FRANGO ACEREJADO, COM MARMELO CARAMELIZADO EM VINHO DO PORTO

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...Foi apenas um saltinho e já cá estamos dentro de 2011!
Espero que para trás tenha ficado a crise, afogada em champanhe!
Nós podemos virar esse ponteiro torcido do relógio da vida! Precisamos de encará-la (à crise) de frente e desmistificá-la.
Se calhar vamos ter de repensar alguns supostos valores que acompanharam a geração mais nova. Muitos pais da minha geração (anos 40 e 50) viveram um clima de austeridade imposto pelas consequências da Segunda Guerra Mundial. Não querendo que eles passassem pelas mesmas privações, tudo fizeram para que eles não as sentissem. E quando assim é, os filhos tornam-se exigentes, ingratos e mal agradecidos. Tudo lhes foi dado de mão beijada e nada lhes foi pedido. Eles não se sentem responsáveis, nem reconhecem o valor do Esforço e do Trabalho...
E a Sociedade, com as suas solicitações para o facilitismo do Ter, ajudou à "festa".
Os meninos querem a mota XPTO? Os pais pagam e quantas vezes pagam também com lágrimas o seu enterro!
Os meninos querem o telemóvel da última geração? Os pais pedem dinheiro ao Banco, endividam-se, mas ao menino "nada faltará".
Os meninos querem ir de férias sozinhos? A Consola? O Computador?...
Os papás aumentam a dívida ao Banco. E assim por diante...
Os pais, assoberbados pelo trabalho e pelas preocupações de gestão do magro salário, mais as dívidas contraídas com a casa e com o carro, mal podem cumprir as obrigações bancárias das dívidas contraídas para satisfazer os filhos. E já nem têm tempo para estar com eles, para lhes transmitirem os valores  absolutos que elevam o coração dos Homens: Amor, Interajuda, Fraternidade, Lealdade, Trabalho, Honestidade...
Há dias ouvi um responsável da DECO (Defesa do Consumidor), dizer que talvez a "crise" tenha um lado positivo. O de repensarmos como se deve gerir e gastar o nosso dinheiro!
Eu estou plenamente de acordo!
Por isso, neste Ano que agora começou, gostava de continuar a trazer-vos sugestões e receitas simples, fáceis, económicas, mas bonitas e agradáveis à vista!
E a primeira do Ano vai ser a ementa do nosso Almoço (romântico) do Dia de Ano Novo.


Frango Assado no Forno

Marinada (de véspera)

1 frango (fiz 1/2 só para 2 pessoas)
2 colheres de sopa de azeite
2 dentes de alho espremidos
1 folha de louro (sem nervura no meio), partida em pedacinhos
1 colher de sopa de vinagre balsâmico
1 colher de chá de molho de soja
1 colher de chá de Flor de Sal aromatizado com tomilho e chilly (ver receita)
2 colheres de sopa de Molho de Azeite Picante (ver receita)
1 colher de café de tomilho em pó

2,5 dl de caldo de carne (usei Knorr)
1/2 pau de canela
1 cálice de Vinho do Porto

Na véspera, juntar todos os ingredientes (até ao tomilho) numa tigelinha e barrar o frango com a marinada, por dentro e por fora.
No dia, colocar o frango e a marinada num tabuleiro. Regar com o caldo de carne fervido com 1/2 pau de canela.  Borrifar com o Vinho do Porto e levar ao forno para corar, durante cerca de 1 hora. Regue de vez em quando com o próprio molho.
Entretanto, vá preparando os marmelos.


Marmelo Caramelizado em redução de Vinho do Porto

3 marmelos
1 colher de sobremesa de açúcar mascavado (ou amarelo)
2 cálices de Vinho do Porto (1,5 dl)

Descasque os marmelos e corte-os em gomos. Dê-lhes uma rápida fervura, de 5 minutos, retire-os e escorra-os. Reserve.
Ponha numa frigideira ou num tacho largo o Vinho do Porto com o açúcar e leve ao lume para ferver. Baixe o lume para o mínimo e deixe ferver uns 10 minutos para reduzir o molho e caramelizar um pouco. Junte o marmelo com cuidado e deixe-o caramelizar no molho. Vire com cuidado para ficar igualmente corado de ambos os lados. Apague o lume.


