O FORAL MANUELINO DE CASTELO BRANCO

 Como "nem só de pão vive o homem", hoje trago-vos um pouco de História de Portugal.
Depois verão como está relacionada com a vida do dia a dia, com o pão e outros alimentos, com práticas e atitudes...

 No dia 1 de Junho de 1510, o Rei D. Manuel I concedeu foral novo à cidade de Castelo Branco, que na altura se chamava Castelbranco.
No dia 1 de Junho de 2010 passaram 500 anos sobre essa data e a Câmara Municipal , para a assinalar, editou um livro muito interessante sobre esse tema, da autoria do Historiador Leonel de Azevedo.

                                        Foral Manuelino de Castelbranco 

Tive ocasião de o adquirir no Verão passado e gostei muito.
O livro está escrito numa linguagem muito acessível e é muito interessante.
Sabiam que já nesse tempo se pagava portagem ?

 No tempo do rei D. Manuel I já muita gente se queixava porque os Forais antigos pelos quais se regiam, estavam escritos em latim bárbaro que já ninguém entendia, muita legislação tinha sido alterada ao longo dos tempos e muitas moedas tinham caducado. Além disso, como os escritos eram antigos, muitos estavam rasgados, escritos entre linhas e prestavam-se a diversas interpretações, nunca beneficiando as populações e sim, os grandes arrendatários das terras.
Por isso, entre 1500 e 1520, D. Manuel I procedeu a um complexo processo de reforma.

                    Primeira página - Apresentação e títulos de D. Manuel I

"A quantos esta nossa carta de Foral dado à vila de Castel branco virem, fazemos saber... que nossas Rendas e direitos se devem aí enquadrar na forma seguinte:
Paga-se na dita vila e termo (limites) pela açougagem de cada talho de carne a peso, um quarto de carneiro por ano e mais Cinquenta Reais que o alcaide mor terá de receber e será obrigado a vistoriar (os talhos e açougues) à sua custa. 
...    ....   ...
Determinações Gerais para a Portagem

Primeiramente declaramos e pomos por lei geral em todos os forais de nossos Reinos, que aquelas pessoas têm somente de pagar portagem em alguma vila ou lugar se não forem moradores ou vizinhos dele. E se, de fora do tal lugar e termo dele (seus limites), tiverem de trazer coisas para aí vender, têm de pagar portagem. Ou se os ditos homens de fora comprarem coisas nos lugares onde assim não são vizinhos nem moradores e as levarem para fora do dito termo.
... ... ...
Também declaramos que todas as cargas que adiante vão postas e nomeadas em carga maior, se entendam que são de besta muar ou cavalar. E por carga menor se entenda carga de asno. E por costal, a metade da dita carga menor que é um quarto da carga da besta maior.
...   ...   ...

Portagem

De todo o trigo, cevada, centeio, milho, painço, aveia, e de farinha de cada um deles ou de linhaça;
E de vinho, vinagre ou sal e de cal que a dita vila e termo trouxerem homens de fora para vender ou as comprarem e levarem para fora do termo, se pagarão por carga de besta maior (cavalar ou muar), um Real.
E por carga de asno que se chama menor, meio Real. E por costal que é metade de besta menor, dois ceitis e daí para baixo em qualquer quantidade quando vier para vender, um ceitil. E quem levar para fora de quatro alqueires para baixo, não pagará nada nem precisa de declarar (à portagem).
E se as ditas coisas ou outras quaisquer vierem ou forem em carros ou em carretas, contar-se-à cada um por duas cargas maiores, se das tais coisas tiver de se pagar portagem.

Coisas de que se não paga portagem

A portagem não se pagará de todo: pão cozido, queijadas, biscoito, farelos, ovos, leite nem coisa dele (lacticínios) que seja sem sal.
Nem de prata lavrada, nem de pão (em grão) que trouxerem ou levarem ao moinho, nem de carnes, vides, carqueja, tojo, palha, vassouras, nem de pedra. Nem de barro. Nem de lenha, nem erva. Nem carne vendida a peso ou a olho, nem se declarará, a menos que seja para vender, quer sejam vizinhos ou não. Nem se pagará pelas coisas que são nossas nem das que quaisquer pessoas trouxerem para seu uso, ou feitas a nosso mando ou autoridade. Nem de pano ou fiado que se mandar fora a tecer, curar ou tingir. Nem dos mantimentos que os caminhantes na dita vila ou termo comprarem e levarem para seus mantimentos e de suas bestas, nem dos gados que vierem pastar nalguns lugares passando.
...   ...   ...

