FEIRA MEDIEVAL - "DIAS DOS TEMPLÁRIOS"


É já neste fim de semana, no castelo da cidade de Castelo Branco.
Começa amanhã dia 28 de Setembro pelas 19 horas, com a leitura da Carta de Abertura.
Pelas 19h e 30m, abrirá o Mercado Medieval e pelas 21h e 30m actuará o Grupo de Adufeiras da USALBI (a Universidade Sénior).
Também haverá um Treino de Escudeiros e Cavaleiros num combate apeado, pelo Grupo de Espadas Templário e uma coreografia com Danças e Fogo.
A Feira inclui um Mercado de Artesãos, uma Área de Tormentos, o Assalto ao Castelo, espectáculos de rua, de Fogo e de Espadas, Teatro ao ar livre e uma área destinada à Gastronomia.
No sábado haverá a Leitura do Foral de Castelo Branco, espectáculos de Falcoaria, animação musical.
As festividades terminarão no domingo dia 30, com a leitura da Carta de Encerramento dos Dias Templários.
Se estiver perto da Castelo Branco e gostar de História, tem uma boa oportunidade para se divertir e valorizar o seu fim de semana.
A organização garante o transporte para o evento.

Um bom fim de semana para todos e uma "cunha" ao São Pedro para que não chova (he,he).


Beijinhos da

Bombom ( Tia Fátima ou Avó Fátima)


ANTIGO QUARTEL DE CAVALARIA DE CASTELO BRANCO

                                                    Licenciamento

Há já algum tempo que queria mostrar-vos estes painéis de azulejo, mas o meu "amigo"  (de Peniche) Blogger.com, virava-me as fotos ao contrário. Cheguei a metê-las ao contrário para ver se saíam direitas, mas qual?! Ficavam viradas para o outro lado... e desisti. Hoje voltei a tentar e já deu certo. Se é para isto que eles andam sempre com mudanças, mais valia estarem quietos!
Mas vamos ao que interessa e perdoem-me o desabafo.

                                          Incorporação

Um dos acessos ( e até há pouco tempo o único) à Biblioteca de Castelo Branco é a antiga entrada para o Quartel Militar de Cavalaria, que fica junto da principal praça da Cidade, a Devesa.
Este Quartel foi desactivado há uns anos e os edifícios que o compunham foram aproveitados para Serviços. Num deles funcionou a RTP Centro, que hoje já não existe mais...

                                         Juramento de Bandeira

Quando estamos na aldeia, todas as semanas vamos à Biblioteca buscar e entregar livros. E sempre que passo por aquele portal e vejo os Quadros de Azulejo, me lembro do meu sogro que há muitos anos atrás, em 1929, por ali passou.

                              Limpeza dos Solípedes (Cavalos)

Muitas das histórias que nos contou, estão ali assinaladas, "fotografadas", quase reais!...

                                                    Teoria

Aqui fica a minha singela Homenagem,

                                            Posto à Cossaca

a todos os Militares que passaram


                                                 Marcha de Guerra

pelo Quartel de Cavalaria

                                                  Volteio

da cidade de Castelo Branco.
Tenham uma boa semana!
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

CASTELO BRANCO, A OUTRA CIDADE DO MEU CORAçÃO

Ainda não é hoje que vos trago "os melhores postais" de Castelo Branco, a minha cidade adoptada "pelo casamento". Mas fica a promessa de muito em breve vos fazer uma reportagem dos sítios mais emblemáticos.
Hoje trago-vos algumas fotos de pormenores que me encantam nesta cidade calma, cheia de luz e claridade.


Os ninhos de Cegonhas em muitos pontos altos, como as chaminés dos prédios antigos.


A Torre do Relógio, um ex-libris da cidade. Fica situada na zona velha da cidade.


Um edifício que eu acho muito castiço por fazer esquina com duas ruas.
De arquitectura antiga, com as mansardas no telhado, situa-se numa zona muito central com vista sobre a "Devesa" também conhecida como "as Docas", um local valorizado pelo Programa Polis e que se tornou numa grande Praça com Jardins, Lojas, Cafés e Esplanadas.
Digamos que é a sala de visitas da cidade.


