ARROZ DE COGUMELOS (SECOS)



Tinha já há algum tempo, uma embalagem com Cogumelos Shitake secos na minha despensa, mas como sempre que tenho um ingrediente que nunca usei, tinha receio e ia adiando o seu uso. (Não sei se vocês também têm esta renitência).
Foi no dia de Páscoa que resolvi experimentar, seguindo as instruções da embalagem e ainda fiz uma pesquisa na net. Afinal era bem simples!
Os cogumelos são secos ao sol (desidratados), inteiros ou laminados e conservam o seu sabor melhor do que se forem congelados. Por isso, o primeiro passo é a sua hidratação com água quente ou caldo de carne ou legumes. Mas cuidado, o líquido deve estar quente mas não a ferver.
A embalagem que usei tinha 25 g e deu para 2 vezes. Depois de hidratado aumenta bastante de volume.

Arroz de Cogumelos Secos

Para 2 pessoas:

1 mão cheia de cogumelos secos (usei shitake)
100 ml de arroz carolino
250 a 300 ml de água  ou caldo quente
2 colheres de sopa de azeite virgem
1/2 cebola pequena picada
1 folha de louro pequena (sem a nervura do meio)
 sal q.b.



Hidratar os Cogumelos


Numa tigela funda de loiça ou pirex, coloque os cogumelos e cubra com água ou caldo quente (sem ferver).
Deixe repousar durante 30 minutos (aumentam bastante de volume).
Coe o caldo e aproveite para fazer o arroz. Reserve os cogumelos noutro recipiente.


Preparação do Arroz:

Aqueça bem o caldo ou a água da hidratação dos cogumelos. Reserve.
Num tachinho pequeno, leve ao lume o azeite, a cebola picada e o louro. Cozinhe em lume brando até a cebola começar a ficar transparente e, nessa altura, junte os cogumelos escorridos, mexa  e deixe aquecer
Junte o arroz lavado e escorrido e envolva no refogado, mexendo sempre com a colher de pau, para aquecer bem. Aumente o lume para o máximo. Acrescente 200 ml do caldo quente, tempere de sal e mexa até que ferva. Baixe o lume para o mínimo, tape e deixe cozinhar durante 15 minutos. A meio do tempo, dê uma mexidela e, se for necessário, acrescente mais um pouco de água ou caldo quente.

Notas:
- Este é o Arroz à Portuguesa. Se preferir, use a técnica do risotto.
- Os cogumelos são ricos em proteínas, por isso em maior quantidade, constituem uma boa Refeição Vegetariana.
- Eu pus menos quantidade de cogumelos porque o Arroz era para acompanhar uma refeição de Carne Assada no Forno.

Espero que gostem. Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

E A VIDA CONTINUA, FELIZMENTE!


Queria deixar aqui um agradecimento a todos os amigos que por aqui passaram (e foram muitos) tenham ou não comentado. Para todos um MUITO OBRIGADA pela energia positiva que me enviaram.
Em especial às Amigas e Amigos que através dos seus comentários  ou mensagens, me reconfortaram e ajudaram a vencer este momento traumático. Para todos, o meu Bem Hajam!
Ainda não conseguimos dormir bem, mas a pouco e pouco vamos descontraindo e em breve tudo entrará na normalidade.
Os documentos estão tratados e, embora só tenha os comprovativos, já posso conduzir. O carro deve estar pronto ainda esta semana, por isso, novo fim de semana se aproxima e é PRIMAVERA!