Isto foi só uma pequena amostra, porque depois o Foral especifica todas as transacções possíveis na época e o respectivo pagamento à Coroa e à Villa.
Uma coisa muito interessante é ver como se procedia na perda ou achado de gados perdidos,  o pagamento por se cortarem madeiras ou cortiça, as penas de armas nas brigas de rua, ou simplesmente quais os alimentos que se usavam nessa época (vem referido o ruibarbo, por ex.).
O livro está escrito em português arcaico e eu tentei "traduzir" para português mais actual, mas é difícil consegui-lo a 100%.

Desejo-vos um resto de semana feliz.

PS: RECADO para Dodoca do "Brechique da Dodoca":
 Deixei resposta ao seu comentário no 1° post sobre Sementes Comestíveis. Não consigo comentar no Brechique. Tenho um ficheiro para si, mas não tenho o seu e-mail.

Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

SEMENTES COMESTÍVEIS -cont. E UM PÃO DE QUILO



Hoje quero falar-vos de mais duas qualidades de sementes muito saudáveis, usadas também na alimentação : a Linhaça e o Sésamo, também conhecido como Gergelim.

A Linhaça possui carbo-hidratos, proteínas e fibras e ácidos gordos ómega 3 e 6.
Evita doenças cardiovasculares, desconfortos da menopausa e TPM, contribui para a perda de peso e faz bem à pele.
Tem duas apresentações: sementes claras douradas e sementes castanhas escuras.
Dose diária: 2 colheres de sopa.

Sésamo  (gergelim) - É benéfico para os nervos e células cerebrais. Está indicado nos casos de doenças cardiovasculares, pois fluidifica o sangue. É uma fonte de cálcio, fósforo, ferro, vitaminas do complexo B e ácidos graxos insaturados. Estimula a digestão e é altamente eficaz na lubrificação dos intestinos, evitando a prisão de ventre (obstipação) e as hemorróidas. Estas sementes são conhecidas como reguladoras das glândulas pituitária e pineal.
Como se suspeita que os ácidos gordos polinsaturados favorecem o cancro, é preferível não abusar do óleo de sésamo nas preparações culinárias.
As mulheres grávidas não devem ingerir grandes quantidades de sésamo (sementes ou óleo), pois o sésamo aumenta o risco de falso parto.
Dose diária: 1 colher de sopa.

Como diz o ditado, "O remédio e o veneno, é só uma questão de quantidade". Comer faz bem, mas com moderação e respeitando as doses diárias.
Hoje deixo-vos uma receita de pão de base com 1 kg, fácil e rápida de preparar na MFP. Basta terem à mão uma xícara (cup) de 200 ml.
Podem substituir 1 xícara de farinha de trigo por farinha integral, acrescentar sementes, passas de uva, nozes ou 3 colheres de sopa de Muesli. Ficarão com um pão diferente e mais enriquecido em fibras e vitaminas.

Pão de 1 kg

Água - 1 1/2 cup (300 ml = 3 dl)
Manteiga líquida ou azeite - 2 e 3/4 colheres de sopa
Sal - 2 colheres de café
Açúcar - 2 e 3/4 colheres de sopa
Leite em pó magro - 2 colheres de sopa
Farinha de trigo sem fermento T55 - 4 cup
Fermento seco de padeiro - 3 colheres de café (tipo Fermipan)

Introduzir os ingredientes na cuba pela ordem indicada. Programa 1 (Normal).

Com desejos de um bom início de semana.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

AS SEMENTES COMESTÍVEIS

                         Sementes de papoila

Já há bastante tempo, quando comecei a ver utilizar sementes sobretudo no pão, pensei que era mais uma moda que aí vinha. Santa ignorância! Como sou muito curiosa e gosto muito de saber "os porquês", fui investigar e mudei de ideias. Desde aí, comecei a usá-las não só na confecção do pão, mas nas misturas de cereais e nas saladas.
Hoje resolvi partilhar convosco o que descobri, na esperança de que seja útil para mais alguém.