Aqui vêem a fachada de um dos edifícios que albergam o Museu Cargaleiro.
Se passarem por Castelo Branco, não deixem de o visitar. Fica situado na zona velha da cidade, uma zona cheia de História e de histórias para contar...
Este antigo solar foi aproveitado com a colaboração da Câmara Municipal, para albergar uma parte do espólio da colecção de loiça antiga e cerâmica da região da Beira Baixa, que pertence a este grande Pintor português.
Aqui se pode conhecer um pouco da sua vida, do seu percurso, a génese da sua arte.
Num espaço exterior contíguo foi construído o novo edifício que alberga a colecção de Pintura e não só. Contém também algumas obras de autores que ele conheceu no seu percurso e com quem trabalhou. Todas essas obras fazem parte da Fundação Cargaleiro.

Que esta seja mais uma boa semana para todos!
Um resto de Domingo muito feliz!
 Beijinhos da
Bombom ( Tia Fátima ou Avó Fátima)


O FORAL MANUELINO DE CASTELO BRANCO

 Como "nem só de pão vive o homem", hoje trago-vos um pouco de História de Portugal.
Depois verão como está relacionada com a vida do dia a dia, com o pão e outros alimentos, com práticas e atitudes...

 No dia 1 de Junho de 1510, o Rei D. Manuel I concedeu foral novo à cidade de Castelo Branco, que na altura se chamava Castelbranco.
No dia 1 de Junho de 2010 passaram 500 anos sobre essa data e a Câmara Municipal , para a assinalar, editou um livro muito interessante sobre esse tema, da autoria do Historiador Leonel de Azevedo.

                                        Foral Manuelino de Castelbranco 

Tive ocasião de o adquirir no Verão passado e gostei muito.
O livro está escrito numa linguagem muito acessível e é muito interessante.
Sabiam que já nesse tempo se pagava portagem ?

 No tempo do rei D. Manuel I já muita gente se queixava porque os Forais antigos pelos quais se regiam, estavam escritos em latim bárbaro que já ninguém entendia, muita legislação tinha sido alterada ao longo dos tempos e muitas moedas tinham caducado. Além disso, como os escritos eram antigos, muitos estavam rasgados, escritos entre linhas e prestavam-se a diversas interpretações, nunca beneficiando as populações e sim, os grandes arrendatários das terras.
Por isso, entre 1500 e 1520, D. Manuel I procedeu a um complexo processo de reforma.

                    Primeira página - Apresentação e títulos de D. Manuel I

"A quantos esta nossa carta de Foral dado à vila de Castel branco virem, fazemos saber... que nossas Rendas e direitos se devem aí enquadrar na forma seguinte:
Paga-se na dita vila e termo (limites) pela açougagem de cada talho de carne a peso, um quarto de carneiro por ano e mais Cinquenta Reais que o alcaide mor terá de receber e será obrigado a vistoriar (os talhos e açougues) à sua custa. 
...    ....   ...
Determinações Gerais para a Portagem

Primeiramente declaramos e pomos por lei geral em todos os forais de nossos Reinos, que aquelas pessoas têm somente de pagar portagem em alguma vila ou lugar se não forem moradores ou vizinhos dele. E se, de fora do tal lugar e termo dele (seus limites), tiverem de trazer coisas para aí vender, têm de pagar portagem. Ou se os ditos homens de fora comprarem coisas nos lugares onde assim não são vizinhos nem moradores e as levarem para fora do dito termo.
... ... ...
Também declaramos que todas as cargas que adiante vão postas e nomeadas em carga maior, se entendam que são de besta muar ou cavalar. E por carga menor se entenda carga de asno. E por costal, a metade da dita carga menor que é um quarto da carga da besta maior.
...   ...   ...

Portagem

De todo o trigo, cevada, centeio, milho, painço, aveia, e de farinha de cada um deles ou de linhaça;
E de vinho, vinagre ou sal e de cal que a dita vila e termo trouxerem homens de fora para vender ou as comprarem e levarem para fora do termo, se pagarão por carga de besta maior (cavalar ou muar), um Real.
E por carga de asno que se chama menor, meio Real. E por costal que é metade de besta menor, dois ceitis e daí para baixo em qualquer quantidade quando vier para vender, um ceitil. E quem levar para fora de quatro alqueires para baixo, não pagará nada nem precisa de declarar (à portagem).
E se as ditas coisas ou outras quaisquer vierem ou forem em carros ou em carretas, contar-se-à cada um por duas cargas maiores, se das tais coisas tiver de se pagar portagem.