Faça uns golpes no Frango e introduza o Marmelo Caramelizado. Regue-o com o Molho Acerejado de Vinho do Porto e sirva com uma Salada Mista.

 Notas:
Pode usar  peito de perú ou carne de porco para assar.
Pode usar alecrim ou salva (salvia) em vez do tomilho.

Não imaginam o sabor agradável do conjunto destes elementos! E os elogios que recebi!
Experimentem e depois digam a vossa opinião.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

FELIZ ANO NOVO! VIVA 2011 !

 Já vos tinha mostrado este postal, mas na altura não vos disse que foi oferta do Diogo, o meu neto de 5 anos. Foi confeccionado na Escola com colagens de papel de fantasia  (dos embrulhos ou de folhas de revistas) fotografado e impresso.
Hoje veio decorar a montra principal de O Meu Estaminé, para vos desejar FELIZ ANO NOVO!

                Presépio confeccionado pela outra Avó dos meus netos

E porque o início do Ano carrega consigo muita Esperança, ofereço a todas as minhas visitas um poema  meu em verso branco, singelo, de que gosto muito. FELIZ 2011 !

                         Mensagem de Esperança 

Dá-me a tua mão
e vem daí! 
Vem descobrir a Vida, 
o que ela tem... 

A Vida é um colar 
de que eu sou conta, 
tu és pérola 
e eles, fios incontáveis... 

Anda, 
vem descobrir a Vida! 
Vem correr, 
vem a cantar... 

Por trás do céu cinzento 
há Sol, 
lá longe há mar 
e os rios correm... 

E os sonhos nascem 
e os meninos crescem... 

Anda com eles, 
sem medo 
dos laços que se criam. 

Anda, corre,
não te percas no caminho! 

Dá-me a tua mão 
e vem daí!
Vem descobrir a Vida, 
o que ela tem!... 

Fátima Carrapa

Obrigada por me terem feito companhia durante o Ano que passou. 
Por me terem ajudado a sair do "fundo do poço" no qual caí quando a surdez súbita me atingiu. 
Por me terem ajudado a ser mais Feliz! 
Bem Hajam!
Um forte abraço da 

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima) 

4 ESTAçÕES NA CASA DA COMIDA

         4 estações na Casa da Comida - cozinha em Portugal, de Jorge Vale

As 3 receitas que hoje vos ofereci (ver o "post" anterior) foram retiradas deste livro: 4 Estações na Casa da Comida - cozinha em Portugal de Jorge Vale, Everest Editora.
Porque não é um qualquer livro de receitas, quero falar-vos um pouco dele. 
Faz parte dos meus 3 ou 4 Livros de Receitas, de Estimação. 
Foi escrito por um Actor de Teatro, Jorge Vale, e vivenciado por ele nos Restaurantes onde trabalhou. 
Ora vejam:
"...em 1976 inaugura o seu primeiro restaurante, "A Flor de Castilho" e durante algum tempo conseguiria ainda manter as duas actividades.
Acaba por abandonar a Casa da Comédia, onde durante alguns anos desenvolveu o seu percurso teatral, para abrir um dos mais luxuosos restaurantes de Lisboa, "A Casa da Comida".
Na área da Restauração, recebeu vários prémios e foi condecorado em 1987 no Jubileu Turístico, com a medalha de mérito turístico. 
Tem organizado frequentemente banquetes representando Portugal em semanas culturais no estrangeiro, nomeadamente em Itália."
Penso que por lhe pedirem muitas vezes as receitas que apresentava, ele resolveu pô-las em Livro e em boa hora o fez.
Como podem calcular, não é fácil a uma professora ir almoçar ou jantar a um restaurante deste gabarito. Talvez por isso, estou muito grata a este Actor porque assim me permitiu usufruir das suas Artes Culinárias, que hoje também partilhei convosco.
Considero este livro um Tratado de " etnografia gastronómica" (passe qualquer incorrecção linguística), a par do livro da Maria de Lurdes Modesto "Cozinha Tradicional Portuguesa" - edições Verbo. 
O livro está organizado segundo as quatro Estações do Ano. Cada uma abre com uma introdução de um escritor português famoso.
"Temperaram esta obra com o condimento especial da sua Arte:
Francisco José Viegas - introduziu a doçura no rigor do Verão.
David Mourão-Ferreira - condimentou os paladares agridoces do Outono.
António Alçada Baptista - reforçou os sabores quentes do Inverno.
Agustina Bessa-Luís - Apaladou a frescura da Primavera.
O único senão deste livro é o preço elevado para a maioria das bolsas (50 euros).
No entanto, pela qualidade das receitas, pelos materiais, pelas fotos, pelo trabalho do autor e por aquilo que o livro significa de partilha de sabedoria por parte do autor que vive delas (receitas), não é um livro caro. É UMA OBRA DE ARTE.