As sementes são alimentos bioactivos, ou seja, activam a vida.
Quase todas as sementes possuem óleos vegetais que, além de conterem energia, são ricos em proteínas, fibras, sais minerais, vitaminas, enzimas e fito-hormonas.
Por tudo isso, devem fazer parte da nossa alimentação diária.
As gorduras insaturadas nelas contidas, são imprescindíveis ao bom funcionamento do nosso corpo porque cumprem uma série de funções metabólicas:
- Controlam a temperatura do corpo.
- Protegem os órgãos e músculos dos impactos.
- Fornecem ácidos graxos essenciais à construção das membranas celulares flexíveis e porosas.
- Fornecem ácidos graxos essenciais para a  produção de vitaminas, hormonas, ácidos biliares e pigmentos.
- Transportam e absorvem as vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K.)

As sementes são crocantes e dão textura e sabor às saladas, pães e biscoitos.
Algumas, quando torradas podem servir de aperitivo, como as sementes de abóbora ou de pistáccio.
Costumo usar 2 ou 3 colheres de sopa na massa do pão.
Também faço misturas com 2 qualidades de sementes, diferentes: por exemplo, girassol e sésamo (gergelim).

                        Sementes de abóbora e de Girassol

ABÓBORA

As sementes de abóbora têm muita fibra, pelo que são aconselháveis a quem sofre de obstipação (prisão de ventre).
Contêm muita vitamina A: previne a degeneração macular e outras doenças dos olhos.
Baixa a tensão arterial porque contém elevadas quantidades de potássio.
Contém vitamina E, o nutriente que combate o envelhecimento e torna a pele mais saudável.
Contém um nutriente que previne e trata  naturalmente a  prostatite (inflamação da próstata).

GIRASSOL

As sementes de girassol usam-se para fortalecer pessoas debilitadas ou convalescentes e as crianças em período de crescimento.
Possui elevado teor de gordura monoinsaturada, um nutriente cada vez mais famoso por afastar as doenças
cardiovasculares.
São muito ricas em magnésio, o mineral que ajuda o esqueleto e combate a osteoporose.

Análise Nutricional por 100 g (1 xícara bem cheia):


                           ABÓBORA                               GIRASSOL

Calorias                     446  cal                                     570 cal
Fibras                          35,9 g                                        16,05 g
Gordura monoinsat.        6,03 g                                        9,46 g
Vitamina A                     6,2 mcg  (microgramas)             5 mcg
Potássio                      919 mg                                      689 mg
Vitamina E                       3,19 mg                                -----
Magnésio                     262 mg                                     324 mg

Dose Diária recomendada : 2 colheres de sopa ;     1 colher/sobremesa


PAPOILA

As sementes de papoila são legais nos EUA e Europa porque não contêm qualquer um dos alcalóides presentes na planta adulta da papoila (morfina, codeína, papaverina, ou tebaína).
São usadas na alimentação para juntar à massa do pão ou bolos, para polvilhar saladas, massas ou arroz, e para juntar a assados de carne ou peixe.
Além de enfeitarem os pratos, são crocantes e dão-lhes um ar "gourmet".
Mais importante, é que são ricas em minerais como cálcio, magnésio, potássio e fósforo.

Por hoje, já chega de conversa (he,he). Para não vos enjoar, continuaremos noutra altura.
Que tenham um dia bem passado!

Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

BAGAS DE GOJI E PÃO COM GOJI

                           Bagas de Goji
Na última ida ao supermercado, encontrei pela primeira vez as Bagas de Goji de que já tinha ouvido falar.
Chegada a casa, fiz um pão com a receita de base que vos deixei no último post e acrescentei 2 colheres de sopa de bagas de Goji e 2 de sementes de girassol. 




 Obtive um belo pão amarelinho que até parecia um bolo!
Sem sabor de especial, mas levemente adocicado. Podia ter posto 3 colheres de sopa de bagas e só uma de açúcar na massa. 



