CONGELAR FRUTOS

Antes de mais, queria deixar aqui um agradecimento sincero a todos(as) os(as) meus (minhas) leitores(as).
A todas as Amigas que me brindam com os seus comentários, quero que saibam que os aprecio muito e que, com o seu "feed-back", me ajudam a orientar aqui dentro do Meu Estaminé. Não é minha intenção ensinar nada a ninguém, mas apenas partilhar os conhecimentos "culinários" que a experiência dos meus sessenta e muitos anos de vida, me foi dando.
Porque me parece importante e não é muito divulgado, vou continuar a falar-vos de Congelação de Alimentos.
Hoje trago-vos o capítulo dos Frutos.

CONGELAR FRUTOS

Selecção
Devem escolher-se frutos maduros e muito frescos.

Preparação
* Os frutos devem ser protegidos contra efeitos da oxidação e da acção das enzimas. Para tal, são envolvidos em açúcar em pó ou numa calda, adicionando sumo de limão, para reforçar a acidez.
* Aos morangos, framboesas e amoras, por exemplo, retiram-se os pés e escolhem-se cuidadosamente, para eliminar os muito maduros ou "tocados".
* As cerejas, ameixas, pêssegos e alperces, devem ser escolhidos e lavados (quanto aos pêssegos, é preferível pelados) e descascados. Os pêssegos e os alperces devem ser cortados em 2 ou 4 pedaços.
* As maçãs e as pêras não podem ser congeladas inteiras; estes frutos devem ser pelados e cortados aos pedaços, antes de serem branqueados durante 3 minutos num xarope de açúcar a ferver. Em seguida, serão tratadas como as outras espécies.

Métodos utilizados no adoçamento dos frutos

Açúcar
Utilizar cerca de 200g (12 colheres de sopa) de açúcar em pó por cada Kg de fruta.
Misturar ligeiramente a fruta com o açúcar até que esteja uniformemente coberta.
Embalar em recipientes de plástico ou de cartão (encerado) deixando livre cerca de 1 cm entre o produto e a tampa.
Este método aplica-se à fruta para cozer, para usar em pastelaria e para consumo ao natural (cru).

Calda de Açúcar 
Preparar a calda utilizando 450g de açúcar (27 colheres de sopa), para cada litro de água.
Depois de ferver, apague o lume e deixe arrefecer bem.
Assegure-se de que a calda de açúcar cobre a fruta, deixando um espaço de 1 ou 2 cm entre a fruta e a tampa.

Descongelação
* Quando se destinam a ser consumidos em cru (saladas de frutas, por exemplo) devem descongelar-se parcialmente no frigorífico (refrigerador), dentro da embalagem.
* Quando se destinam a preparações de doçaria ou compotas, devem cozinhar-se directamente sem descongelação prèvia.

SUMOS DE FRUTA

* Também se podem congelar os frutos sob a forma de sumos. Neste caso, isso implica uma certa rapidez nas operações de lavagem, escolha e eliminação das partes do fruto tocadas ou estragadas.
* Os frutos serão reduzidos a sumo, de preferência num centrifugador (ou com a varinha mágica). Pode-se acrescentar açúcar ou sumo de limão, conforme o gosto.
* A adição de sumo de limão impede ainda o escurecimento dos sumos de pêra e de maçã.
* Para congelar, coloca-se o sumo em caixas de plástico hermèticamente fechadas, deixando um espaço vazio entre o líquido e a tampa.
* Pode-se ainda congelar os sumos dentro das formas do gelo retirando depois os cubos para sacos ou caixas de plástico, onde serão conservados no congelador. É uma solução prática, de utilização cómoda e mais económica pois permite dosear melhor.

 FRUTAS MAIS INDICADAS PARA CONGELAR:

Ameixas - seleccionar, lavar, cortar em metades e descaroçar. Embalar sem açúcar ou preparar uma compota açucarada antes de congelar.

Cerejas - Seleccionar, lavar, retirar o pé e descaroçar. Açucarar ligeiramente.

