e os dentes de alho. Corte as batatas e as cebolas em rodelas e pique grosseiramente os alhos.
Num tacho fundo, disponha camadas alternadas de cebola, batatas e enguias. Junte-lhes os alhos, um ramo de salsa, o louro, o azeite, pimenta e água suficiente para a caldeirada e para a sopa. Leve a cozer em lume brando.
Quando estiver a ferver, retire a espuma que vier ao de cima. Tempere depois com sal e pó de enguia (açafrão e gengibre). Depois de apurada a caldeirada, tira-se a água para a sopa e para a moira.
A moira é feita num tacho à parte, juntando à água da caldeirada, vinagre e sal a gosto, com que se regam as enguias no prato de cada um.
A sopa de enguias é feita da água tirada da caldeirada, à qual se junta pão duro partido à mão, aos bocados. Junta-se um pouco de vinagre a gosto. O tempero desta sopa resulta dos ingredientes postos na caldeirada.

Beijinhos da

Bombom= Tia Fátima = Avó Fátima