Ficou esponjoso e macio e simples ou torrado, é óptimo com queijo fresco ou compota (para os mais gulosos).
E para que fiquem a saber tanto como eu, aqui vai:


Bagas de Goji


- São originárias das Montanhas dos Himalaias e da zona do Tibete, há muito conhecidas e usadas na medicina chinesa.
- São muito ricas em antioxidantes (que eliminam os radicais livres). 
- Diz-se que têm propriedades afrodisíacas (penso que só se for comido em grandes quantidades).
- Podem ser consumidas por pessoas de todas as idades e condições físicas, incluindo futuras Mães em estado de gravidez. 
- Contém 21 minerais entre os quais zinco, ferro (mais do que a carne vermelha), cobre, cálcio, selénio e fósforo.
- Fornecem também vitaminas B1, B2, B6, E e uma grande concentração de vitamina C e betacaroteno (+ do que a cenoura).


Análise Nutricional por 100 g :


Calorias : 360 kcal
Proteínas : 12,20 g
Hidratos de Carbono : 57,82 g
Lípidos : 7,14 g
Fibras : 7,79 g
Cálcio : 112 mg
Ferro : 9 mg
Fósforo : 203 mg
Zinco : 2 mg
Selénio : 50 mcg
Potássio : 1,132 mg

 O seu sabor é levemente adocicado (como o das passas de uva) e lembra o do damasco.
As bagas são vendidas secas e podem comer-se assim ou misturadas no yogurte, cereais de pequeno almoço, saladas de frutas ou de vegetais, batidos, gelados e na massa do pão ou bolos, como qualquer outra fruta seca.
Também podem ser re-hidratadas, pondo-as de molho para obter a consistência próxima da original.
A dose diária ideal são dois punhados de bagas.
Devem guardar-se em local seco e fresco, em pacote ou em frasco bem fechado.
Podem semear-se no quintal ou na varanda onde não apanhem muita chuva. Não gostam de muita água.
Para isso, depois de hidratadas, abrem-se e retiram-se as sementinhas (não sei se é só uma ou mais) e semeiam-se várias num vaso, porque nem todas se desenvolvem. Dão um pequeno arbusto e ao fim de 2 anos já dão bagas!

Nota: Hoje juntámos uma colher de sopa de bagas de Goji hidratadas na salada de frutas (era só para 2 pessoas). Além de fazer bem à saúde, dá-lhe um realce de cor, muito bonito.
- Para hidratar: Colocar as bagas dentro de um recipiente com água para as cobrir e deixar repousar durante 30 minutos. Coar e deitar fora a água e juntar as bagas à salada de frutas. Se for para outros fins (gelados, por exemplo) secar em papel de cozinha, antes de utilizar.


Se quiserem saber mais receitas com Goji, vejam em 
www.bagasgoji.com/page-19-Como+consumir+gojis.html

Continuação de uma boa semana, com saúde e boa disposição.
Beijinhos da 


Bombom / Tia Fátima ou Avó Fátima

PÃO COM SEMENTES DE PAPOILA


Hoje, quinta-feira dia 17, o Lidl teve à venda Máquinas de fazer Pão.
Por 49.90 euros, já é possível comprar uma MFP bem eficiente e com diversas valências:
além de diversos tipos de pão, pode preparar-se massa para Pizza, fazer compotas, etc.
Pode-se fazer pão com 3 pesos: 750 g, 1000 g (1 kg) ou 1250 g.
Quando a minha máquina vèlhinha se avariou no início do ano, andei a ver os preços das diversas marcas, por curiosidade. Uma exorbitância!
As mais baratas custavam entre 60 ou 70 euros e daí para cima, iam até aos 100 ou um pouco mais.
Eram todas XPTO, umas com mais capacidades, outras nem tanto...Um "barrete" da publicidade para incautos!
Bàsicamente, fazem todas o mesmo, tanto faz ser a mais cara como a mais barata.
Por isso resolvi esperar pela promoção do Lidl para adquirir a mais barata do mercado.
Comprei-a no Verão passado e já está bem "testada". Por isso a recomendo.É da marca Silver Crest, italiana, e tem 2 anos de garantia.