Damascos - Seleccionar, lavar, cortar em metades, retirar o caroço. Mergulhar em água a ferver e retirar de seguida. Colocar na embalagem e cobrir de xarope a 25% ou 30%, adicionando sumo de limão.

Maçãs - Congelar unicamente em compota cozida e bem açucarada. (Eu costumo partir aos quartos, ferver em água com um pouco de sumo de limão, escorrer e deixar arrefecer. Depois embalo em caixinhas em pequenas doses que descongelo para acompanhar com carne assada. Faço o mesmo aos marmelos. Quando quero fazer compota retiro só a quantidade necessária.).

Melão - Retirar a casca e as pevides. Cortar em dados. Embalar com um pouco de açúcar em pó.

Morangos, Framboesas, Groselhas, Amoras - Seleccionar, lavar. Colocar em pequenos pratos (de cartão) uma só camada de frutos, com 25g de açúcar por 100g de frutos. Congelar e embalar.

Pêras - Descascar, cortar aos quartos, retirar as pevides e qualquer defeito. Mergulhar 2 minutos em água a ferver. Embalar e cobrir de um xarope de açúcar a 25% ou a 30%.

Pêssegos (variedade de polpa amarela e caroço não aderente) - Seleccionar, descascar, cortar em metades. Proceder ràpidamente e por pequenas quantidades de cada vez. Mergulhar em água a ferver e retirar em seguida. Embalar e cobrir de xarope de açúcar a 25% adicionando sumo de limão.

Conclusões: Como viram, as frutas mais rijas precisam de ser branqueadas em água a ferver por alguns minutos (1 ou 2 apenas).
O xarope de açúcar a 25% significa que para cada litro de água, se acrescenta 250g de açúcar.
O xarope a 30% ( 1 litro de água para 350g de açúcar) parece-me doce de mais.
Nesta altura do ano, começam a aparecer as frutas da época. É pois, a altura ideal para comprar mais em conta, congelar e utilizar durante o ano. Se fizerem as contas aos mesmos produtos congelados mas de compra, verão que vale a pena o trabalho pelo dinheiro que se poupa. 
E já que falamos em poupar, "não deixem para amanhã o que podem fazer hoje". A verdadeira crise ainda não chegou. Portugal ainda "não bateu no fundo", mas isso pode estar na iminência de acontecer. Tudo o que pudermos fazer para Poupar Sem Perder a Cabeça, será pouco. Unidas, talvez consigamos (com acento no â) passar pela onda com a cabeça de fora...
Desejo-vos uma boa semana, com Sol no Coração!
Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima
















































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CONGELAR LEGUMES - BRANQUEAMENTO

De acordo com o livrinho de que lhes falei, alguns dos produtos hortículas mais indicados para congelação, são: feijão verde, ervilhas, espinafres, couve-de-bruxelas, couve-flor e pimentos. Eu acrescento, da minha prática, abóbora, curgete, cogumelos e alho francês. As favas conservam-se bem congeladas, mas endurecem um pouco ao cozer.
Os pepinos, tomate, alfaces e outros hortículas para saladas não devem ser congelados porque perdem textura e aroma. Em relação aos tomates, podem congelar-se se for para utilizar posteriormente em sopas ou molhos.

Selecção
Deve-se escolher hortículas no ponto óptimo de maturação (colhidos no devido tempo: nem antes, nem demasiado tarde) e muito frescos porque os vegetais perdem ràpidamente as suas qualidades gustativas e o seu valor nutritivo, ao mesmo tempo que o seu aspecto se deteriora.

Preparação
* Devem ser lavados, limpos e descascados, isto é, prontos a cozinhar.
* Devem ser submetidos seguidamente,  a uma operação chamada de branqueamento, para que se destruam as enzimas que eles contêm e que os podem alterar.
* Para se proceder a esta operação são precisos recipientes grandes e outros utensílios que permitam cozer e escorrer sem manipulações (intervenção manual), tais como : cestos metálicos, passadores , peneiras, etc.
* Não se devem utilizar recipientes de metais oxidáveis.
* A água a utilizar deve ser potável e abundante e o processo de aquecimento deverá ser por forma a permitir a ebulição rápida (fervura), após a introdução dos produtos.