P.S. - Quem goste de Arquitectura e Cinema poderá visitar www.abarrigadeumarquitecto.blogspot.com


Beijinhos da 
Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)





SUGESTÕES PARA A MESA DE FIM DE ANO

Estamos hoje na recta final de mais um ano, o 2010.
Posso dizer que foi um ano muito positivo e com muitas coisas boas.
Inaugurei O Meu Estaminé, participei em alguns desafios, conheci muitas pessoas lindas (interiormente), fiz novas amizades. Viajei, partilhei experiências, alarguei horizontes...
E eis que outro ano já se posiciona no nosso caminho, carregado de Esperanças, de Sonhos, de Aspirações.
Viva 2011! 
Que ele traga "tudo de Bom" para todas (os) nós!
E foi a pensar nos festejos de Ano Novo que me lembrei de vos trazer umas  receitas de Aperitivos, simples mas gostosas e coloridas que ficam sempre bem numa mesa de festa.

Azeitonas Temperadas

1/2 kg de azeitonas pretas (de boa qualidade)
15 dentes de alho
3 colheres de sopa de massa de pimentão
1 folha de louro lavada, sem a nervura do meio
1 colher de sopa de orégãos
2 dl de azeite virgem
1 dl de vinagre de vinho
1 malagueta esmagada

Lave e escorra as azeitonas. Pele os alhos e corte em rodelas finas. Misture todos os ingredientes numa tigela e junte as azeitonas. Meta num frasco e conserve no frigorífico. Comem-se passados dois dias com "muito" pão.



Crepes de Espargos (Trouxas)

12 folhas de crepes (sem açúcar)
12 "fitas" finas de alho francês (apenas a parte verde das folhas)

Recheio:
500g de espargos brancos (de conserva ou cozidos)
2 e 1/2 dl de líquido da cozedura ou do frasco dos espargos
1 cebola pequena
100g de manteiga
4 dl de natas
2 e 1/5 dl de leite evaporado
100g de amido de milho (Maizena)
50g de queijo parmesão (se possível, ralado na ocasião)

Da rama do alho francês, já lavada, cortam-se tiras finas e compridas que se escaldam ràpidamente em água a ferver e se enxugam num pano. Não devem cozer para não se partirem ao serem utilizadas.
Cortam-se os espargos em pequenos pedaços.
Descasca-se e lava-se a cebola e pica-se finamente para um tacho. Junta-se a manteiga e leva-se a estalar em lume brando. Assim que estiver cozida, mas antes de tomar cor, adiciona-se a nata, o leite evaporado e a água dos espargos, na qual se dissolveu o amido (maizena). Mexendo sempre, deixa-se cozer e engrossar.
Quando bem cremoso, deitam-se os espargos cortados e o queijo ralado e tempera-se de sal e pimenta preta.
Com a ajuda de pequenas formas de queques (muffins) e, se possível de fundo abaulado, untadas com manteiga, colocam-se as folhas dos crepes abertas (uma sobre cada forma ). No meio, deitam-se duas colheres de sopa de recheio e fecha-se em formato de trouxa, apertando com um atilho feito da rama do alho francês. Levam-se ao forno a 180° durante uns minutos, até as pontas ficarem levemente tostadas (cerca de 10 m). Tiram-se com cuidado das formas e servem-se imediatamente, de preferência em pratos individuais, para evitar que as trouxas se rompam.
Pode decorar-se cada prato com 3 pontas de espargos e um pouco de creme ligeiramente mais líquido. Para isso basta acrescentar um pouco de leite ao creme que sobrou e levar ao lume a ferver durante 1 minuto.
Pode enfeitar com um pedacinho de salsa para dar mais cor.