Um abraço com amizade, da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

UMA SEMANA ATRIBULADA

O "post" de hoje é a preto e branco, tal como me sinto de momento, (mas vai passar depressa, espero bem).
Não há máquina fotográfica, nem telemóvel, nem óculos, nem...nem...nem...
Afinal, não acontece só aos outros. Um dia vem e o "raio" atinge-nos a nós porque não nos acautelámos!
Na terça-feira passada roubaram-nos o carro onde eu tinha posto a minha carteira, para irmos andar um pouco a pé. Foi só uma hora. Quando regressámos encontrámos-lhe o sítio.
Foi aquele sufoco! Fomos à PSP participar e o Agente que nos atendeu foi impecável: telefonou logo para a PSP da nossa área de residência e pediu-lhes que fizessem uma rusga pela nossa rua e ajudou-nos a contactar o nosso Banco para desbloquear as contas pois eu tinha o cartão de crédito na bolsa.
Findas as diligências viemos de táxi para casa.
Quando abrimos a porta da entrada, parecia que tinha lá entrado um furacão: tínhamos sido assaltados!
Foi maior a desarrumação e o caos do que o roubo propriamente dito, porque não costumamos ter dinheiro em casa. Levaram o ouro que, não sendo muito, era de estimação e algumas notas do cofre do condomínio porque este ano somos os administradores e vamos ter de fazer umas reparações.
E podemos dar-nos por muito felizes. Deixaram os cheques e os adornos de prata no chão e não partiram nada!
Ah, levaram também a minha máquina fotográfica (mas deixaram o carregador) e o meu secador de cabelo.
E deixaram ficar o computador portátil, a câmara de filmar, os binóculos e os carregadores, tudo desarrumado em cima da cama.
Foram uns ladrões muito selectivos que só queriam ouro e dinheiro em "cash"!
Eram dois e demoraram um quarto de hora a pôr-me a casa de pantanas.
Eu julgo que estava um à espreita na varanda e deve ter visto o carro da polícia e por isso sairam logo. Até fecharam a porta à chave de novo!
Os pormenores soubemos depois, pela  vizinha do lado que os viu à porta e pensou que eram pessoas nossas conhecidas e que lhes tínhamos aberto a porta.
Ao princípio da noite a PSP telefonou-nos a dizer que tinha aparecido o carro num sítio próximo do local, mas mais escondido. Tinha um vidro partido, a fechadura do porta bagagens arrombada, mas não tinha nenhuma mossa. Foi um milagre!
E depois destes azares todos, digam lá se não tenho de dar muitas Graças a Deus por tudo o que os ladrões me deixaram ficar ?!!!
Tem sido uma grande canseira para pôr tudo em ordem de novo, trocar fechaduras, ir buscar o carro depois da peritagem da PJ, refazer documentos, levar o carro à oficina (vai amanhã)...
A pouco e pouco, a poeira vai assentando e já estou a começar a dormir melhor, mas ainda ando um bocado nervosa.
Fez-me bem este desabafo. Obrigada por me aturarem!
Tenham uma boa semana . Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)


ARROZ, RISO E RISOTTO



Quando li no livro Mistérios do Abade de Priscos, do jornalista Fortunato da Câmara, o capítulo dedicado ao RISOTTO À MILANESA, fiquei com vontade de vos trazer este tema que é tão interessante.
Ele começa por referir que Risotto não é um tipo de arroz (riso em italiano), mas sim uma técnica de o cozinhar, que é um prato típico da região da Lombardia e Piemonte, no norte de Itália, e que se tornou conhecido no séc. XVI.
O arroz, conhecido no Médio Oriente há 5000 anos, foi divulgado na China, Índia, Vietname e Tailândia até se tornar no "pão da Ásia". No séc. V a C (antes de Cristo) cultivou-se na Pérsia e na Mesopotâmia. No séc.I  d C (depois de Cristo) já era conhecido dos Gregos e o médico Pedanius Dioscórides já o usava como medicamento e os seus ensinamentos foram aproveitados mais tarde pelos Romanos.
A entrada do arroz na Península Ibérica sem ser como medicamento, aconteceu com as invasões árabes da Andaluzia, pois eles iniciaram grandes plantações de arroz para seu alimento.
Em Portugal, só no reinado de D. Dinis (séc. XII) é que se encontram referências ao arroz que era considerado um "fruto estrangeiro" , caro e por isso reservado apenas às famílias ricas.

Nos finais do séc. XV já havia grandes campos de cultivo de arroz nas margens do rio Pó, a sul de Milão e no séc. XVI já a região da Lombardia tinha grande produção de arroz que era consumido na alimentação diária das populações.
É por essa altura que aparecem "as primeiras receitas consistentes àcerca do que viria a ser o risotto.
Uma dessas receitas é o "risotto  alla milanese".
Os grãos indicados para fazer risotto são os médios oblongos da variedade japónica, que tem características e versatilidade semelhantes ao nosso arroz carolino, que chegou a Portugal no séc. XVII vindo de uma plantação americana desenvolvida por ingleses na Carolina do Sul, daí o baptismo de carolino.
Sem querer retirar o mérito aos italianos pela forma como cozinham o arroz e pelas variedades que cultivam, também merece ser lembrado que o lusitano carolino (do Baixo Mondego e das Lezírias) é certificado com Indicação Geográfica Protegida, tal como o Riso del Delta de Pó (o indicado para fazer risotto), e permite fazer igualmente arroz de textura cremosa, tal como o nosso tradicional arroz doce." - in Mistérios do Abade de Priscos de Fortunato da Câmara.