BRANQUEAMENTO

* Numa panela grande com água a ferver, mergulhar os legumes e agitar (ou dar uma mexidela cuidadosamente), para obter uma boa repartição do calor. (Se puser os legumes dentro de um cesto metálico como os das fritadeiras, terá uma boa ajuda).
* A retomada da ebulição (fervura) deve fazer-se em menos de 8 minutos. A ebulição deverá manter-se de 1 a 3 minutos, conforme o legume.
* Em seguida retiram-se os legumes e arrefecem-se ràpidamente em água corrente (poderá também utilizar-se água arrefecida com cubos de gelo).
* Deixam-se escorrer bem e, se possível, enxugam-se num pano ou numa substância absorvente.
* Embalam-se (sacos de plástico, por ex.) em seguida e metem-se no congelador.
* Para os legumes que podem ficar acastanhados, convém juntar à água um pouco de vinagre. Aconselha-se 1 colher de café de vinagre para 6 litros de água.

Descongelação e Confecção 

* A descongelação dos hortículas faz-se directamente na cozedura, em água a ferver com sal.
* Os legumes congelados têm um tempo de cozedura inferior, devido ao branqueamento prévio.

Tempos de Branqueamento

Alcachofras (juntar sumo de limão à água do branqueamento) - 4 minutos
Beringelas (cortadas às rodelas, branquear juntando sumo de limão na água ou de preferência saltear) - 4 minutos
Cenouras, Nabos, Alho-Porro (juntar sumo de limão à água do branqueamento) - 5 a 6 minutos
Couve-flor - 2 a 3 minutos
Couve-de-bruxelas - 3 a 4 minutos
Ervilhas (branquear ou refogar) - 1 minuto a 1 minuto e 30 segundos
Espargos (branquear com as pontas ao ar, fora da água) - 3 minutos
Espinafres (branquear ou estufar lentamente com azeite e cebola) - 2 minutos
Favas (branquear ou refogar) - 1 minuto e meio a 2 minutos
Feijão (branquear ou estufar em azeite e cebola) - 4 minutos
Feijão verde (já cortado conforme o uso) - 2 minutos
Tomate (estufar ou reduzir a sumo) - 2 minutos

E já têm aqui muito com que se entreter no fim de semana (he,he)!
Para a próxima sai "Como  Congelar Frutas". Espero que vos seja útil. Numa altura de crise económica como a que se avizinha, todos os conselhos são poucos...E nunca se esqueçam que "no poupar é que está o ganho".
Beijinhos da 

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

REGRAS GERAIS PARA UMA BOA CONGELAçÃO

E pensávamos nós que a Congelação dos Alimentos ou o Bife na Pedra, eram privilégio das sociedades modernas, he,he! Como vimos anteriormente, já eram privilégio dos nossos antepassados das Cavernas!
Mas nos tempos actuais, e graças aos conhecimentos que o Homem foi adquirindo, muitas dessas técnicas foram evoluindo e hoje temos um conjunto de regras que nos guiam e orientam.
De uma pequena brochura (livrinho) editada há muitos anos pelo Instituto Nacional do Frio (Rua Filipe Folque, 46-1000 Lisboa), retirei estes apontamentos que partilho convosco.

Regras Gerais Para Uma Boa Congelação

Selecção de Produtos
* Os produtos destinados à congelação devem estar sãos, frescos e limpos, ser de origem recente e estar no ponto óptimo de maturação.
* Devem-se escolher sempre os produtos de melhor qualidade.

Preparação
* Os produtos para congelar devem ser preparados com um cuidado rigoroso para serem conservados em óptimas condições higio-sanitárias.
* Evitar as manipulações susceptíveis de os alterar.
* Trabalhar nas melhores condições de higiene e limpeza.
* A mesa de trabalho e os utensílios (inox) devem estar limpos, tal como o avental.
* Antes de qualquer manipulação deve-se lavar as mãos com água e sabão e escovar as unhas (em caso de ferida, mesmo ligeira, use luvas de borracha). Contràriamente ao calor, o frio não esteriliza, apenas paraliza o desenvolvimento e actividade dos microorganismos a partir de -10°C a -12°C, os quais são retomados logo que se processe a descongelação.