Pão de Trigo

200 ml + 1 colher de sopa de água (1 cup + 1 colh.sopa)
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de açúcar
1 e 1/2 colher de chá de sal
600 ml de farinha de trigo (T 55 ou T 65) (3 cup)
2 e 1/2 colheres de chá de fermento seco (Fermipan)

3 colheres de sopa de sementes de papoila

Colocam-se os ingredientes por esta ordem na forma de pão, excepto as sementes.
Inicia-se o Programa 1. Quando a máquina apitar acrescentam-se as sementes.

Notas:
- Esta é uma receita básica para um pão de cerca de 750 g.
- Quando as sementes são pequeninas como estas ou as de sésamo, junto-as no início.
- As máquinas trazem sempre um copo de medida = 1 cup = 200ml
- Geralmente uso farinha de trigo normal e farinha de trigo integral, na proporção de: 2/3 de cup de farinha integral e o restante de farinha de trigo.
- No início, convém ter atenção quando a máquina começa a bater a massa, porque as farinhas não são todas iguais e às vezes é preciso acrescentar um pouco mais de água. Use água morna e deite uma colher de sopa de cada vez sobre a massa.

Tenham uma boa sexta-feira, como prenúncio de um óptimo fim de semana.
Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

TARTE DE MARMELOS


Tinham-me ficado os olhos nesta receita que vi no blog afestadebabette.blogspot.com , que ela tinha retirado de um outro e já não sabia de onde, mas que afinal era este, gourmets-amadores.blogspot.com
Não deixem de os visitar se apreciam um bom texto, boas receitas e sugestões de muito bom gosto.


Como ainda tenho bastantes marmelos da safra deste ano para aproveitar, no passado domingo pus mãos à obra. Como podem ver pela foto inicial, não me saí muito bem. Mas se fizerem uma visitinha à Babette, verão a diferença: isto "quem sabe, sabe"!
É que eu usei margarina líquida para barrar a forma (isto de ser preguiçosa...) e acho que se tivesse usado margarina normal me tinha saído muito melhor. Ah! mas de sabor o bolo ficou óptimo: nada enjoativo, com uma textura agradável e com um chá bem quentinho confortou dois velhos corações (he,he).

Tarte de Marmelo

2 marmelos grandes
2 colheres de sopa de açúcar mascavado
sumo de meio limão
1/2 cálice de Vinho do Porto

1 e 1/2 chávena de chá de farinha (usei Branca de Neve)
1 chávena de chá de açúcar amarelo
1 colher de chá de fermento em pó (usei Royal)

2 ovos
200ml de leite
canela e noz moscada q.b.
margarina para untar a forma

Barrar uma forma abundantemente, com a margarina. (Usei uma de fundo amovível).
Polvilhar com o açúcar mascavado.
Dispôr os marmelos fatiados em fatias finas a cobrir todo o fundo da forma.
Regar com o sumo de limão e o vinho do Porto.
Numa taça misture todos os ingredientes secos.
Noutra taça bata ligeiramente os ovos com a vara de arames e junte o leite mexendo bem. Acrescente a canela em pó e a noz moscada ralada.
Envolva o líquido na mistura dos ingredientes secos e incorpore sem bater demais.
Verta na forma por cima dos marmelos e leve ao forno quente, a 180°, por 30 minutos.
Use a técnica do palito para verificar a cozedura.
Retire do forno e desenforme, virando a tarte sobre um prato de serviço.

Notas: Além do que ficou dito atrás, a minha forma não é estanque (deve ser da idade, como a dona, he,he!) e enquanto preparei o bolo, ela deixou vazar algum vinho do Porto. Talvez por isso também, no fim de voltar o bolo no prato, o marmelo tinha ficado agarrado ao fundo. Tive de usar uma espátula para remediar os estragos...
Usei 1 colher de café cheia de canela e outra de noz moscada moída na altura. A noz moscada dá a esta tarte um gostinho especial e muito agradável.
Eu não gosto muito de reproduzir receitas de outros blogs, mas dada a rapidez e facilidade de confecção desta receita, acho que pode ser útil a quem não gosta muito destas lides da Cozinha, ou a quem tem pouco tempo disponível.