Coisas de que se não paga portagem

A portagem não se pagará de todo: pão cozido, queijadas, biscoito, farelos, ovos, leite nem coisa dele (lacticínios) que seja sem sal.
Nem de prata lavrada, nem de pão (em grão) que trouxerem ou levarem ao moinho, nem de carnes, vides, carqueja, tojo, palha, vassouras, nem de pedra. Nem de barro. Nem de lenha, nem erva. Nem carne vendida a peso ou a olho, nem se declarará, a menos que seja para vender, quer sejam vizinhos ou não. Nem se pagará pelas coisas que são nossas nem das que quaisquer pessoas trouxerem para seu uso, ou feitas a nosso mando ou autoridade. Nem de pano ou fiado que se mandar fora a tecer, curar ou tingir. Nem dos mantimentos que os caminhantes na dita vila ou termo comprarem e levarem para seus mantimentos e de suas bestas, nem dos gados que vierem pastar nalguns lugares passando.
...   ...   ...

Isto foi só uma pequena amostra, porque depois o Foral especifica todas as transacções possíveis na época e o respectivo pagamento à Coroa e à Villa.
Uma coisa muito interessante é ver como se procedia na perda ou achado de gados perdidos,  o pagamento por se cortarem madeiras ou cortiça, as penas de armas nas brigas de rua, ou simplesmente quais os alimentos que se usavam nessa época (vem referido o ruibarbo, por ex.).
O livro está escrito em português arcaico e eu tentei "traduzir" para português mais actual, mas é difícil consegui-lo a 100%.

Desejo-vos um resto de semana feliz.

PS: RECADO para Dodoca do "Brechique da Dodoca":
 Deixei resposta ao seu comentário no 1° post sobre Sementes Comestíveis. Não consigo comentar no Brechique. Tenho um ficheiro para si, mas não tenho o seu e-mail.

Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

BORDADO DE CASTELO BRANCO


Tenho tido alguma dificuldade em prosseguir com novas receitas. Enquanto me organizo melhor, pensei trazer-vos alguns temas de interesse geral.
O primeiro é relacionado com o Bordado de Castelo Branco, um dos produtos mais típicos e ricos da cidade de Castelo Branco.
Surgiu essencialmente em colchas de linho que eram bordadas com fio de seda natural, com desenhos e pontos muito variados. (Cliquem na imagem para a ampliarem).
Estas colchas tornaram-se conhecidas a partir de meados do século XVI (1550).
Eram bordadas para famílias nobres ou para burgueses ricos e também para as bordadoras quando se casavam.
Estes trabalhos, muito antigos, podem ser apreciados no Museu Tavares Proença, o museu da cidade de Castelo Branco.
Há quem diga que os desenhos são de inspiração oriental, mas não sei se é verdadeira esta informação.
Muitos têm cenas campestres, flores diversas estilizadas, outros são "naifs" com pessoas e animais.
Actualmente bordam-se painéis para paredes, quadros, etc.
No Museu tem funcionado uma escola de bordados que tem promovido estes trabalhos que já estavam em desuso. Com a descoberta das fibras sintéticas que são mais baratas, deixou de se fabricar fio de seda. Então foi preciso retomar a confecção da seda, do fio e da tinturaria antiga para as colorir.
Como podem calcular, estes bordados são muito trabalhosos e requerem muita entrega da parte das bordadoras, por isso são dispendiosos.
Eu vi um painel lindo para parede a ser confeccionado, encomendado por um ex-Ministro, que custava na altura 2000 contos (10000 euros na moeda actual).
O quadro que vos mostro foi-me oferecido por uma prima que o confeccionou e que guardo com muita estimação.
Se alguma vez passarem por Castelo Branco, não deixem de visitar o Museu e os Jardins do Paço que o envolvem.

Boa semana e beijinhos da

Bombom