Acondicionamento
* Acondicionar porções que correspondam a uma refeição normal para evitar os restos; nunca se deve recongelar, mesmo que parcialmente, um produto que já foi descongelado. Para mais de seis pessoas é preferível prever duas embalagens para uma única refeição de modo a que a espessura das embalagens a congelar não seja demasiado grande, para que a congelação se faça mais ràpidamente.
* Limitar a espessura da embalagem a 5 ou 6 centímetros (de altura), salvo para os produtos de forma determinada (por exemplo frangos).

Embalagem
* Utilizar embalagens estanques, impermeáveis, de qualidade própria para alimentos "especial congelação", a fim de evitar a desidratação e todos os riscos de contaminação microbiana.
* Eliminar o ar para suprimir os riscos de oxidação que se traduzem na rancificação das matérias gordas, modificações de cor, sabor e teor vitamínico.

Etiquetagem
* Etiquetar cada embalagem com a descrição de: natureza do produto, número de porções, data de congelação, época limite do consumo.
* Fazer um inventário dos produtos conservados e  consumir sempre em primeiro lugar os mais antigos.

Congelação
* Preparar, embalar e etiquetar ràpidamente os produtos, logo após a sua aquisição.
* Regular o congelador para a posição de congelação, algumas horas antes de se introduzirem os produtos para congelar. (Ver instruções do aparelho).
* Colocar as embalagens no aparelho em contacto com as superfícies frias do compartimento de congelação. (Consulte as instruções do seu aparelho).
* Para congelar em condições aceitáveis, respeitar a quantidade de produtos a congelar numa só operação, indicada pelo "poder de congelação" mencionado na placa sinalética do aparelho.
* Nunca introduzir produtos quentes no congelador (arrefecê-los até à temperatura ambiente ou mesmo inferior).
* Nunca pôr os produtos a congelar, em contacto com os que já estão armazenados, a fim de evitar qualquer subida de temperatura destes últimos.

Conservação
*Terminada a congelação, retirar as embalagens dos compartimentos de congelação e arrumá-las umas contra as outras, por categorias, nos cestos ou prateleiras do aparelho.
* Conservar, nas mesmas condições, os produtos congelados industrialmente ou em casa.
* Manter constante a temperatura dos produtos a -18C ou inferior. (As alterações térmicas são prejudiciais à boa conservação dos produtos).
* Não ultrapassar os períodos de conservação recomendados . É preferível renovar frequentemente o stock do que ultrapassar a duração de conservação indicada.

Descongelação
* A descongelação é uma operação tão importante como a congelação.
* Observar uma higiene rigorosa.
* Sempre que possível, cozinhar os alimentos ainda congelados ou só parcialmente descongelados. Assim, conserva-se o seu sabor, textura, cor, economiza-se tempo e não se perdem substâncias nutritivas (que muitas vezes se perdem com os líquidos que ficam nas embalagens).
* Para os produtos que exijam descongelação prévia, esta deve realizar-se a uma temperatura controlada (2° C a 4°C) e apenas com a antecedência necessária para a sua utilização.
* O local ideal para proceder a esta operação é a prateleira superior do frigorífico.

Muitas destas recomendações, não são novidade para nenhuma de nós. Mas com o tempo e a prática, às vezes esquecemo-nos de alguns pormenores importantes. Para mim, foi útil relembrá-los. Espero que para os que me lêem também seja.
Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima


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IMPORTÂNCIA DA CAçA...CONGELAR ALIMENTOS EM CASA

Hoje vou "falar-vos" da importância das caçadas na socialização do Homem.

"Além do interesse nutricional da cozedura dos alimentos, a sua importância no plano social foi, sem dúvida, mais imediatamente perceptível: favorece o comensalismo, isto é, a realização das refeições em comum, introduzindo no seio do grupo uma divisão de trabalho mais aperfeiçoada, um ritmo de actividades comum a todos e, no conjunto, um nível mais complexo de organização do grupo.
A partir do fim do Paleolítico Médio, surgem os primeiros indícios de caça que já não é de "encontro", em que o animal é capturado individualmente (quando se encontra longe do seu grupo), mas praticada em massa, abrangendo manadas inteiras.
Este último modo de caça só se desenvolverá no Paleolítico Superior, o período de expansão do Homem moderno por todo o planeta, entre 40 000 e 10 000, aproximadamente.