A mais antiga receita que se parece com um risotto, foi publicada em 1570 no livro Opera por Bartolomeo Scappi, mestre cozinheiro dos Papas Pio IV e Pio V. Aí ele publica a sua receita de Arroz alla Lombarda, preparado com o caldo da cozedura de um galo capão com cervellate, um antigo enchido milanês que continha açafrão e a que se juntava açúcar, ovos, canela e os pedaços do galinácio.
Com o passar dos anos as receitas foram evoluindo, mas o tom dourado dado pelo açafrão ao risotto alla Milanese manteve-se.
"Qualquer que seja a receita, a chave para se obter um bom risotto, está no tipo de grão de arroz utilizado, na qualidade do caldo e por fim, na textura. Durante a cozedura, o caldo é absorvido progressivamente pelo arroz - obrigatòriamente de bago médio tipo japónica - , que vai libertando amilopectina, uma espécie de  goma gelatinosa que deixa os grãos num ambiente cremoso. Para se obter este resultado, o bago tem de ser resistente para ficar macio mas manter alguma firmeza. As variedades mais populares a nível internacional são o carnaroli , de grão fino para cozeduras mais longas, o vialone nano, de grão semifino para cozinhar mais rápido com ingredientes delicados como peixe ou legumes e o arboreo com um grão superfino e versátil para diferentes receitas."

Este é um pequeno resumo do livro acima referido, para quem gosta de História ou aprecia saber o come. Vale a pena lê-lo pois há muito mais que fica por dizer neste pequeno "post" sem pretensões que não sejam a sua divulgação.
Espero que tenham gostado. Desejo a todos uma óptima semana. Bjs.

Bombom

OLÁ!...



                                 Primavera na minha aldeia

Não sei se já repararam, mas com a chegada da Primavera, a Bombom andou muito sem "élan".
Mas parece que essa fase já passou e tudo vai voltando à normalidade. Deve ter sido da "astenia da Primavera", que passa normalmente com uma alimentação rica em legumes e frutas e reforçada com vitaminas.
Nesta quadra pascal não houve grandes novidades culinárias. Nunca falta o Pão de Ló, e o Cabrito Assado, mas já foram referenciados no Meu Estaminé, em anteriores ocasiões.


 Desta vez, o Pão-de-Ló foi transformado em Bolo de Morangos, com recheio e cobertura de chantilly para a sobremesa.
Houve, no entanto, dois acompanhamentos que muito me agradaram: um Arroz de Cogumelos Shitake e, noutra ocasião, um Arroz de Espargos. Só foi pena não ter tirado umas fotos!
Só por essa razão é que não vos deixo hoje a receita, mas prometo que muito brevemente voltarei a repetir e tirarei as fotos para vos mostrar. E também falaremos de Arroz ou Riso (em italiano) e ainda de Risotto.
Eu volto já! Tenham um bom Feriado.
Beijinhos da
Bombom


MOSTARDA DE GRÃOS (CASEIRA) DE DARINA ALLEN


Hoje trago-vos uma receita que fiz há cerca de um mês, antes de viajar.
É uma boa receita mas, por um LAPSO meu, o resultado foi quase um desastre culinário.
Mas primeiro vamos à receita que veio de La Cucinetta.

Mostarda de Grãos (Caseira)

De Darina Allen

2/3 de xícara de vinagre de vinho branco (de boa qualidade)
6 colheres de sopa de sementes de mostarda (amarelas e pretas)
3 ou 4 colheres de sopa de mostarda inglesa em pó
1/4 de xícara de vinagre de vinho branco
2 colheres de sopa de mel
2 colheres de chá de sal (só usei 1)

* Nota - Use vinagre de Champanhe para um resultado mais suave.