Notas:
- Pode utilizar Molho Béchamel de compra. Eu uso de marca branca (Modelo e Continente). São de boa qualidade e óptimos numa emergência. Como é muito concentrado, acrescento um pouco de leite até estar cremoso e na consistência de que gosto.
- Em vez de espargos pode usar cogumelos ou outro ingrediente que mais aprecie.
- Este prato pode servir de refeição Vegetariana se for acompanhado de uma boa Salada variada.


Massa para Crepes

Para 20 a 22 folhas

Frigideira com 20cm de diâmetro de fundo
200g de farinha
6 ovos inteiros
1 colher de chá de sal fino
1 colher de café de pimenta moída
1/2 litro de leite
100g de manteiga

Numa tigela, deite a farinha, o sal e a pimenta. verta um pouquinho de leite e vá misturando de forma a não fazer grumos. Vá acrescentando o leite e os ovos e, por fim, adicione a manteiga derretida.
Coe o polme por um passador de rede fina e deixe repousar por 30 minutos.
Deite uma colher de café de manteiga (ou margarina) na frigideira de fundo não aderente e aqueça-a.
Deite uma concha de polme (1 dl). Vire o crepe e retire-o da frigideira, pois o primeiro crepe não se aproveita. Reduza o lume porque a confecção dos crepes deve ser feita em lume brando.
Vá deitando uma concha de polme de cada vez. Segure o cabo da frigideira e rode para que o polme se espalhe no fundo. Com a ajuda de uma espátula e de um garfo vire a folha do crepe. Deixe uns segundos e retire para um prato.

Notas:
- Pode fazer só metade da receita.
- Pode fazer a receita toda, utilizar metade e congelar o resto.

As receitas apresentadas foram compiladas, com ligeiras alterações de procedimento (para facilitar), do livro "4 Estações na Casa da Comida" de Jorge Vale.
 Para todos o meu abraço e agradecimento por me terem acompanhado ao longo deste ano.
Festas Felizes! Feliz 2011!

Beijinhos da
Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

AINDA O NATAL...

                           Postal confeccionado na Escola por Diogo Dias - 5 anos


 O Dia de Natal já passou e sobre ele já passaram mais 3 páginas do Calendário...
Comeram-se os restos da festa, arrumou-se a casa, lavou-se e arrumou-se a baixela dos dias festivos.
"Assentou a poeira", como se costuma dizer por cá. 
Aproveitei sempre que pude para visitar blogs amigos ou ver "novidades" no Facebook.
Depois, como a minha especialidade é "culinária", ando sempre com o rolo da massa ou a colher de pau, na mão. E não resisto a meter a minha colherada!...
A minha provecta idade já mo permite (he,he), mas peço perdão se algum dos meus comentários tiver magoado alguém.
De tudo o que li, ficou-me o desejo de fazer aqui uma pequena (espero, he,he) reflexão.