Durante o Paleolítico superior, generalizam-se sistemas de subsistência baseados na exploração de uma espécie animal privilegiada, caçada em massa por ocasião de grandes batidas: segundo as regiões, será a rena, o cavalo, o bisonte, o auroque ou mesmo o mamute. Esta forma nova de exploração exige uma organização sócio-económica e técnica muito diferente da caça de "encontro" e corresponde a objectivos económicos igualmente diferentes.
A caça de encontro é uma caça individual ou em pequenos grupos, que não exige qualquer preparação para além da manutenção quotidiana do armamento. Tanto o armamento como os utensílios devem ser diversificados, para abater e preparar as presas, também variadas.
As batidas de manadas exigem a colaboração de numerosos indivíduos (por norma as mulheres e as crianças também participam nelas), o que implica a reunião de várias famílias e grupos de famílias que residem separados durante a maior parte do ano. Essas reuniões periódicas implicam mecanismos de informação e de integração social, ou seja, sistemas sociais alargados que integram um maior número de indivíduos, do que o grupo doméstico ou residencial. Por outro lado, a batida a manadas (muitas vezes migratórias), necessita de uma longa fase de preparação: é necessário instalar a armadilha em que a manada será capturada e abatida, preparar uma grande quantidade de armas (agora especializadas), além de todos os utensílios que permitirão tratar ràpidamente as carcaças, cortar a carne, preparar as peles...
Como contrapartida deste trabalho prévio, as quantidades acumuladas de carne, de gordura, de medula, de peles, de tendões ou de crinas serão consideráveis e constituirão reservas (alimentares e técnicas) para várias semanas ou meses.
A caça em massa implica também a conservação a longo prazo da carne acumulada. Facilitada pelo clima seco e frio que reinava no fim do Paleolítico, a conservação era realizada por secagem, por fumagem ou por congelação em cavidades escavadas na terra pois nos climas periglaciares, o solo estava permanentemente gelado. Essas cavidades, cobertas por um telhado sustentado por presas de mamute, foram descobertas na Europa central e oriental. Noutros locais, carcaças inteiras, lastradas com pedras, jaziam em antigos lagos que, ao gelar no Inverno, podiam também servir de locais de armazenagem.
As carnes e os alimentos armazenados eram consumidos secos ou re-hidratados por cozedura: ebulição prolongada em recipientes de madeira, casca ou pele, nos quais se lançavam periódicamente pedras aquecidas e cujos vestígios junto das lareiras se conservaram por vezes; ebulição directa no fogo, dentro do bucho ou da pele dos animais. Por sua vez, as peças grandes de carne eram grelhadas em espetos, de que nos chegaram alguns exemplares em osso. Os bocados mais pequenos eram grelhados directamente nas pedras que forravam as fogueiras deste período."

Se por um lado receio ter-vos maçado com todo este historial, por outro acho que é importante partilhar convosco estas maravilhas da nossa História Antiga, talvez para podermos compreender melhor quem somos e de onde viemos. Como fomos evoluindo nesse percurso dominado pelas leis da Natureza e no seu equilíbrio....

Termino aqui, pois este post já vai longo, mas ofereço-vos a seguir um conjunto de Regras Gerais para uma boa Congelação de Alimentos feita em casa.
Beijinhos da
Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

NOS PRIMÓRDIOS DA COZINHA...E MOLHOS DIVERSOS

Começo por agradecer os vossos comentários que muito enriqueceram o meu texto anterior.
Isso animou-me a avançar um pouco mais com este tema, já que "o saber não ocupa lugar".