Tenham um resto de semana muito feliz. Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

DIA DE SÃO MARTINHO, CASTANHAS ASSADAS NO FORNO



Hoje é dia de São Martinho. Nem parece, pois a chuva fez-se sentir durante quase todo o dia e o céu cinzentão escureceu-nos a tarde. O Verão de S. Martinho este ano foi veranear para outras paragens...
Ou será que se adiantou naqueles dias quentes do mês de Outubro?
O certo é que não há festa de S. Martinho, sem castanhas e vinho. As que vêem na foto, comprei-as lá na aldeia e por isso trazem-me um gosto especial.
Toda a gente sabe assar castanhas, mas pode passar por aqui algum novato (a) e por isso me lembrei de pôr aqui a receita.

Preparar Castanhas:

Primeiro passam-se por água para tirar algum pó ou impureza que tragam e secam-se num pano.
Se for para cozer, dá-se um golpe com faca afiada sobre a parte mais clara (na cabecinha) da castanha.
Se for para assar, faz-se o golpe de lado, mais ou menos a meio, na parte mais bojuda da dita.

Castanhas assadas (no forno)

Põem-se as castanhas devidamente preparadas, num tabuleiro.
Espalha-se por cima uma boa mão cheia de sal grosso.
Salpica-se com pedacinhos de margarina ou com margarina líquida (facultativo).
Leva-se ao forno bem quente durante 20 minutos.
A meio deste tempo, sacode-se o tabuleiro para as castanhas mudarem de posição.
Ao fim desse tempo retira-se uma para o poial da cozinha e dá-se-lhe um murro para que a casca saia mais fàcilmente. (Esta é a melhor técnica). Se estiver cozida, retira-se o tabuleiro do forno. Se não, deixa-se assar mais uns minutos (5m), mas não muitos para não ficarem demasiado secas.

Notas:
As castanhas digerem-se melhor se forem acompanhadas de um cálice de Vinho do Porto, de Jeropiga ou de Vinho Abafado.
Ao saírem do forno, deve-se cobrir o tabuleiro com um pano, para não arrefecerem enquanto se descascam.

Como amanhã é sábado e está prevista mais chuvinha, vou assá-las para o lanche e depois deixo-vos a foto. E se sobrar alguma vai para uma receita de Lombinhos de Porco com Castanhas que vi em A Festa de Babette, um blog a não perderem.
Um bom fim de semana para todos. Beijinhos da

Bombom (Tia Fátima / Avó Fátima)

MOLHO DE TOMATE EM CONSERVA


Este Verão aprendi com a minha prima Elvira que vive lá na minha aldeia da Beira, a fazer uma conserva de tomate que lhe dura para o resto do ano, até voltar de novo o tempo deles. Claro que, além de ter ganho um frasco dela, também ganhei a receita!
Experimentei logo fazê-la, mas esqueci-me das fotos e também depressa se acabou...
Só ontem tive ocasião de repetir a receita, que é muito simples.
Este Molho de Tomate fica parecido com o QB que eu às vezes comprava para pôr nas Pizzas ou nas massas, mas gosto muito mais dos que faço em casa. Além de ficarem muito mais baratos, não têm aditivos, nem corantes, nem conservantes, o que significa que são muito melhores para a nossa saúde.
Conservam-se muito bem na despensa mas quando abertos devem deixar-se no frigorífico e usar-se dentro de uma semana.

Molho de Tomate em Conserva

1 dl de azeite virgem
6 ou 7 dentes de alho grandes
800g de cebolas (3 ou 4 gdes)
1,5 kg de tomates (sem pele nem graínhas)
2 folhas de louro gdes (sem a nervura do meio)
1 ramo de salsa
1 raminho de tomilho (1 colher de café se for seco)
1 raminho de salva (ou de segurelha)
sal e pimenta, qb.
1 colher de chá de açúcar amarelo

Leve ao lume um tacho de inox com o azeite, o alho picado e as folhas de louro. Deixe aquecer durante uns 3 minutos e junte logo a cebola picada e deixe refogar por alguns minutos até começar a ficar transparente. Junte o tomate sem pele nem graínhas e o sumo obtido ao passá-las pelo passador de rede.
Quando levantar fervura, acrescente as ervas aromáticas, o sal, o açúcar e a pimenta moída na altura. Tape, ponha em lume brando e deixe cozinhar, mexendo de vez em quando. Ao fim de cerca de 1 hora, verifique a cozedura. Se achar muito líquido, tire a tampa e deixe ferver por mais algum tempo.
Retire do lume e reduza a puré com a ajuda da varinha mágica ou de um passe-vite de rede fina.