                              Postal confeccionado na Escola por Sara Dias - 9 anos

Não sei se será justo atribuir à Igreja Católica todos os males que constatamos na nossa sociedade, em relação ao consumismo desenfreado e à ostentação que se faz em muitos lares, nesta quadra. Este é um mal que vemos
tanto nos que são cristãos (católicos, protestantes ou ortodoxos) como em muitos ateus e agnósticos.
Como sabem, esta festa já tem muitos milénios e teve origem na chegada do Solstício que se situa a 22 ou 23 de Dezembro. Os Povos Antigos festejavam a chegada do Sol ao horizonte, o crescimento dos dias e pediam os favores dos deuses para que protegessem as suas colheitas. Enfeitavam as árvores nuas com frutos , folhas, penas e tudo o mais que a sua imaginação ditasse. Ainda hoje nos países nórdicos se celebra com pompa, este acontecimento anual. E é aqui que estão as raízes da actual árvore de Natal.
Quando, muitos anos já após a Morte e Ressurreição de Jesus, a Igreja Católica se institucionalizou, "adonou" e deu novo sentido a esta festa. Passou a celebrar nesta altura, o nascimento de Jesus, para lhe retirar o cunho dito "Pagão" e o tornar num ritual mais religioso.
Isto foi feito também em relação às festas do Solstício de Junho e vejam a quantidade de santos que se veneram nessa altura: Santo António, São João e São Pedro (aqui em Portugal).
Tradicionalmente, celebrava-se a Missa do Galo à meia noite e entoavam-se cantos de Natal.
Não sei qual é a origem da troca de presentes, mas parece-me lógica no sentido da partilha de bens que Cristo pregou. Dos que podem, para os que precisam.
Claro que Ele quando o disse, era para que a solidariedade estivesse presente "à nossa mesa" todos os dias e não apenas uma vez por ano. Os hipócritas fomos nós, que transformámos essa festa num festival de ostentação e consumismo desenfreado. Démos ouvidos apenas aos estímulos para o "ter" e esquecemos os mais importantes e que nos fortalecem, os do "ser"!
Agora quero dizer-vos que fiquei muito feliz, por ver que não sou só eu a pensar assim. Li nos textos de muitas de vós as mesmas preocupações. E parece-me que já somos uma grande corrente, assim como "o fermento na massa"... Vem aí o Ano Novo. Que tal agendarmos este tema para Outubro de 2011?
Nessa altura ainda vamos muito a tempo de repensar o Natal e os seus valores de Festa da Família, independentemente da Religião de cada um.
Repensaremos o sentido dos presentes para que se tornem de novo em pequenas lembranças, sinais de Amor incondicional, de partilha e Amizade.
E termino com votos de  FELIZ ANO NOVO
Beijinhos da

Bombom ( Tia Fátima ou Avó Fátima) 

P.S. - Já coloquei a foto das Rabanadas no "post" anterior.

FELIZ NATAL ! E RABANADAS COM CALDA DE AçÚCAR


FALAVAM-ME DE AMOR

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste acostumado.

Natália Correia
O Dilúvio e a Pomba
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979

Para todas as minhas Visitas em geral e todas (os) as Comentadoras (es) em especial, aqui ficam os meus votos de um Natal renascido nos vossos corações. Que as vossas Festas sejam vividas em Amor e Alegria e partilhadas com todos os presentes e os ausentes. Na certeza de que os que partiram estarão em comunhão também!

           Árvore de Natal 2010

E, para ajudar à festa, quero partilhar convosco as "minhas" Rabanadas.
Um doce típico do Natal Popular em Portugal feito à base de fatias de pão duro amolecidas em leite, passadas por ovos batidos e depois fritas.
Depois, conforme a região, varia o acabamento. No Sul são polvilhadas com açúcar misturado com canela. No Norte, sobretudo no Minho, são embebidas em calda de açúcar.
São estas últimas as preferidas cá de casa. A receita é de Maria de Lurdes Modesto no seu livro Receitas Escolhidas e foi ligeiramente adaptada por mim.


Rabanadas com Calda de Açúcar

1 pão de forma ou cacete duro, (das vésperas)
1 litro de leite
6 a 8 ovos
casca de 1/2 limão (vidrado)
1 litro de óleo (uso Vaqueiro ou Espiga) para fritar

200g de açúcar
2 dl de água (200 ml)
1 dl de Vinho do Porto (100 ml)
1 pau de canela
casca de 1/2  limão grande (vidrado)

Corte o pão em fatias de 1,5 cm. Ponha a ferver o leite com a casca de limão.
Passe as fatias uma a uma pelo leite quente, escorra um pouco e vá colocando num tabuleiro grande.
Num prato fundo vá abrindo 2 ovos de cada vez. Bata-os com o garfo e reserve.
Aqueça bem o óleo numa frigideira grande deixando dentro dela a boiar uma ou duas cascas de ovo. (Este truque é para o óleo não fazer espuma ao fritar).
Quando estiver bem quente, passe as fatias pelos ovos batidos, frite-as e escorra-as em papel de cozinha absorvente.
Coloque-as numa taça ou travessa funda e regue-as com a Calda.