Para facilitar, faça a mistura dentro de frascos de vidro altos para poder esmagar as sementes.
1 - Coloque as sementes de mostarda dentro do frasco e cubra com a primeira porção de vinagre.
Misture, feche o frasco e deixe à temperatura ambiente por 3 a 5 dias. Quanto mais deixar macerar, mais forte será a mostarda.
2 - Passado esse tempo, abra o frasco e, com o "socador" do pilão, esmague as sementes no vinagre, tanto quanto conseguir. (É mais fácil no frasco de vidro alto do que no pilão baixo, para evitar sujeira).
3 - Junte a mostarda em pó, aos poucos, misturando bem para dissolver os grumos.
Acrescente a segunda porção de vinagre, o mel e o sal. Misture bem e prove e rectifique o sal se for necessário. Tape e conserve no frigorífico. Pode ser usado imediatamente.
Rende pouco mais de uma xícara de mostarda.


 As minhas Notas:
- Fiz a receita à risca. Usei Vinagre de Champanhe da Gallo (Modelo/Continente).
- A mostarda inglesa em pó trouxe de Inglaterra, mas cá também haver (Jumbo ou El Corte Inglês).
- Em vez do "socador" usei a varinha trituradora.
- Rendeu-me 2 frascos de 200 ml.
- Ficou saborosa, amarelinha e com alguns grãozinhos finos.


 Agora o meu LAPSO!...
Quando me preparava para tirar as fotos dos ingredientes, saltou-me à vista: Sementes de linhaça !
E fiquei com 2 frascos de Mostarda de Linhaça, (he, he) que guardei no frigorífico para não deitar fora.
Entretanto, depois de regressar, pensei que:
        - se está saborosa (a mostarda inglesa é mesmo boa);
        - se a linhaça é uma semente saudável,
então, por que não experimentar?
Já a usei duas vezes e não me arrependi, para temperar uns lombinhos de porco e num peixe assado. Qualquer deles foi muito aplaudido pelo Provador Oficial do Meu Estaminé, que nem sonha que estava a comer Mostarda de Linhaça!
E fica o conselho: verifiquem sempre o nome das sementes, antes de usarem.

Boa semana! Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

AINDA LONDRES ... THE 4TH PLINTH OU O 4° PILAR

                O 4° Pilar, local de Exposição de Esculturas Modernas Temporárias

Devem estar lembrados do meu comentário aqui, (http://receitasdatiafatima.blogspot.pt/2014/04/londres-em-dias-de-sol.html) , quando confessei que tinha ficado surpreendida com "este grande Galo, a destoar por completo" na Praça de Trafalgar".
Foi então que uma leitora residente em Londres a quem mais uma vez agradeço publicamente, fez o favor de me deixar um comentário em que me dizia que esse 4° Pilar estava vazio e que foi aproveitado para Exposições Temporárias de Escultura Moderna e convidava-me a fazer uma pesquisa em The Fourth Plinth.
Isto só confirma o Ditado que diz "A ignorância é atrevida", (neste caso, a minha)!

                          Trafalgar Square com o edifício da National Gallery em fundo

Fiquei então a saber que o 4° Pilar estava destinado à Estátua Equestre de William IV, mas como não se conseguiram os fundos necessários para a mandar fazer, o pedestal ficou vazio durante 150 anos.
Em 1998 a Royal Society of Arts tomou a iniciativa de apresentar um Projecto para o 4° Pilar (The Fourth Plinth Project) e no ano seguinte (1999) fez-se a primeira Exposição Temporária de Escultura Contemporânea, sobre o pilar vazio.
O Galo Azul como lhe chamei, "a domestic farmyard cockerel saturate in intense ultramarine blue", feito em acrílico, tem mais de 4 m de altura e é da autoria da escultora alemã Katharina Fritsch e foi inaugurada em Julho de 2013.
Actualmente, o Fourth Plinth Programme é o mais conhecido dos Prémios de Arte Contemporânea do Reino Unido. É presidido pelo Mayor de Londres (Presidente da Câmara) que faz parte da Greater London  Authority .
Para esse Prémio, Artistas de classe mundial são convidados a fazer trabalhos de escultura "monumentais e que causem admiração". Posteriormente, a Greater London Authority escolhe o melhor para ser exposto no 4° Pilar.
Em Fevereiro deste ano, foram anunciados os vencedores para 2015 e 2016, respectivamente Hans Haacke e David Shringley.

Agradecimento: Muito obrigada, S. Denise Silva pelo seu útil comentário, sem o qual eu não teria aprendido tanto. Bem Haja!

Desejo a todos um feliz fim de semana.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)