Rectifique os temperos e verta para os frascos. Tape com as tampas herméticas e volte-os de "boca" para baixo para criarem vácuo natural. Deixe arrefecer.


 Depois de frios vire-os e guarde na despensa ou em local escuro e fresco.

Notas:
O alho deve cozinhar-se um pouco, antes de juntar a cebola pois esta neutraliza muito o aroma do alho.
Esta conserva é de grande utilidade para quem gosta pouco de cozinhar.
Bastam duas colheres deste molho, 2 dl de água a ferver e 1 dl de arroz, para fazer um bom Arroz de Tomate em 12 minutos (para 2 pessoas).
Também utilizo para aromatizar os estufados ou assados no forno.
Gosto de o guardar em frascos pequenos porque como somos só dois "comensais", consigo gastá-lo rapidamente e nunca se deteriora.


 Para todos, um resto de semana feliz.
Beijinhos da
Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)

BORDADO DE CASTELO BRANCO


Tenho tido alguma dificuldade em prosseguir com novas receitas. Enquanto me organizo melhor, pensei trazer-vos alguns temas de interesse geral.
O primeiro é relacionado com o Bordado de Castelo Branco, um dos produtos mais típicos e ricos da cidade de Castelo Branco.
Surgiu essencialmente em colchas de linho que eram bordadas com fio de seda natural, com desenhos e pontos muito variados. (Cliquem na imagem para a ampliarem).
Estas colchas tornaram-se conhecidas a partir de meados do século XVI (1550).
Eram bordadas para famílias nobres ou para burgueses ricos e também para as bordadoras quando se casavam.
Estes trabalhos, muito antigos, podem ser apreciados no Museu Tavares Proença, o museu da cidade.
Há quem diga que os desenhos são de inspiração oriental, mas não sei se é verdadeira esta informação.
Muitos têm cenas campestres, flores diversas estilizadas, outros são "naifs" com pessoas e animais.
Actualmente bordam-se painéis para paredes, quadros, etc.
No Museu tem funcionado uma escola de bordados que tem promovido estes trabalhos que já estavam em desuso. Com a descoberta das fibras sintéticas que são mais baratas, deixou de se fabricar fio de seda. Então foi preciso retomar a confecção da seda, do fio e da tinturaria antiga para as colorir.
Como podem calcular, estes bordados são muito trabalhosos e requerem muita entrega da parte das bordadoras, por isso são dispendiosos.
Eu vi um painel lindo para parede a ser confeccionado, encomendado por um ex-Ministro, que custava na altura 2000 contos (10000 euros na moeda actual).
O quadro que vos mostro foi-me oferecido por uma prima que o confeccionou e que guardo com muita estimação.
Se alguma vez passarem por Castelo Branco, não deixem de visitar o Museu e os Jardins do Paço que o envolvem.

REABRIU "O MEU ESTAMINÉ"

Este ano o OUTONO chegou com um mês de atraso, e eu também.
Este prolongamento forçado do Verão, ajudou a que finalizássemos umas pequenas obras de manutenção no telheiro do quintal da casa da aldeia. E, quando se fala de obras, já se sabe que nem sempre se consegue quando nos dá mais jeito, nem que se cumprem os prazos previstos, ou que os arranjos fiquem 100% ao nosso gosto. Felizmente, estes dois últimos cumpriram-se e ficámos satisfeitos por os obreiros serem qualificados e de palavra.

Num dos dias em que precisei de cozinhar umas batatas, dei com esta que aqui vos trago, com a forma de um coração.


Achei-lhe tanta graça, que não resisti a fotografá-la para vos mostrar!
E, para terminar a prosa de hoje, como ainda não tenho receitas para vos oferecer, deixo-vos a foto de um arranjo que só não é floral porque não tem flores (só uma flor), mas é campestre porque tem pinhas, vides, espigas de trigo e milho, abóboras e outros elementos colhidos no campo.


A pouco e pouco voltarei a visitar os vossos cantinhos de que já sinto a falta.
Um abraço da

Bombom (Tia Fátima ou Avó Fátima)