Calda de Açúcar

Deite num tacho as 200g de açúcar, junte 2 dl de água, a casca de limão e o pau de canela. Leve ao lume para ferver. Quando levantar fervura conte 5 minutos e junte o Vinho do Porto; mexa e apague o lume. Retire a casca de limão e o pau de canela e verta sobre as Rabanadas.

Notas: Para ver se o óleo está bem quem quente, deite-lhe um pedacinho de pão; se ele vier logo ao de cima fazendo borbulhinhas, está no ponto.
           Na receita da Maria de Lurdes Modesto a calda não leva casca de limão nem pau de canela. As Rabanadas depois de regadas com a calda são polvilhadas com canela em pó.
           Eu acho a "minha" calda muito aromática e gostosa.
           Como devem ter reparado, estas Rabanadas não levam açúcar no leite, pois vão ficar embebidas na calda.
          Quem preferir as Rabanadas polvilhadas com açúcar e canela em pó, pode juntar ao leite 2 ou 3 colheres de açúcar.

Beijinhos da 

Bombom ( Tia Fátima / Avó Fátima)

TARTE DE PÊRAS DE ALCOBAçA

Já em clima de Natal desde que chegaram os meus "Meninos Jesus", tenho tido pouca disponibilidade para vir "abrir" O Meu Estaminé.
De qualquer modo, ainda vos quero deixar aqui algumas receitas natalícias. Mas hoje trago-vos a receita de uma tarte muito gostosa que fiz hoje para a festa de aniversário do filho mais velho.
É um bolo para qualquer época do ano, incluindo a mesa de Natal. Parece um bolo vindo da Pastelaria!
A receita é do Chefe Silva, na Teleculinária n° 3.


Massa da tarte:

125 g de farinha
75 g de margarina
50 g de açúcar
1 gema de ovo
1 colher de café de fermento em pó

Sobre a mesa (fiz numa tigela grande) faça um monte com a farinha, abra-lhe uma cavidade ao centro e deite aí a margarina (à temperatura ambiente, partida em pedacinhos), o açúcar e o fermento. Amasse bem, junte a gema e continue a amassar com as pontas dos dedos. Envolva depois tudo com a farinha e, com a palma das mãos, amasse bem para obter uma massa areada. Aperte bem a massa para formar uma bola e envolva em película aderente. Deixe repousar meia hora.

Recheio da tarte:

700 g de pêras maduras
50 g de margarina
200 g de açúcar
2 ovos inteiros
sumo de limão
geléia transparente (para pincelar no fim)

Descasque as pêras e corte-as aos quartos. Retire o caroço e corte cada quarto em duas ou três fatias.
Reserve.
Num tachinho, derreta a margarina em lume brando (ou no microondas) e junte-lhe o açúcar e mexa bem.
Retire do lume e adicione os ovos e umas gotas de sumo de limão (cerca de 2 colheres de sopa) e  continue a mexer para ficar bem ligado. Reserve.

Polvilhe a mesa com farinha para a massa não pegar e estenda-a com o rolo. Forre a forma da tarte.
Se não tem rolo, coloque a bola de massa no centro da forma e espalhe com as pontas dos dedos, numa camada regular sobre toda a superfície. (Esta é a técnica que eu uso).
Disponha as fatias da pêra em círculo sobre a massa, de modo a cobrir todo o fundo.
Deite a mistura de creme de ovos, em círculo, sobre as pêras e leve a cozer em forno médio por 40 a 50 minutos.
Depois de cozida deixe arrefecer e pinte cuidadosamente com geléia. Sirva sobre o fundo da forma para a Tarte não quebrar, pois a massa é muito tenra e quebradiça.

Desejo a todas as minhas visitas, umas FESTAS muito FELIZES!
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)