"O homem não dominou o fogo de um dia para o outro. E foi antes de o ter dominado plenamente - há bem mais de 500 000 anos - que o utilizou provàvelmente para cozinhar alimentos, como indicam as ossadas carbonizadas que acompanham os primeiros vestígios de fogueiras.
Pode-se dizer que é com a preparação das plantas tóxicas em estado bruto mas comestíveis depois de sujeitas a algumas técnicas e com o desenvolvimento dos métodos de conservação dos alimentos, que nasce a cozinha.
No que diz respeito às plantas tóxicas, esta preparação podia ser uma escaldadela, como no caso dos cogumelos como giromitras e helvelas. Pode também ser uma secagem, uma maceração, ou a lavagem prolongada que liberta certas variedades de mandioca do seu suco amargo e tóxico.
Poderíamos falar ainda dos inúmeros processos de conservação que impedem os alimentos de se tornarem tóxicos. Ao lado da secagem e fumagem das carnes - praticadas desde o Paleolítico Superior - há outros, aparentemente mais tardios: a salga e todos os tipos de fermentações controladas que permitem obter produtos de longa conservação, como a cerveja, o vinho, a cidra, o vinagre, os queijos, a chucrute, os pepinos à russa, o "gnoc-mam" vietnamita ou o antigo garum (romanos), o molho de soja dos chineses e os "morri" da antiga cozinha andaluza, etc...
A intenção inicial destas preparações não era melhorar o gosto dos alimentos, mas sim torná-los comestíveis e conservá-los por mais tempo.
A estas preparações podemos, em sentido lato, chamar de cozinha.
O cozer, temperar, marinar, triturar, fatiar, filtrar, em resumo cozinhar, tiveram como função tornar os alimentos digestos e não nocivos, mais do que melhorar o seu sabor. Este está dependente dos hábitos alimentares, baseados nas crenças de cada cultura.
Estas operações culinárias revelaram-se mais ou menos complexas conforme os povos, mas a mais simples delas já é cozinha."

Há uns dias dei-vos a receita do "meu" Molho Picante, mas a verdade é que tenho várias outras receitas de Molhos que também são muito gostosas. Assim, aproveito para homenagear uns quantos blogs que visito sempre que posso e considero de Grande Categoria. Hoje vai uma saudação especial para o  Elvira Bistrot e o Cinara`s Place.

MOLHO DE AZEITE PICANTE (Para Pizzas)
                                             Elvira Bistrot 
1,5 dl de azeite virgem
3 malaguetas verdes
3 malaguetas vermelhas
1 haste de tomilho
1 haste de orégãos
1 folha de louro em pedaços (sem a nervura do meio)

Introduzir todos os ingredientes numa garrafinha. Cobrir de azeite e fechar muito bem.
Conservar em lugar fresco e escuro (nunca no frigorífico porque o azeite coalha) durante 1 mês, no mínimo, para o azeite ganhar um sabor mais forte e picante.
Pode guardar na despensa ou num armário. Agite uma vez por dia.

MOLHO DE MOSTARDA E MEL (Outbacks Honey... para saladas)
                                          Cinara`s Place
3/4 de cháv. de maionese light
2 colheres de sopa de  mostarda de Dijon
1/4 de cháv. de mel

Bata tudo até incorporar bem, à mão ou com a varinha mágica.
Leve ao frigorífico durante 1 hora antes de servir. Rende 6 porções.

Um bom fim de semana para todos: Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima






                                 

AS PRIMEIRAS RECEITAS DE COZINHA...E CONGELAR PÊSSEGOS

 Hoje resolvi partilhar convosco um excerto de um livro que achei muito interessante e que nos dá uma visão da alimentação através dos tempos, algo diferente daquilo que estamos habituados a ver.
O livro chama-se História da Alimentação, os autores são Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari e é da Editora Terramar.

