O MOSTEIRO DE SANTA CLARA E A RAINHA SANTA ISABEL

Sem vos querer maçar muito, trago-vos hoje mais algumas fotografias da Igreja de Santa Clara-a-Velha.

                                        Topo da Igreja (talvez a antiga entrada principal).

Esta igreja foi construída em estilo românico e gótico, pelo arquitecto Domingos Domingues, que construiu também o claustro do Mosteiro de Alcobaça, por ordem do rei D. Dinis.

                                          Topo da Igreja visto de dentro para fora.

A entrada faz-se por uma porta lateral, do lado do Adro da Igreja.

                                             Porta de entrada actual.

                        Janelas do piso superior em estilo gótico.

                                  Lugar do Túmulo da Rainha Santa Isabel.

                                Um pormenor desse belo lugar. Clique para aumentar a imagem.

A história da Rainha Santa Isabel está muito ligada a este Convento. Ela foi uma Mulher extraordinária e de espírito muito avançado para o seu tempo, embora seja mais conhecida pelas suas obras de caridade na protecção às mulheres, às crianças e aos doentes. 
Com o seu dote e rendimento dos seus bens, fundou Hospitais em Coimbra, Leiria e Santarém, além do Convento de Santa Clara.
Foi uma grande estadista que conseguiu que a Santa Sé autorizasse que os bens da Ordem dos Templários de Portugal, extinta pelo Papa, ficassem a fazer parte da Ordem de Cristo e sob as ordens do Rei de Portugal.
Num século dominado pela Igreja Católica sob o medo do castigo divino, da Paixão, do sangue e da morte, Santa Isabel conseguiu instituir e ser aceite pela Santa Sé, o culto ao Espírito Santo, o espírito do Amor e da Redenção!
Foi uma mulher infeliz e mal amada pelo Rei, mas amada pelo seu povo que sempre a acarinhou e lhe chamou  Rainha Santa. 
Só foi canonizada em 1625. O seu túmulo encontra-se no Convento de Santa Clara em Coimbra, para onde foi trasladado quando as freiras mudaram para o novo Convento em 1677.

Como a prosa já vai longa e eu não vos queria maçar muito (he,he) hoje não vos dou receitas, mas se quiserem a da Limonada do Convento de Santa Clara, visitem o blog da Maria em 
oficinadaspapitas.blogs.sapo.pt/?skip=15   .É a receita n° 3 dessa série. 

Tenham uma semana agradável e com sol no coração mesmo que o tempo mude.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

 

IGREJA DE SANTA CLARA-A-VELHA EM COIMBRA E OS PASTÉIS DE SANTA CLARA


             Vista parcial da Igreja de Santa Clara-a-Velha (Piso superior)

No passado fim de semana fomos a Coimbra e visitámos a Igreja de Santa Clara-a-Velha e o novo Centro de Interpretação e Museu. Sempre conheci este monumento como uma ilha, rodeado de água em toda a volta e com o andar inferior completamente submerso. De há uns anos para cá, o Ministério da Cultura empreendeu a sua recuperação. Foi feita a drenagem das águas, estabilizado o terreno, fizeram-se escavações arqueológicas e foi construído um Centro de Interpretação que inclui um Auditório onde se pode ver um filme com a História do Convento, um pequeno Museu, uma loja e uma Cafetaria com esplanada com vista para a Igreja.

                     Centro de Interpretação

O Convento de Santa Clara-a-Velha foi fundado por D. Mor Dias em 1283, sob a Ordem das Clarissas (de Santa Clara, de Assis). Esta abastada senhora tinha sido recolhida 30 anos antes pelos frades do Mosteiro de Santa Cruz e vivia no Mosteiro das Donas que lhe ficava anexo. Ela tinha o grande sonho de formar um Convento de Clarissas e, quando quis torná-lo realidade, encontrou grande oposição por parte dos frades que se sentiram traídos pela sua discípula. (O facto de terem de abdicar do dote dela, também deve ter pesado bastante, na minha óptica). Eles boicotaram-na ao máximo junto da Igreja e do Papa e o seu Mosteiro foi extinto em 1311.

                        Igreja de Santa Clara-a-Velha e ruínas do claustro

Três anos mais tarde, Dona Isabel de Aragão, esposa do rei D. Dinis, decidiu instalar as Clarissas em Coimbra. Pediu licença à Santa Sé para fundar o Mosteiro de Santa Clara e obteve autorização do Papa Clemente V em 1314.
Mandou então construir novas instalações e uma Igreja.
Em 1317 chegaram as primeiras freiras vindas de Zamora. A Igreja só ficou concluída em 1330, ano em que foi sagrada pelo Bispo de Coimbra.
O Mosteiro ficou situado numa zona de cota baixa, nas margens do rio Mondego e por isso desde muito cedo sofreu inundações e aluimento.
Finalmente, em 1677, as freiras mudaram-se para um novo edifício mandado construir pelo rei D. João IV, situado num plano mais elevado, que passou a ser conhecido como Convento de Santa Clara. As antigas instalações foram-se degradando e só ficou visível parte da antiga Igreja, que passou a ser chamada de Santa Clara-a-Velha.

                               (Clique para aumentar)

E com esta introdução que poderão consultar no Museu, aqui fica a receita desta iguaria conventual, retirada do livro Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lurdes Modesto.

Pastéis de Santa Clara (de Coimbra)

Para a massa:
250 g de farinha de trigo
125 g de manteiga
água q.b.

Para o recheio:
250 g de açúcar branco
1,5 dl de água
150 g de amêndoas peladas e raladas
9 gemas de ovos

Leva-se o açúcar ao lume com cerca de 1,5 dl de água e deixa-se ferver até fazer ponto de cabelo (106°C). Retira-se do lume e junta-se a amêndoa pelada e moída e as gemas prèviamente batidas.Mexe-se enèrgicamente para não talharem. Leva-se de novo ao lume para cozer o recheio, mexendo sempre até fazer ponto de estrada. Retira-se do lume e deixa-se arrefecer.
Entretanto prepara-se a massa: peneira-se a farinha para uma tigela, junta-se a manteiga e trabalha-se a massa molhando a mão em água fria. Amassa-se muito bem até que a massa fique elástica e se possa estender.
Estende-se a massa muito fina, com o rolo, dando-lhe a forma de uma tira. Sobre esta dispõe-se montinhos do recheio preparado. Dobra-se a tira de massa fazendo aderir bem e cortam-se os pastéis, dando-lhes a forma de uma meia lua (como os rissóis). Pincelam-se com ovo batido, polvilham-se com açúcar e levam-se a cozer ao forno moderadamente quente (180°), por cerca de 20 minutos.

                          Coimbra vista da Igreja de Santa Clara-a-Velha

Espero que tenham gostado do passeio. Desejo-vos a continuação de uma boa semana.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)