"As primeiras Receitas de Cozinha que se conhecem são Mesopotâmicas e datam de 2000 AC. Mas não foram eles que inventaram a cozinha. Tiveram, simplesmente, razões para pôr por escrito as suas receitas e foram os primeiros, com os egípcios, a poder fazê-lo: sem escrita não há receitas.
Mas a ausência de receitas não significa que não houvesse já preocupações gastronómicas e uma arte culinária requintada. Assim, os egípcios que não sentiram necessidade de escrever as suas receitas, deixaram-nos, não obstante, vestígios muito instrutivos em alguns túmulos, a partir de 4000 AC. Apesar disso, também não foram eles que inventaram a cozinha.
Terá sido há 500 000 anos que o Homem dominou o fogo e se afastou definitivamente dos seus antepassados hominídeos, ainda mergulhados na animalidade.
Os historiadores da Pré-História parecem reconhecer que eles utilizaram o fogo, primeiramente para cozinhar os alimentos e que as suas outras utilizações técnicas apareceram muito mais tarde. Daí a afirmar que "a cozinha faz o Homem" e que têm, uma e outro, 500 000 anos, é apenas um passo.
Explicam-nos, por vezes, que o gosto pela carne cozinhada é comum a pràticamente todos os carnívoros, que a procuram depois dos incêndios naturais. Sugere-se assim, que os próprios animais carnívoros preferem a carne cozinhada à carne crua e que seriam capazes de comer carne assada todos os dias, se conhecessem a arte de cozinhar. Por isso o Homem, na posse do fogo, não tardou a mudar de regime alimentar. Mas este esquema não é assim tão linear. Longe de serem valores objectivos, o bom e o mau são noções relativas a cada pessoa que come e a cada cultura.
Se é possível arriscar uma ideia geral neste domínio, ela é que o conhecido, o habitual, tem geralmente a preferência sobre o desconhecido: para um japonês, a melhor maneira de servir um peixe fresco é servi-lo cru; do mesmo modo que um esquimó preferia, no início deste século, a foca crua, meio decomposta, cortada em fatias finas, a todas as focas cozinhadas, assadas ou com molho que lhe fossem apresentadas por cozinheiros franceses.
Nem todos os povos têm, como os europeus, uma tradição de vários milénios de desconfiança em relaçáo à carne crua e de preferência pela carne cozinhada. A referência ao gosto, quando se trata de apresentar a invenção da cozinha, deve ser portanto sujeita a fortes reservas."

Se este tema vos interessar, poderei aprofundá-lo um pouco mais.
E agora, deixo-vos aqui uma sugestão para congelar pêssegos, já que eles estão aí a chegar ao mercado.

CONGELAR PÊSSEGOS

Ferve-se 1 litro de água com 500g de açúcar, até levantar fervura.
Junta-se o sumo de 1 limão, mexe-se e deixa-se arrefecer.
Escaldam-se os pêssegos em água a ferver e tira-se a pele. Cortam-se ao meio e retira-se o caroço.
Metem-se as metades de pêssego em caixas quadradas e cobrem-se com a calda de açúcar.
Tapa-se e mete-se no congelador.

Desejo-vos um bom fim de semana. Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

FLOCOS DE MALAGUETA OU CRUSHED CHILLIES

Uma das minhas "manias" é não comprar nada do que eu possa fazer em casa.
Quando havia bom leite à venda fazia manteiga e agora faço os queijinhos frescos e o pão, faço os molhos e as misturas de ervas aromáticas.
Outra coisa que gosto de fazer são os Flocos de Malagueta, mais conhecidos por Crushed Chillies ou Poivrons Rouges.
Eu gostava muito de conhecer os nomes das diversas malaguetas, o grau de picante de cada variedade segundo a sua origem, mas a verdade é que sou uma leiga no assunto. Mas como quando "não há cão caça-se com gato", resolvi experimentar e não me dei nada mal.


Comprei uma porção de malaguetas (pode usar-se de várias qualidades).
Passei-as por água e enxuguei-as em papel de cozinha absorvente.
Retirei-lhes o pé e abri-as ao meio, no sentido do comprimento.
Separei as sementes e coloquei-as de um lado do tabuleiro.
Do outro lado coloquei as "cascas" da malagueta.


Pus o tabuleiro ao sol durante cerca de 8 dias. Quando secaram, parti-as aos pedaços e triturei-as na picadora 123. É mesmo só 1-2-3 e já está! Retirei para um recipiente e juntei as sementes, que são a parte mais picante e misturei. Coloquei os "flocos"num frasco de vidro e guardei.
Com esta trabalheira toda, esqueci-me de tirar a fotografia final, he, he! Mas fica para a próxima.
Dão muito jeito para temperar carnes, peixes ou molhos.
Esta tarefa não deve ser feita por pessoas que sofram de asma ou alergias.

Beijinhos da

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

EM TERRAS DA CALIFÓRNIA

Já devem ter reparado que a Primavera me trouxe recordações...de viagens.
É que não há viagem onde não se "intrometa" a gastronomia. E, cá para mim, a Gastronomia diz-nos muito da História, da Geografia e do carácter de um Povo.
Vai fazer dois anos, que estive em San Diego e gostei muito porque fui matar saudades dos meus nètinhos.
San Diego fica no sul da Califórnia, mesmo encostado ao México, a 5 Km da fronteira.
Quando aterrei nos EUA, a primeira coisa que me "saltou à vista" foi a quantidade e o peso (diria melhor a largura) dos obesos daquele território. Ao pé deles, os obesos portugueses ganhavam em elegância. Não estou a troçar nem tão pouco a criticar, notem bem. Estou apenas a constatar esta realidade americana, que tem por base uma enorme falta de boas referências gastronómicas.
Dão primazia à quantidade em vez da qualidade.Se pedirem um café, dão-vos um enorme copo de plástico (maior que os nossos da cerveja) cheio de líquido quente com vago sabor a café.
E também é frequente ver nas ruas as pessoas com grandes copos na mão, cheios de bebidas ou sumos que só é pena não serem naturais e à base de fruta fresca. E com grandes pacotes de batatas fritas ou outros sucedâneos, companheiros de todas as horas, seja na rua ou nos Centros Comerciais, às compras ou no Cinema.
Nesta região a comida tem uma grande influência mexicana, com seus molhos, seus picantes e aromas específicos,  mas também tem algo de muito americano: a carne. Os Bifes à Cow-boy!
Foi a segunda coisa que me impressionou e não resisti a mostrar-vos, nem que seja só para ser màzinha e vos fazer inveja, he,he!


Vendem-se em qualquer super mercado, devidamente embalados, tenros e saborosos e muito mais baratos do que em Portugal.Estes foram temperados à portuguesa, só com sal e alho.


  Acabados de grelhar no carvão. Um bife à cow-boy que se preze, não encolhe durante a confecção!


E só para terminar, um desabafo: por que será que em Portugal não vemos Carne Alentejana nem Posta Mirandesa à venda? Por que não se investe no que temos de bom e somos obrigados a comer só o que os outros não querem?...

Tenham um bom fim de semana. Bjs.

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima

MOUSSE GELADA DE MORANGO

Já devem ter reparado que estive uns dias em "stand-by", e só hoje vim reabrir O Meu Estaminé.
Maio é o meu mês, o mês das flores e da Primavera! Mas por vezes, nesta altura do ano, foge-nos o "élan" e fica-se com pouca energia. Algo que um reforço de vitaminas cura depressa...
Como estamos ainda numa época em que abundam os morangos, ofereço-vos a minha receita de

MOUSSE GELADA DE MORANGO

2 pacotes de natas frescas (Mimosa)
1/2 kg de morangos (triturados)
1 chávena de chá de açúcar branco (cerca de 150g)

1 - Lavam-se bem os morangos, retira-se o pé e partem-se aos bocados. Trituram-se no copo da varinha mágica com 100g de açúcar.
2 - Batem-se as natas com o restante açúcar (50g), até obter um chantilly grosso.
3 - Junta-se o chantilly ao puré de morangos e envolve-se cuidadosamente. 
4 - Verte-se numa caixa plástica e leva-se ao congelador de um dia para o outro.

Notas - Em vez da caixa podem usar-se copinhos individuais ou formas de queques, por exemplo.
             Na hora de servir podem enfeitar-se com um pouco de calda de morango ou groselha e uma folha de hortelã.
             Para retirar o gelado da caixa basta, antes de a abrir, passá-la debaixo da torneira de água quente.
            
Uma boa semana! Beijinhos.

Bombom = Tia Fátima = Avó Fátima